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Diplomatas temem ‘faxina’ de Eduardo Bolsonaro e avaliam antecipar aposentadoria

Durante a gestão de Jair Bolsonaro, Eduardo mantinha forte influência sobre o Itamaraty, sendo apelidado de ‘chanceler paralelo’

Brasília|Giovana Cardoso, do R7, em Brasília

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Diplomatas brasileiros temem uma "faxina" no Itamaraty em um possível governo de Flávio Bolsonaro, com ameaças de Eduardo Bolsonaro a servidores considerados adversários.
  • Alguns diplomatas optaram por aposentadoria antecipada devido ao clima de intimidação, com relatos de ameaças graves, incluindo ameaças de morte.
  • Eduardo Bolsonaro ameaçou embaixadores que apoiam o governo Lula e criticou a atual estrutura do Itamaraty, prometendo reformas e meritocracia.
  • Durante o governo de Jair Bolsonaro, Eduardo teve forte influência no Itamaraty, sendo chamado de "chanceler paralelo", apesar de não ter formação em relações internacionais.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Eduardo Bolsonaro, Brazil's former President Jair Bolsonaro's son attends the red carpet during the Hispanic Heritage Gala in Washington, DC, US, October 14, 2026. REUTERS/Tierney L. Cross
Eduardo Bolsonaro ameaçou servidores do Itamaraty nas redes sociais Tierney L. Cross/Reuters - 14.10.2026

Diplomatas brasileiros demonstram preocupação e temem uma “faxina” no Itamaraty em um eventual governo de Flávio Bolsonaro (PL). Fontes ouvidas pelo R7 relatam ameaças do ex-deputado Eduardo Bolsonaro, irmão do senador, a servidores da carreira diplomática que teriam “prejudicado” o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Segundo interlocutores ligados ao Itamaraty, alguns diplomatas chegaram a pedir aposentadoria antecipada em meio ao clima de intimidação. Em um dos episódios relatados, um embaixador foi ameaçado de morte por causa de um caso envolvendo um político bolsonarista.

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Entre 28 de setembro e 9 de outubro, o Ministério das Relações Exteriores publicou três aposentadorias voluntárias. Entretanto, não há confirmação de que as decisões estejam ligadas ao receio dos integrantes da pasta em caso de vitória de Flávio no segundo turno.

No início de outubro, Eduardo fez uma publicação nas redes sociais ameaçando enviar a embaixadora Vanessa Dolce de Faria para países autoritários em uma possível vitória de Flávio. A fala foi feita após uma publicação da servidora em apoio a Lula em seu perfil pessoal.

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Em outro momento, o ex-deputado afirmou ter identificado embaixadores favoráveis ao governo Lula e ameaçou puni-los caso o irmão assuma a Presidência.

“Eu tive o trabalho pessoal de mapear todos os embaixadores e diplomatas do MRE. Quem saiu de tal posto foi para outro país. Quem é que o Lula, logo no começo da transição, pediu para que arrumasse as malas às pressas, dando uma semana de prazo para certos embaixadores saírem de determinados países e retornarem ao Brasil”, disse Eduardo em um vídeo.

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Dez dias depois, Eduardo compartilhou um post inicialmente publicado pelo influenciador Paulo Figueiredo, aliado da família Bolsonaro nos Estados Unidos. A imagem mostrava o embaixador do Brasil em Roma, Renato Mosca, e uma publicação feita por ele em apoio a Lula em uma rede social. “Embaixador do Brasil na Itália fazendo campanha para Lula. Depois dizem que eu sou ameaça ao Itamaraty”, escreveu.

Paulo Figueiredo, neto do ditador João Figueiredo, chegou a ameaçar enviar o embaixador para Burkina Faso, país africano governado por um regime ditatorial.

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Críticas ao Itamaraty

Além das ameaças, o perfil de Eduardo nas redes sociais reúne críticas à atual estrutura do Itamaraty. Em uma das publicações, ele defende que o diplomata assista “calado” no governo e afirma que o “Itamaraty voltará a ter uma agenda só: o Brasil”.

As promessas de uma futura “reforma” são feitas desde maio nas redes sociais. Ao lado de Paulo Figueiredo, Eduardo tem dito que o Ministério das Relações Exteriores é “incompetente” e que a remoção de embaixadores não resolveria os problemas da pasta.

“O Itamaraty terá um especial olhar comercial e uma meritocracia para acabar com a bajulação dos lotados em Brasília, que sempre são os promovidos, bem como elevar a importância dos cargos de menor escalão. A ideologia será guardada no armário e entrará em campo um verdadeiro pragmatismo”, escreveu Eduardo em uma publicação.

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“Chanceler paralelo”

Entre 2018 e 2022, durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro, Eduardo ficou conhecido como “chanceler paralelo”. Apesar de o filho não ter cursado relações internacionais, Bolsonaro cogitou indicá-lo para o cargo de embaixador do Brasil nos Estados Unidos, mas não oficializou a medida.

Em entrevista à TV Globo na semana passada, Flávio afirmou que Eduardo não será ministro das Relações Exteriores em um eventual governo dele, mas chamou o irmão de “craque em relações internacionais”.

A política externa de Jair Bolsonaro rompeu com a tradição diplomática brasileira. O internacionalista e coordenador de políticas públicas do Livres, associação civil e movimento político-social brasileiro, Rafael Moredo, relembra que o período foi marcado por uma afinidade ideológica com o governo de Donald Trump e o questionamento do multilateralismo.

“O saldo é de um país que chegou a 2023 com menos prestígio multilateral, relações bilaterais com vizinhos deterioradas e uma reputação ambiental que levou anos para começar a ser reconstruída. Mas substituir o pragmatismo por ideologia, seja de qual espectro for, tem custos reais para os interesses nacionais”, completou.

Ao R7, um diplomata aposentado, que preferiu não se identificar, relembrou a influência do ex-deputado no Itamaraty durante a gestão Bolsonaro. Segundo esse diplomata, o então ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, mantinha uma postura de submissão a Eduardo Bolsonaro.

Após a saída de Araújo, Carlos França assumiu o ministério e buscou afastá-lo da influência de Eduardo. O diplomata aposentado ouvido pela reportagem disse que França não mantinha contatos operacionais com o ex-deputado nem recebia ordens dele. De acordo com a fonte, o então chanceler “evitou contaminar o Itamaraty com ações antidiplomáticas”.

O diplomata avalia que a política externa do governo de Jair Bolsonaro foi marcada pelo abandono das diretrizes de autonomia e pragmatismo em favor de uma submissão ideológica à direita americana.

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