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Inadimplência e juros preocupam empresários brasileiros em meio à instabilidade econômica

Níveis de confiança também entram na lista, e podem acenar para um crescimento artificial

Brasília|Do R7, em Brasília

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RESUMO DA NOTÍCIA

  • A inadimplência e a falta de confiança dos consumidores preocupam empresários brasileiros.
  • 7,2 milhões de empresas estão inadimplentes, representando 31,6% dos negócios ativos no país.
  • A recente redução da taxa de desemprego não é acompanhada por aumento na confiança do consumidor.
  • Tarifas dos EUA podem afetar exportações e gerar incertezas, comprometendo a economia brasileira.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Assessor econômico da FecomercioSP diz que tarifaço atingirá comércio a médio prazo
Assessor econômico da FecomercioSP diz que tarifaço atingirá comércio a médio prazo Tomaz Silva/Agência Brasil/Arquivo

Um cenário de incertezas define o momento vivido por comerciantes e prestadores de serviços no Brasil. Apesar de avanços importantes, como a redução da taxa de desemprego e a retirada do país do Mapa da Fome da ONU (Organização das Nações Unidas), muitas empresas enfrentam dificuldades operacionais e financeiras.

Segundo o assessor econômico da FecomercioSP (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo), Fabio Pina, embora as tensões comerciais com os Estados Unidos preocupem, as principais barreiras enfrentadas por pequenos e médios empresários no país hoje são a inadimplência, a escassez de capital de giro e a queda na confiança do consumidor.


“A preocupação está no campo microeconômico. É claro que inflação decorre do desequilíbrio fiscal, mas o que realmente aflige os negócios são questões internas”, afirmou.

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Com base em dados da Serasa Experian, a FecomercioSP apontou que o número de empresas com dívidas alcançou 7,2 milhões, o que representa 31,6% dos negócios ativos no Brasil.


Na avaliação de Pina, o governo também contribui para o cenário adverso, principalmente pela ausência de reformas estruturais.

“Reduzir o déficit público significa cortar gastos, não elevar tributos. Há décadas, os ajustes recaem sobre o contribuinte, seja por aumento de impostos, elevação da dívida ou inflação. Não se mexe nas despesas do Estado”, analisou.


Confiança em risco

Nesta quinta-feira (31), o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgou que a taxa de desemprego no trimestre entre abril e junho chegou a 5,8%, o menor nível da série histórica.

O índice representa queda de 1,2 ponto percentual em relação ao trimestre anterior (7%) e recuo de 1,1 ponto em comparação ao mesmo período de 2024 (6,9%).


Apesar do avanço no emprego, que tende a gerar mais renda e impulsionar o consumo, Fabio Pina observa que os índices de confiança seguem estagnados.

“Há uma percepção de que parte do crescimento econômico e do consumo é insustentável. O gasto público elevado pressiona os preços e compromete o equilíbrio fiscal no médio e longo prazo.”

Para o presidente do IUB (Instituto Unidos Brasil), Nabil Sahyoun, o recente aumento de tarifas por parte dos Estados Unidos também gera impacto negativo.

“Essa medida não atinge apenas as exportações. Ela afeta diretamente a confiança dos empresários, alimenta o clima de instabilidade e faz com que muitas empresas fiquem apreensivas. Perder mercado agora pode significar anos para reconquistar espaço”, alertou.

Tarifas elevadas preocupam

O decreto assinado nesta quarta-feira (30) pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, impôs tarifa de 50% a uma série de produtos brasileiros. Apesar de conter 694 exceções, incluindo itens estratégicos como petróleo, aviões da Embraer e suco de laranja, o impacto sobre setores específicos é inevitável.

“Fechar a economia prejudica todos. O atual imbróglio internacional apenas intensifica o clima de incerteza”, avaliou Pina. De acordo com ele, os efeitos imediatos sobre o mercado interno devem ser limitados, mas, a depender da duração e da abrangência das tarifas, os danos a médio prazo podem ser relevantes, principalmente para exportadores e fornecedores integrados à cadeia internacional.

Sahyoun defendeu medidas de apoio fiscal e estímulo à geração de empregos. “É hora de pensar em incentivos, como redução de impostos ou subsídios para os setores mais afetados, além de programas voltados à preservação de postos de trabalho e estímulo à contratação, principalmente em períodos de crise”, concluiu.

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