Logo R7.com
RecordPlus

Produção de cacau cresce 63%, mas setor ainda enfrenta desafios

Produção volta a crescer após dois anos de escassez, porém queda na demanda por derivados e riscos climáticos impedem uma recuperação definitiva do setor

Agronegócios|Do R7, com RECORD NEWS

  • Google News

Adicione como fonte preferencial no Google

Opens in new window

LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • A produção global de cacau cresceu 63,4% no primeiro semestre de 2026, após dois anos de escassez.
  • O aumento na produção não reflete uma recuperação estrutural, mas sim uma retração no consumo de derivados de cacau.
  • Apesar do aumento na oferta, a moagem de cacau cresceu apenas 3,6%, indicando que o consumo ainda está fraco.
  • As exportações de derivados de cacau do Brasil caíram 7% em comparação com 2025, afetando os mercados dos EUA e Argentina.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

A produção global de cacau apresentou sinais de recuperação no primeiro semestre de 2026, após dois anos marcados pela escassez de matéria-prima. Segundo dados compilados pela Campos Consultores, o recebimento de amêndoas cresceu 63,4% em relação ao mesmo período de 2025, retornando a patamares próximos aos registrados antes da crise de oferta de 2023.

A presidente executiva da Aipc (Associação Nacional das Indústrias Processadoras de Cacau), Anna Paula Losi, explica que a melhora observada na relação entre oferta e demanda não significa, necessariamente, uma solução estrutural para o setor. Segundo ela, o cenário atual está mais relacionado à retração do consumo de derivados do que ao aumento consistente da produção. “Eu diria que tem muito mais a ver com uma crise agora na demanda, no consumo por derivados, do que uma oferta estruturalmente resolvida, tanto no mundo como aqui no Brasil”, afirma.


Um monte de frutos de cacau, com cascas de cores variadas, incluindo amarelo, laranja, vermelho e verde. Os frutos têm formas ovais e texturas irregulares, alguns com manchas escuras. A imagem captura a abundância e diversidade dos frutos, que estão empilhados uns sobre os outros em um ambiente natural.
Frutos de cacau: recuperação da oferta global de amêndoas em 2026 Reprodução/Record News

Entre 2024 e 2025, o mercado enfrentou um déficit global superior a 700 mil toneladas de amêndoas de cacau, o que levou os preços a níveis históricos. Na Bolsa de Nova York, a commodity chegou a ultrapassar US$ 12 mil por tonelada (aproximadamente R$ 61 mil, na cotação atual).

A partir de 2025, os preços começaram a recuar gradualmente com a melhora das safras. No entanto, o aumento dos custos acabou chegando ao consumidor final, provocando uma retração no consumo de derivados, como licor, manteiga e pó de cacau. Esse movimento reduziu a atividade industrial e alterou a dinâmica entre oferta e demanda.


Apesar do crescimento de mais de 60% no recebimento de amêndoas, Anna Paula ressalta que ainda é cedo para falar em uma recuperação estrutural da produção. Segundo a executiva, fatores climáticos continuam influenciando diretamente os resultados do setor, e fenômenos como o El Niño ainda preocupam produtores no Brasil e em outros países.

No mercado brasileiro, o aumento da oferta permitiu que o país passasse o segundo trimestre de 2026 sem a necessidade de importar amêndoas de cacau, algo que não ocorria há quatro anos. Ainda assim, a presidente da Aipc alerta que esse resultado também reflete uma demanda enfraquecida.


Enquanto o recebimento de amêndoas avançou 63,4%, a moagem registrou crescimento de apenas 3,6% em relação a 2025 e segue abaixo dos níveis registrados antes da crise. Para Anna Paula, isso demonstra que o consumo ainda não se recuperou totalmente após o forte aumento dos preços observado nos últimos anos.

Veja Também

As exportações brasileiras de derivados também sentiram os impactos desse cenário e recuaram cerca de 7% na comparação com 2025. Os principais destinos dos produtos brasileiros seguem sendo os Estados Unidos e a Argentina. “A gente tem como principais mercados os Estados Unidos e Argentina. Então é importante que o Brasil continue sendo competitivo para acessar esses mercados. Então, se a gente tem mais matéria-prima para produzir, se o nosso custo de produção consegue ser impactado pelo volume que a gente tem e o nosso custo fica menor, a gente se torna mais competitivo no mercado internacional”, declara.


Além das questões climáticas, o setor acompanha a recuperação da demanda por derivados no Brasil e no exterior. A expectativa é que a retomada do consumo fortaleça a indústria e contribua para um cenário mais equilibrado em toda a cadeia produtiva do cacau.

Search Box

Análises, entrevistas e as notícias do Brasil e do mundo estão na RECORD NEWS. Acesse o site aqui e confira os principais conteúdos em texto e vídeo!

Últimas


Utilizamos cookies e tecnologia para aprimorar sua experiência de navegação de acordo com oAviso de Privacidade.