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Governo repudia decisão dos EUA de revogar visto de embaixadora: ‘Justificativas falsas’

Em nota, Planalto afirma que medida faz parte de uma ‘escalada deliberada de medidas hostis’ contra o Brasil

Brasília|Mariana Saraiva, do R7, em Brasília

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • O governo brasileiro repudiou o cancelamento do visto da embaixadora Maria Luiza Viotti pelos EUA, classificando como hostilidade ideológica.
  • A decisão ocorreu após o Brasil não conceder o agrément ao diplomata Daniel Perez, indicado por Donald Trump.
  • O Brasil contesta as justificativas dos EUA e critica a divulgação prematura do nome do diplomata.
  • O governo brasileiro vê a ação como parte de um movimento maior de deterioração das relações bilaterais e reafirma seu compromisso com o diálogo.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Maria Luiza Viotti teve o visto cancelado pelos EUA Jefferson Rudy/Agência Senado- 10.05.2023

O governo brasileiro repudiou, nesta terça-feira (4), a decisão dos Estados Unidos de cancelar o visto da embaixadora do Brasil em Washington, Maria Luiza Viotti. Em nota oficial, o Palácio do Planalto classificou a medida como parte de uma “escalada deliberada de medidas hostis ao Brasil” e afirmou que ela é motivada por “razões ideológicas incompatíveis com uma parceria bilateral que sempre foi pautada pelo respeito mútuo”.

A revogação do visto ocorreu após o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não conceder o agrément ao diplomata Daniel Perez, indicado pelo presidente Donald Trump para assumir a embaixada norte-americana em Brasília. O agrément é a autorização formal do país anfitrião para que um embaixador estrangeiro exerça a função.


Na nota, o governo afirma que as justificativas apresentadas pela Casa Branca são “falsas” e sustenta que o processo de concessão do agrément é sigiloso, conforme prevê a Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas.

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“O processo de concessão de agrément é confidencial e o nome designado só deveria vir a público depois de concedida a anuência”, diz o comunicado. O governo brasileiro também argumenta que os Estados Unidos anunciaram publicamente o nome do indicado antes mesmo de encaminhar o pedido formal ao Brasil.


O Planalto ainda rebate a alegação de demora na análise do pedido. Segundo o governo, “não há regra na Convenção de Viena estipulando prazo para a concessão de agrément” e a solicitação norte-americana “ainda se encontra em análise”.

A nota também aborda a negativa de vistos de entrada no Brasil a dois integrantes do governo dos Estados Unidos. De acordo com o Executivo, ambos planejavam visitar o país “para colocar em dúvida a integridade do sistema eleitoral brasileiro, em tentativa inaceitável de interferir no processo político nacional”.


Relações bilaterais deterioradas

O governo relembra ainda que seguem em vigor sanções impostas pelos Estados Unidos a autoridades brasileiras, incluindo ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) e integrantes do primeiro escalão do Executivo, sob a justificativa de perseguição política ao ex-presidente Jair Bolsonaro.

O comunicado destaca ainda que o presidente Lula chegou a solicitar a Donald Trump a revogação dessas medidas durante visita a Washington, em maio deste ano.


Na avaliação do governo brasileiro, a decisão anunciada nesta terça “não é um fato isolado” e integra um movimento mais amplo de deterioração das relações bilaterais. O Planalto também afirma que “fica óbvio o interesse descabido de interferir na próxima eleição para presidente”.

Ao final da nota, o governo reafirma que “se opõe à lógica de confrontação” e reitera o compromisso com “o diálogo e a negociação em todas as suas relações internacionais”.

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