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Dino manda PF investigar suspeitas de desvios de R$ 55,4 milhões em ‘Emendas Pix’

Decisão foi tomada após o TCU (Tribunal de Contas da União) identificar irregularidades na indicação das emendas

Brasília|Gabriela Coelho, do R7, em BrasíliaOpens in new window

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Flávio Dino, ministro do STF, ordena investigação da Polícia Federal sobre suspeitas de desvios em "Emendas Pix".
  • TCU identifica irregularidades em transferências especiais, com prejuízo de R$ 55,4 milhões aos cofres públicos.
  • Fraudes incluem licitações fraudulentas, obras não realizadas e contratação de empresas inidôneas.
  • Câmara dos Deputados, Senado e AGU são intimados a esclarecer o déficit de rastreabilidade em 10 dias úteis.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Ministro Flávio Dino
Dino enviou relatório do TCU à Polícia Federal Luiz Silveira/STF - 16.4.2026

O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Flávio Dino determinou nesta sexta-feira (7) que a Polícia Federal investigue possíveis crimes relacionados às chamadas “Emendas Pix”. A decisão foi tomada após o TCU (Tribunal de Contas da União) identificar irregularidades e apontar um prejuízo de ao menos R$ 55,4 milhões aos cofres públicos.

Entre os problemas apontados pelo TCU estão fraudes em licitações, obras não executadas, desvios de finalidade na aplicação dos recursos e contratação de empresas consideradas inidôneas.


O ministro também determinou que o MGI (Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos) apresente, em 10 dias úteis, as medidas técnicas para corrigir definitivamente as brechas do sistema.

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O TCU auditou 100 transferências especiais destinadas a 74 municípios e estados, somando R$ 198,1 milhões em recursos fiscalizados. A auditoria revelou que as irregularidades resultaram em um prejuízo direto de R$ 55,4 milhões ao erário (mais de 28% do total auditado).


Os principais achados do TCU foram divididos em 4 categorias:

  • Comprometimento da transparência e rastreabilidade (prejuízo de R$ 26,36 milhões): uso de contas correntes não específicas (“contas de passagem”) e ausência de relatórios de gestão no sistema Transferegov.br;
  • Execução financeira irregular (prejuízo de R$ 14,95 milhões): pagamento de despesas sem nota fiscal/comprovação idônea, uso de dinheiro público em finalidades estranhas à emenda e falta de comprovação física dos bens entregues;

  • Fraudes em licitações: licitações forjadas, simulação de concorrência e contratação de empresas declaradas inidôneas;
  • Execução física e contratual (prejuízo de R$ 14,1 milhões): inexecução parcial ou total de obras/serviços e superfaturamento de preços.


O ministro afirmou que o relatório apontou fragilidades gravíssimas no sistema oficial do governo federal (Transferegov.br), tais como aceitação de planos de trabalho sem detalhamento do objeto, alteração irrestrita de valores/metas e saldos bancários defasados.


“Os dados apresentados pelo TCU demonstram a persistência de um estado de inconstitucionalidade, o qual justifica a necessidade de adoção de novas medidas para a conformação da execução das ‘emendas individuais’ aos parâmetros constitucionais de transparência e rastreabilidade”, disse Dino.

Denúncias de entidades

A decisão acatou denúncias de entidades de controle social, Contas Abertas, Transparência Brasil e Transparência Internacional-Brasil, que mostraram como o Congresso tem burlado a lei.


Segundo as entidades, emendas de comissão (que deveriam ser para grandes obras nacionais/regionais) foram fatiadas em milhares de repasses minúsculos locais. Na LOA (Lei Orçamentária Anual) de 2025, foram 16.646 indicações (R$ 11,7 bilhões), sendo 1.606 com valores menores que R$ 100 mil.


Além disso, foram identificadas indicações feitas por líderes partidários para ocultar o nome real do deputado ou senador beneficiado. Foram 1.341 indicações em 2025 (R$ 1,26 bilhão), prática mantida em 2026.

Além disso, segundo a decisão, códigos criados pelo Congresso somem quando o dinheiro entra nos sistemas de monitoramento da aplicação das emendas, impedindo saber o destino final do empenho.


Dino determinou a intimação da Câmara dos Deputados, do Senado e da AGU (Advocacia-Geral da União) para prestarem esclarecimentos sobre o “déficit de rastreabilidade” no prazo de 10 dias úteis.

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