Flávio Bolsonaro não descarta cargo para o pai e diz que Eduardo não será chanceler
Candidato do PL afirmou que Jair Bolsonaro ‘nunca tratou de cargo’ com ele, mas não respondeu se o nomearia em eventual governo
2026|Do R7
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O senador e candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, afirmou nesta sexta-feira (16) que o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, nunca conversou com ele sobre ocupar um cargo em um eventual governo. Perguntado duas vezes se pretende nomeá-lo, porém, o senador não respondeu.
Flávio também disse que o irmão, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, não será ministro das Relações Exteriores caso ele vença a eleição.
Em entrevista à TV Globo, a pergunta sobre o pai foi feita em um contexto em que se falava das movimentações no Judiciário para tentar anular ainda neste ano a condenação do ex-presidente.
Jair Bolsonaro foi condenado pelo STF (Supremo Tribunal Federal) a 27 anos e 3 meses de prisão por tentativa de golpe de Estado. Antes de responder, Flávio chamou o julgamento de “farsa” e disse que o pai foi julgado por inimigos.
“O presidente Bolsonaro nunca tratou de cargo comigo, nunca sugeriu que gostaria de trabalhar no governo”, afirmou.
O senador acrescentou que considera um privilégio poder consultar um ex-presidente dentro de casa. Questionado de novo se daria um cargo ao pai, repetiu que “ele nunca tratou disso” com ele.
Eduardo Bolsonaro
Sobre Eduardo Bolsonaro, recentemente Flávio o chamou de “craque em relações internacionais”. Dias atrás, o próprio Eduardo disse que as nomeações de ministros passariam pelo pai.
“Não, ele [Eduardo Bolsonaro] não vai ser meu chanceler”, respondeu o candidato.
Flávio defendeu o irmão, a quem chamou de “perseguido político”, e elogiou a rede de contatos de Eduardo com lideranças conservadoras no exterior. Segundo ele, ser chanceler “é um outro assunto”.
Eduardo, que mora nos Estados Unidos desde 2025, foi condenado pelo STF em junho por articular sanções do governo americano contra integrantes da Corte.
Mandato único
O candidato afirmou que não vai disputar a reeleição, mesmo que o Congresso não aprove a proposta de emenda à Constituição (PEC) que ele apresentou para acabar com a recondução de presidentes. Flávio, no entanto, não disse por quanto tempo pretende governar. Ele já havia levantado a possibilidade de ampliar o mandato de quatro para cinco anos.
“Eu só preciso de um mandato. Eu só quero um mandato pra começar a consertar o nosso país de verdade”, disse. Segundo o senador, a duração do mandato será definida pelos deputados e senadores durante a tramitação.
De acordo com o candidato, a proibição alcança também parentes até o terceiro grau. Ele disse que não apoiaria uma mudança que permitisse ao pai ou aos irmãos disputar sua sucessão.
Salário mínimo e aposentadorias
Na pauta de economia, Flávio Bolsonaro disse que vai manter os reajustes do salário mínimo acima da inflação. Também negou que pretenda desvincular a correção das aposentadorias do reajuste do mínimo e que vá mudar a Constituição para acabar com os pisos de gastos em saúde e educação.
Lembrado que, segundo economistas, inclusive apoiadores do candidato, sem mexer em despesas discricionárias não seria possível chegar ao ajuste de R$ 200 bilhões que a equipe dele promete ao mercado. Flávio respondeu de forma genérica com uma lista de cortes e novas receitas, algumas delas inclusive prometidas e não cumpridas pelo pai, como a venda de imóveis de União.
“Eu quero aqui assumir o compromisso. Eu não vou fazer economia com as pessoas que mais precisam do governo, as pessoas mais pobres”, afirmou.
Escala 6x1
Sobre a mudança de posição em relação ao fim da escala 6x1, ele disse que não gostava do projeto, mas que decidiu votar pelo fim da escala ao ouvir os trabalhadores.
“Eu rodei o Brasil inteiro, eu ouvi muitos trabalhadores e eu votei conforme o que eu ouvi nas ruas”, justificou. Segundo ele, a maioria dos trabalhadores era favorável ao fim da escala.
Armas
Sobre segurança pública, o candidato não respondeu se apoia o fim da marcação de munições, medida que, segundo especialistas em segurança, dificulta a investigação de crimes e o rastreamento de armas legais desviadas para o crime organizado.
Flávio Bolsonaro atribuiu a entrada de armas de guerra no país à falta de fiscalização nas fronteiras e disse que a questão das munições “é muito menor ante o problema do Brasil”.
Confrontado com uma pesquisa Quaest de setembro segundo a qual a maioria dos brasileiros acredita que limitar o acesso a armas melhora a segurança, Flávio defendeu a posse por quem cumprir os requisitos legais.
Ele afirmou que a taxa de homicídios caiu 17% no primeiro ano do governo do pai, período com recorde de registros de CACs (caçadores, atiradores e colecionadores). “Ninguém tá defendendo bangue-bangue, não é isso que vai resolver o problema da segurança pública”, disse.
Sobre a revogação do Estatuto do Desarmamento, medida defendida por deputados ligados à sua campanha, o senador disse que a lei precisa ser “melhorada”.
“Hoje, o Estatuto do Desarmamento proíbe o cidadão de se defender e autoriza os marginais a comprarem armas de guerra, porque não tem fiscalização nenhuma”, afirmou.
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