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Farra das emendas: Dino cobra instituições e critica indicações feitas por ex-parlamentares

Ministro deu até 30 dias para o governo se manifestar sobre verbas da saúde; medida ocorre dias após o bloqueio de bens de políticos

Brasília|Bruna Pauxis, do R7, em Brasília

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Ministro Flávio Dino cobra transparência na destinação de emendas parlamentares e critica indicações feitas por ex-parlamentares.
  • Investigações da Operação Transparência apontam suposto esquema de desvio de verbas liderado por Valdemar Costa Neto na Câmara dos Deputados.
  • Dino determina suspensão de emendas indicadas por Costa Neto e bloqueio de seus bens, destacando a ilegalidade de ex-parlamentares controlarem recursos públicos.
  • Defesa de Costa Neto nega envolvimento em esquema criminoso e critica decisão do ministro como baseada em "premissas frágeis".

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Flávio Dino
Dino ressalta que cabe apenas a parlamentares em exercício a indicação de emendas Luiz Silveira/STF - 25.2.2026

Em despacho publicado nesta terça-feira (14), o ministro Flávio Dino, do STF (Supremo Tribunal Federal), cobrou manifestações de órgãos públicos sobre a transparência na destinação de emendas parlamentares. Na decisão, o ministro também reiterou que a indicação desses recursos é prerrogativa exclusiva de parlamentares em exercício de mandato.

A decisão do ministro ocorre em meio aos desdobramentos da Operação Transparência, da Polícia Federal. A ação apura um suposto esquema paralelo de desvio de verbas públicas que seria encabeçado por Valdemar Costa Neto, presidente nacional do PL (Partido Liberal), na Câmara dos Deputados.

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“Assinalo que uma oligarquia parlamentar já seria um grave equívoco constitucional; ainda é pior quando um pequeno grupo se acha legitimado até mesmo para transferir a terceiros — que não são parlamentares — o controle sobre a alocação de recursos do Orçamento Geral da União”, apontou Dino no documento.

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Segundo o ministro, embora acordos partidários possam ser feitos, “jamais” podem implicar o descumprimento da Constituição Federal. “Seria normal que um parlamentar atendesse a uma sugestão eventual de um aliado político, mas é totalmente anômalo que ex-parlamentares mantenham cotas orçamentárias informais e, diretamente, transmitam ordens para funcionários da Casa Parlamentar”, emendou o magistrado.

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“As prerrogativas inerentes ao mandato parlamentar não constituem posições jurídicas livremente disponíveis por seus titulares e, por isso, não podem ser delegadas, cedidas ou informalmente transferidas a terceiros, sob pena de afronta aos princípios da indisponibilidade do interesse público e do patrimônio público”, ressaltou.

O que os órgãos devem fazer

O ministro estipulou, no documento, as seguintes providências:

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- O Ministro da Saúde, os presidentes do Conass (Conselho Nacional de Secretários de Saúde) e do Conasems (Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde) e as Comissões de Saúde do Senado e da Câmara têm 30 dias para se manifestar sobre o relatório do Denasus (Departamento Nacional de Auditoria do Sistema Único de Saúde), que apontou irregularidades no uso de verbas federais da saúde.

- AGU (Advocacia-Geral da União) deve apresentar, em até 30 dias, um relatório acerca do grupo de trabalho responsável por aprimorar a responsabilização civil e administrativa dos agentes vinculados às irregularidades identificadas nos relatórios da CGU;

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- O Tesouro Nacional tem até 15 dias para expor um relatório sobre a viabilidade técnica da criação de códigos e padrões contábeis que permitam identificar os lançamentos relativos a recursos oriundos de emendas parlamentares.

Câmara ‘paralela’

Na sexta-feira (10), Dino determinou a suspensão de emendas parlamentares que teriam sido indicadas irregularmente por Valdemar Costa Neto e o bloqueio de bens do ex-parlamentar.

De acordo com a corporação, o liberal, que não exerce mandato eletivo, seria líder de uma estrutura informal na Câmara, que teria movimentado R$ 119.216.703,15 entre junho de 2024 e março de 2026, conforme seus interesses políticos e privados.

As apurações policiais indicam que deputados federais eram falsamente apontados como “solicitantes” das indicações de Costa Neto, para garantir legalidade ao processo. Essas indicações, por sua vez, eram listadas em planilhas e encaminhadas aos ministérios responsáveis por programas.

Valdemar nega crimes

A defesa do presidente do PL fez uma manifestação sobre as alegações, afirmando que recebeu “com surpresa” a decisão do ministro e negou “categoricamente a prática de qualquer crime”, sustentando que não há provas ou indícios de que ele tenha participado conscientemente de um esquema criminoso.

Em nota, os advogados Marcelo Luiz Ávila de Bessa e Thiago Lôbo Fleury declararam que a determinação se baseia em “premissas frágeis, inferências subjetivas e em uma indevida criminalização da atividade político-partidária”.

Bloqueio contra Cunha

No último sábado (12), o STF publicou outra decisão do ministro Flávio Dino — desta vez, determinando o , ex-presidente da Câmara. Segundo investigações da Polícia Federal, o político definia a destinação de emendas parlamentares mesmo sem mandato eletivo.

Procurada, a defesa de Cunha negou irregularidades. “Eduardo Cunha desconhece qualquer irregularidade na tramitação das emendas. Cabe ressaltar que a própria PGR considerou prematuro o bloqueio das contas de Eduardo Cunha [...] Sua defesa rejeita a tentativa de equiparar automaticamente a legítima interlocução política ao exercício clandestino de mandato parlamentar.”

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