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Agro defende investigação sobre financiamento de suposto golpe: ‘Inadmissível generalizar’

Segundo o depoimento de Mauro Cid à Polícia Federal, Braga Netto teria conseguido recursos financeiros do “pessoal do agronegócio”

Brasília|Do R7, em Brasília

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FPA pede investigação rigorosa sobre suposto envolvimento do agro em financiamento do golpe
Envolvimento do agro em financiamento do golpe Isac Nóbrega/PR - Arquivo

A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) manifestou-se oficialmente pedindo que as investigações sobre o suposto envolvimento de empresários do agronegócio no financiamento da tentativa de golpe de Estado em 2022 sejam conduzidas com “urgência e rigor”. A declaração veio após revelações da delação premiada do tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro (PL), que apontou o general Walter Souza Braga Netto como peça-chave no esquema golpista.

Segundo o depoimento de Mauro Cid à Polícia Federal (PF), Braga Netto teria conseguido recursos financeiros do “pessoal do agronegócio” e entregado o dinheiro ao major Rafael de Oliveira, conhecido como “kid preto”, em uma sacola de vinho. O montante, segundo as investigações, seria destinado a custear um plano que incluía a eliminação de figuras-chave, como o então presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e seu vice, Geraldo Alckmin (PSB), além do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.


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As informações foram importantes para a prisão preventiva de Braga Netto, decretada no sábado (14) pelo ministro Alexandre de Moraes. O STF apontou o general como um dos líderes do esquema, responsável por organizar e financiar as operações, além de agir de forma dolosa para obstruir o andamento das investigações.

“Os desdobramentos da investigação e os novos depoimentos de Mauro Cid revelaram a gravíssima participação de Walter Souza Braga Netto nos fatos investigados, em verdadeiro papel de liderança, organização e financiamento, além de demonstrar relevantes indícios de que o representado atuou, reiteradamente, para embaraçar as investigações”, destacou Moraes em sua decisão.


Em resposta às acusações, a FPA divulgou uma nota defendendo a importância de investigações imparciais e transparentes. A bancada também ressaltou que casos isolados não devem comprometer a imagem de todo o setor do agronegócio, que reúne mais de 6 milhões de produtores em todo o país.

“A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) reforça a importância de que as investigações sejam conduzidas com urgência e rigor, apurando todos os indícios de ações criminosas de forma imparcial. Defende-se que os responsáveis sejam identificados e punidos com o máximo rigor da lei, independentemente da atividade econômica de eventuais envolvidos. Contudo, é inadmissível que ações isoladas sejam usadas para generalizar e comprometer a imagem de um setor econômico composto por mais de 6 milhões de produtores e que desempenha papel fundamental no desenvolvimento do país.”

A FPA também defendeu que o processo respeite os princípios constitucionais: “As investigações devem ser conduzidas de forma legal, transparente, equilibrada e em estrita observância ao que determina a Constituição Federal.”

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