Produção de cacau cresce 63%, mas setor ainda enfrenta desafios
Produção volta a crescer após dois anos de escassez, porém queda na demanda por derivados e riscos climáticos impedem uma recuperação definitiva do setor
Agronegócios|Do R7, com RECORD NEWS
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A produção global de cacau apresentou sinais de recuperação no primeiro semestre de 2026, após dois anos marcados pela escassez de matéria-prima. Segundo dados compilados pela Campos Consultores, o recebimento de amêndoas cresceu 63,4% em relação ao mesmo período de 2025, retornando a patamares próximos aos registrados antes da crise de oferta de 2023.
A presidente executiva da Aipc (Associação Nacional das Indústrias Processadoras de Cacau), Anna Paula Losi, explica que a melhora observada na relação entre oferta e demanda não significa, necessariamente, uma solução estrutural para o setor. Segundo ela, o cenário atual está mais relacionado à retração do consumo de derivados do que ao aumento consistente da produção. “Eu diria que tem muito mais a ver com uma crise agora na demanda, no consumo por derivados, do que uma oferta estruturalmente resolvida, tanto no mundo como aqui no Brasil”, afirma.

Entre 2024 e 2025, o mercado enfrentou um déficit global superior a 700 mil toneladas de amêndoas de cacau, o que levou os preços a níveis históricos. Na Bolsa de Nova York, a commodity chegou a ultrapassar US$ 12 mil por tonelada (aproximadamente R$ 61 mil, na cotação atual).
A partir de 2025, os preços começaram a recuar gradualmente com a melhora das safras. No entanto, o aumento dos custos acabou chegando ao consumidor final, provocando uma retração no consumo de derivados, como licor, manteiga e pó de cacau. Esse movimento reduziu a atividade industrial e alterou a dinâmica entre oferta e demanda.
Apesar do crescimento de mais de 60% no recebimento de amêndoas, Anna Paula ressalta que ainda é cedo para falar em uma recuperação estrutural da produção. Segundo a executiva, fatores climáticos continuam influenciando diretamente os resultados do setor, e fenômenos como o El Niño ainda preocupam produtores no Brasil e em outros países.
No mercado brasileiro, o aumento da oferta permitiu que o país passasse o segundo trimestre de 2026 sem a necessidade de importar amêndoas de cacau, algo que não ocorria há quatro anos. Ainda assim, a presidente da Aipc alerta que esse resultado também reflete uma demanda enfraquecida.
Enquanto o recebimento de amêndoas avançou 63,4%, a moagem registrou crescimento de apenas 3,6% em relação a 2025 e segue abaixo dos níveis registrados antes da crise. Para Anna Paula, isso demonstra que o consumo ainda não se recuperou totalmente após o forte aumento dos preços observado nos últimos anos.
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As exportações brasileiras de derivados também sentiram os impactos desse cenário e recuaram cerca de 7% na comparação com 2025. Os principais destinos dos produtos brasileiros seguem sendo os Estados Unidos e a Argentina. “A gente tem como principais mercados os Estados Unidos e Argentina. Então é importante que o Brasil continue sendo competitivo para acessar esses mercados. Então, se a gente tem mais matéria-prima para produzir, se o nosso custo de produção consegue ser impactado pelo volume que a gente tem e o nosso custo fica menor, a gente se torna mais competitivo no mercado internacional”, declara.
Além das questões climáticas, o setor acompanha a recuperação da demanda por derivados no Brasil e no exterior. A expectativa é que a retomada do consumo fortaleça a indústria e contribua para um cenário mais equilibrado em toda a cadeia produtiva do cacau.
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