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Análise: permanência do Brasil fora do mapa da fome depende de vontade política e investimento constante

Brasil completa um ano fora do mapa da fome em julho; apesar disso, o país ainda tem 6,5 milhões de pessoas que enfrentam insegurança alimentar grave

Brasília|Do R7, com RECORD NEWS

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Brasil completa um ano fora do mapa da fome, mas ainda enfrenta insegurança alimentar grave com 6,5 milhões de pessoas afetadas.
  • A permanência do país fora do mapa da fome depende de vontade política e investimento constante, segundo Ricardo Mota, do Pacto Contra a Fome.
  • A qualidade dos alimentos é uma preocupação crescente, com 54 milhões de brasileiros em algum nível de insegurança alimentar, afetando a saúde com obesidade e doenças crônicas.
  • Mudanças climáticas, crises políticas e econômicas são ameaças ao acesso a alimentos saudáveis, exigindo maior investimento e efetividade das políticas alimentares.

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Em julho, o Brasil completa um ano fora do mapa da fome. Isso significa que, há 12 meses, menos de 2,5% da população se encontra em risco de subnutrição ou falta de acesso à alimentação suficiente. Apesar disso, o país ainda tem 6,5 milhões de pessoas que enfrentam insegurança alimentar grave.

Em entrevista ao Link News desta sexta-feira (3), Ricardo Mota, gerente de inteligência do Pacto Contra a Fome, destaca que “a permanência do Brasil fora do mapa da fome depende de muitos fatores, porque a fome é um fenômeno multifatorial. Então, a vontade política e o investimento constante são extremamente necessários para a continuidade dessa celebração e desse resultado”.


Panelas sobre fogão improvisado a lenha em área externa, com utensílios simples e chão de terra ao redor
Menos de 2,5% da população se encontra em risco de subnutrição ou falta de acesso à alimentação suficiente desde julho de 2025 Reprodução/Record News

Segundo ele, é necessária a atenção à questão da má alimentação: apesar da melhora do acesso aos alimentos, a qualidade deles está cada vez mais comprometida.

“A gente tem hoje 54 milhões de brasileiros em algum tipo de insegurança alimentar, que significa que a pessoa tem algum tipo de incerteza sobre o acesso à quantidade e à qualidade do alimento. Então é super importante também que a gente olhe para a qualidade do acesso à alimentação, que gera consequências muito graves que estão cada vez mais relevantes, como a obesidade, o sobrepeso e as doenças crônicas transmissíveis, que estão diretamente associadas à má alimentação”, alerta.


Mota reforça que a evolução da industrialização traz para o prato do brasileiro alimentos que possuem um nível de processamento muito alto, e já há uma comprovação de que esses alimentos estão associados a doenças crônicas não transmissíveis, no limite a mortes, a sobrepeso e obesidade.

“Os alimentos que são saudáveis, as frutas, verduras e legumes, eles são mais suscetíveis às ameaças das mudanças climáticas, às questões de calor extremo. Tudo isso gera uma instabilidade nos preços. E isso gera também uma tendência da população a não consumir mais esses alimentos”, explica.


Sobre a perspectiva dos próximos anos, Mota diz que agências da ONU (Organização das Nações Unidas) estão alertando para as mudanças climáticas como um fator de alto risco, interferindo no preço dos alimentos, além de crises políticas, econômicas e guerras, que têm afetado a oferta global.

“Nós temos diversas ameaças acontecendo ao mesmo tempo e fatores de blindagem nacional para que a gente garanta essa soberania nacional. O direito humano à alimentação adequada é algo que exige uma dedicação ao investimento político muito maior do que a gente tem hoje. Então, não só a gente precisa permanecer no nível atual de investimento, como a gente precisa ainda melhorar a efetividade das políticas e ampliar o investimento para a gente garantir resultados melhores”, afirma Mota.

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