Entidade convoca candidatos a apresentar propostas contra violência infantil
Unicef defende que pensar em ações apenas de segurança pública não é suficiente para tratar de tema multifatorial e naturalizado

O Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância, na sigla em inglês) quer aproveitar as eleições deste ano para pautar o tema da violência à criança e ao adolescente. O Fundo pretende sensibilizar candidatos ao Legislativo e Executivo sobre o tema e mobilizar a sociedade para a importância de medidas concretas. Conforme mostrado pelo R7 Planalto, seis crianças e adolescentes morrem por dia.
O representante do Unicef no Brasil, Joaquin Gonzales-Aleman, defende que neste momento em que o país está pensando nos candidatos, é importante compartilhar dados e abordar a seriedade do tema. “Isso é importante para as pessoas compreenderem a dimensão do problema e pautarem isso em reformas estruturais”, afirmou.
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Mas as ações reivindicadas pelo Unicef não são apenas de segurança pública. Na avaliação da representante adjunta de Programas do Unicef, Layla Saad, respostas apenas da segurança pública são ações “preguiçosas”.
“Não podemos ter uma resposta apenas da segurança pública, porque essa resposta é preguiçosa. Esse tema precisa de uma visão mais lateral de todas as violências que acontecem e que impactam a sociedade. Por isso, esse é o momento de colocar pressão”, avalia.
Para combater a violência fora de casa, que afeta principalmente adolescentes negros em contexto urbano, o Unicef defende a criação de uma Política Nacional de Prevenção de Violência contra Adolescentes. A pauta foi apresentada ao governo.
Outro pedido do Fundo, que envolve também o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, é pela transparência dos dados.
“Sobretudo dos governos estaduais. Os candidatos precisam entender a importância dessa transparência e uniformização. Quando a gente solicita dados, muitas vezes eles não querem divulgar porque não vão sair bem na foto. E temos essa resistência em todos os governos de todos os espectros”, conta o coordenador de Infância e Juventude do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Cauê Martins.
O especialista pondera, no entanto, que “é necessário que eles entendam que para a produção de uma política pública de enfrentamento a situação de violência contra crianças e adolescente é preciso ter evidências, e a transparência é fundamental para isso”.
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