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Eduardo Leite renuncia ao Governo do Rio Grande do Sul

'Vou renunciar ao poder para não renunciar à política', disse Leite, durante entrevista coletiva no Palácio Piratini

Brasília|Bruna Lima, do R7, em Brasília

Eduardo Leite e João Doria
Eduardo Leite e João Doria Eduardo Leite e João Doria

"Vou renunciar ao poder para não renunciar à política." Assim o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB), anunciou, nesta segunda-feira (28), que deixará a gestão gaúcha para se dedicar às eleições de 2022. Em um vídeo divulgado durante entrevista coletiva no Palácio Piratini, sede do Poder Executivo do RS, Leite confirmou que ficará no PSDB, mas não cravou em qual candidatura pretende se empenhar

Afirmando que a lei eleitoral determina a abdicação do cargo para concorrer, Leite disse que a decisão foi fruto de muita conversa com diferentes lideranças políticas e setores da sociedade. O ainda governador disse estar convicto da medida, que traz "disponibilidade e liberdade" para realizar as movimentações eleitorais "em qualquer direção necessária, no Brasil ou no Rio Grande do Sul".

Além de anunciar a renúncia, Leite disse que a data de hoje marca o "dia do fico", confirmando que não vai se filiar ao PSD, embora o partido lhe tenha dado carta branca para concorrer à Presidência da República pela legenda. "O PSDB é importante na minha vida e na vida do meu país. Nós temos identificação na forma de enxergar a política e o Brasil, ainda que com diferenças normais, como em qualquer relação saudável."

Leite afirmou que a carta em que lideranças tucanas pedem a ele que permaneça no partido o sensibilizou. A decisão ainda foi influenciada pelos pais do governador, "dois tucanos de longa data", como definiu o próprio político. 

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A transferência oficial do cargo para o vice-governador Ranolfo Vieira, no entanto, só deve ocorrer na quinta-feira (31). Ao lado de Vieira, o ainda governador disse estar "absolutamente tranquilo" em passar a liderança para o vice. "O jogo continua sob a condução desse novo comandante."

Discussão interna

A decisão, no entanto, traz um impasse em relação ao candidato à Presidência que o partido vai lançar. "A renúncia me abre muitas possibilidades e não me retira nenhuma", disse Leite, sugerindo que não desistiu da vaga para cedê-la ao colega de partido João Doria, governador de São Paulo. O tucano paulista, no entanto, declarou que não pretende abdicar da candidatura, evocando as prévias que o indicaram para concorrer ao Planalto

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"O entendimento de todas as partes é de que não é sobre seu projeto pessoal, por mais legítimo que seja. Não é sobre as prévias, sobre o partido. É sobre o Brasil", rebateu Leite, mesmo dizendo respeitar as prévias. Ele citou uma declaração de Doria de 22 de fevereiro, em que o líder paulista levantou a possibilidade de negociar, caso o caminho levantado seja o melhor para o país. "Estamos com o mesmo sentimento de servir ao Brasil e viabilizar uma alternativa", completou Leite, afirmando ter falado com Doria nesta segunda, em uma "conversa amistosa". 

Eu me sinto preparado%2C me sinto em condições%2C tenho vontade e disposição para ser%2C sim%2C presidente%2C mas ninguém é presidente pela sua mera vontade pessoal. Uma candidatura à Presidência tem que ser construída coletivamente%2C e estarei me apresentando%2C se entenderem que nessa posição eu possa colaborar. Senão%2C eu estarei ajudando em qualquer outra posição%2C para ajudar o Brasil a encontrar um caminho alternativo

(Eduardo Leite)

O PSDB tem como proposta conseguir lançar um único candidato à Presidência ao lado do MDB e da União Brasil, fusão entre DEM e PSL. Leite se reinsere como mais uma peça de discussão, que conta com Doria e Simone Tebet (MDB-MS) na disputa. A União também declara a intenção de lançar o próprio candidato, e, mais para a frente, a ideia é chegar ao consenso de um único nome para representar a intitulada terceira via. 

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"Estaremos diante de uma discussão que envolve outros partidos políticos, que envolve a formação desse consórcio de partidos, de forças que vão se alinhando, buscando um caminho comum", declarou Leite, em defesa da terceira via. O ainda governador do RS garantiu que o objetivo é unir forças, e não o contrário. 

Nos próximos dias, Leite pretende iniciar uma viagem pelo Brasil, com o objetivo de sensibilizar a população quanto às propostas da terceira via. "A oportunidade de uma eleição não pode ser desperdiçada com votos movidos por ser contra um, contra o outro ou contra os dois. A gente precisa ser a favor do Brasil, do futuro."

O pretendido apoio à terceira via por parte do PSD também foi aventado por Leite. Mesmo tendo recusado se filiar ao partido e sabendo da intenção da legenda de lançar o próprio candidato, Leite acredita em uma união em prol de um objetivo comum. "Teremos oportunidade de construir convergência entre os partidos, respeitando as aspirações de cada um. É legítimo que cada um queira ser protagonista. No momento em que a política exigir, que possamos buscar convergência, entendendo quem melhor pode representar a viabilidade de uma alternativa para o Brasil."

Leite agradeceu ao presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, pela confiança depositada, pela oferta de liderar o programa partidário e pela compreensão do político quanto à recusa ao convite para integrar o partido. Mais cedo, Kassab cumprimentou Leite e ressaltou que a legenda, agora, começará a discutir um novo nome para a candidatura ao Planalto

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