‘Careca do INSS’, Carlos Lupi e Sarney Filho: saiba quem está no relatório da CPMI do INSS
Texto aponta empresário Antônio Carlos Camilo Antunes como principal operador das fraudes e pede indiciamento de 216 pessoas
Brasília|Lis Cappi, do R7, em Brasília e Jéssica Eufrásio, do R7, em Brasília
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O relatório final da CPMI do INSS pede o indiciamento de mais de 200 pessoas, entre eles o empresário e lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, bem como os ex-ministros Carlos Roberto Lupi (Previdência Social) e José Sarney Filho (Meio Ambiente e Mudança do Clima), o “Zequinha Sarney”.
O documento, elaborado pelo deputado federal Alfredo Gaspar (União-AL), lista 216 nomes de pessoas supostamente envolvidas nas fraudes cometidas contra aposentados e pensionistas, por meio de descontos indevidos em benefícios recebidos por esses inativos. Entre os alvos das denúncias estão políticos, banqueiros e outros empresários.
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O Careca do INSS consta como “principal operador” das fraudes. Além dele, o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro — preso preventivamente em Brasília — é denunciado por sete crimes, que incluem desde organização criminosa até lavagem de dinheiro.
Carlos Lupi é acusado por “omissão deliberada, prevaricação e blindagem política de agentes criminosos instalados na cúpula do INSS”, segundo o documento.
Já Zequinha Sarney teria se “beneficiado de repasses milionários de origem investigada” e “vinculado o patrimônio pessoal ao principal operador financeiro das entidades associativas fraudulentas”.
O senador Weverton Rocha (PDT-MA) também está entre os mencionados para indiciamento. O relator o acusa de ter “atuação estratégica como liderança política e suporte institucional da organização criminosa” que conduziu o esquema de descontos ilegais.
Lulinha
O empresário Fábio Luís Lula da Silva — filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) — é descrito como uma pessoa de “relação próxima ao Careca do INSS”. Para o relator da CPMI, Lulinha “teria atuado como facilitador de acesso e possível sócio oculto do lobista em empreendimentos cuja viabilidade dependia de decisões administrativas“.
Apesar de colocar Lulinha como alvo de pedido de indiciamento e de prisão preventiva, a CPMI do INSS não recebeu oficialmente informações ligadas à quebra de sigilo bancário ou fiscal do filho do presidente Lula. Parlamentares tentaram conseguir que ele prestasse depoimento, mas o pedido não chegou a ser aprovado.
Para Marco Aurélio de Carvalho, advogado do Lulinha, a recomendação de indiciamento só revela o “caráter eleitoral da atuação do relator” e “vulgariza a nobre função de fiscalizar, delegada de forma atípica pela Constituição Federal ao Parlamento brasileiro”.
“Não há um único elemento nos autos que justifique ou fundamente a referida sugestão. Se não fosse trágico, seria cômico. Fábio não tem relação direta ou indireta com os fatos investigados na CPMI do INSS. O vazamento criminoso do sigilo bancário dele é um elemento que confirma o que a defesa tem dito desde o início”, criticou o advogado.
Na ala governista, o pedido de indiciamento do filho de Lula é visto como uma medida sem provas que a baseie. Além disso, nos bastidores, o relatório elaborado por Alfredo Gaspar é considerado uma peça sem apoio de parlamentares e com risco de não ser aprovada pela comissão.
A empresária Roberta Luschinger, apontada como amiga de Lulinha, está entre os alvos de indiciamento. O relatório da CPMI afirma que ela teve “atuação estratégica no núcleo político da organização criminosa liderada por Antônio Carlos Camilo Antunes” e que foi “peça essencial para a ocultação de patrimônio e circulação de recursos ilícitos”.
Posicionamentos
Por meio de nota, o senador Weverton Rocha afirmou que não há qualquer elemento capaz de justificar a inclusão do nome dele no documento e que existem “fragilidades gritantes na investigação”. “Não há qualquer ato identificado que indique participação, facilitação ou integração em eventual estrutura criminosa nem o menor indício de recebimento de valores supostamente desviados”, criticou.
“Precários documentos sem identificação carecem de mínima validade jurídica. Planilhas sem qualquer verificação externa e anotações manuscritas apócrifas não sustentam imputações de natureza penal. É pura irresponsabilidade de inspiração lavajatista”, comparou o senador.
“Da mesma forma, depoimentos indiretos forçados, baseados em relatos de terceiros de reputação duvidosa, não se prestam como prova. Não há registro de participação minha em reuniões com entidades investigadas, nem traço de atuação institucional ou política voltada à viabilização dos fatos mencionados. É inequívoco, portanto, que não há causa para se levantar qualquer suspeição sobre mim. Ações em sentido contrário são mera ilação em linguagem elegante. Em política, é arma de baixíssimo calibre para atingir adversários”, completou o parlamentar.
A defesa de Daniel Vorcaro afirmou que não se manifestará sobre o tema.
O R7 tenta contato com as defesas dos mencionados nesta reportagem. O espaço está aberto para eventuais manifestações.
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