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Brasil teve três casos de antissemitismo por dia em 2025, diz levantamento

Pesquisa da Confederação Israelita do Brasil indica aumento de banalização do ódio a judeus a partir de 2023

Brasília|Do R7, em Brasília

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Brasil registrou um aumento de 149% em casos de antissemitismo em 2025, com média de três casos por dia.
  • A maioria das agressões (mais de 80%) ocorreu em plataformas digitais, sendo o Instagram a mais citada.
  • Um projeto de lei foi apresentado na Câmara dos Deputados para equiparar a definição de antissemitismo no Brasil à da organização internacional IHRA.
  • Os autores do projeto buscam promover políticas públicas de memória, educação e direitos humanos para combater o ódio.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Críticas ao governo de Israel esbarram em ódio generalizado, afirmam instituições Fernando Frazão/Agência Brasil - Arquivo

O medo relacionado à identidade sempre caminhou como uma sombra junto à população judaica no Brasil, mas outro pico de tensão vem atingindo a comunidade. Entidades judaicas e membros do grupo étnico alertam para um aumento de casos de antissemitismo desde o início da guerra entre Israel e Hamas, em outubro de 2023.

A afirmação não é baseada apenas em sensação, mas em pesquisas. O Relatório Anual sobre Antissemitismo no Brasil 2025, divulgado pela Conib (Confederação Israelita do Brasil) nesta segunda-feira (30), aponta que denúncias de violências contra judeus aumentaram 149% em relação a 2022. Em 2025, foram em média três casos por dia.


Apesar de o total de 989 ocorrências registradas no ano passado ser menor do que o pico registrado em 2024, que somou 1.788 casos, o levantamento indica que 2025 serviu para consolidar um novo patamar de antissemitismo.

Ódio virtual

O secretário da Conib, Rony Vainzof, acredita que a banalização da violência contra a comunidade judaica virou o “novo normal” na sociedade brasileira.


“Cada vez mais, judeus brasileiros estão receosos em expor sua identidade, correndo o risco de autocensura. Isso é um cerceamento da liberdade religiosa e cultural no Brasil”, diz.

As redes sociais e o meio digital marcam uma nova realidade à dispersão de ódio. Do total de 989 casos de violência registrados pela pesquisa, 800 ocorreram em plataformas digitais — isso representa mais de 80% das agressões.


O Instagram lidera os casos de antissemitismo, registrando 37,1% das denúncias online. Em seguida vem o X/Twitter, concentrando 13,9% dos casos. Por fim, o Facebook, com 11,6% das ocorrências.

“Os ataques chegaram a 220 mil menções, com um alcance potencial de 66 milhões de pessoas”, conta Vainzof.


Um monitoramento presente na pesquisa divide as modalidades de violência antissemitas online em:

  • Antissionismo como antissemitismo (70,8%);
  • Generalizações (52,1%);
  • Agressões verbais (51,3%);
  • Menções e afirmações de nazismo (34,3%);
  • Atribuições conspiratórias (23,6%); e
  • Exaltação de grupos antissemitas (21,2%).

Antissionismo x Antissemitismo

Na discussão acerca de ódio contra judeus, há dois termos usados com maior frequência: antissemitismo, que traduz ódio aos judeus como um todo, e antissionismo, que se trata da oposição ideológica à existência do estado de Israel. É contrário ao sionismo, movimento que defende a autodeterminação do povo judeu.

Vainzof defende que, em sua visão, apesar das diferenças semânticas, o antissionismo não aparece sem estar acompanhado por pelo menos uma carga de antissemitismo.

“Até mesmo em Israel há pessoas contrárias ao governo vigente. Críticas ao governo de Israel não são antissemitismo, mas culpar coletivamente os judeus pelas ações é”, afirma.

Movimentações no Congresso

Um projeto de lei que une parlamentares de diferentes posições ideológicas contra a perpetuação do antissemitismo foi apresentado na última quinta-feira (26).

O projeto é de autoria da deputada Tabata Amaral (PSB-SP) junto a outros 44 autores, espalhados entre partidos ligados à esquerda, à direita e ao centro.

O PL 1.424/2026 não busca a criação de novos tipos penais, mas sim equiparar a definição de antissemitismo no Brasil com a da organização internacional IHRA (Aliança Internacional para a Memória do Holocausto).

No texto, ficam incluídos casos de antissemitismo “expressos oralmente, por escrito, sob forma visual ou através de ações, utilizando estereótipos e traços de personalidade” e o reforço de que antissemitismo é considerado uma forma de racismo no Brasil.

Com isso, a expectativa dos autores é que haja mais embasamento para a construção de políticas públicas destinadas à memória, educação, promoção dos direitos humanos e ao combate ao ódio.

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