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'Insanos' podiam não ter nem começado a guerra, diz Lula sobre trégua entre Israel e Hamas

Petista homenageou o embaixador da Palestina no Brasil e tem equiparado ações israelenses às dos terroristas; especialistas criticam

Brasília|Ana Isabel Mansur e Plínio Aguiar, do R7, em Brasília

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Lula elogiou trégua entre Israel e o Hamas
Lula elogiou trégua entre Israel e o Hamas

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) comentou, nesta quarta-feira (22), a trégua de quatro dias no confronto entre Israel e o grupo terrorista Hamas, anunciada na terça-feira (21). "Os insanos que fizeram a guerra resolvem fazer um pacto de quatro dias quando podiam não ter nem começado a guerra", declarou. O posicionamento de Lula de equiparar as ações de Israel às do Hamas tem potencial de trazer barreiras para a diplomacia nacional, avaliam especialistas ouvidos pelo R7 (veja abaixo).

Momentos antes, em discurso feito na cúpula virtual do G20, Lula afirmou esperar que a trégua pavimente o caminho para o fim da guerra e defendeu a atuação de países e organismos internacionais para "recolocar o mundo no caminho da paz e da prosperidade".


"Quero saudar o acordo anunciado hoje entre Israel e o Hamas, que envolve a libertação de reféns [mulheres e crianças] em troca de uma trégua temporária de quatro dias e da libertação de prisioneiros palestinos. Espero que esse acordo possa pavimentar o caminho para uma saída política e duradoura para esse conflito e para a retomada do processo de paz entre Israel e Palestina", afirmou.

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Condecoração criticada

Nesta terça-feira (21), Lula concedeu ao embaixador da Palestina no Brasil, Ibrahim Alzeben, a mais alta condecoração da Ordem de Rio Branco, a Grã-Cruz. A homenagem é concedida pelo governo brasileiro para distinguir pessoas físicas, jurídicas e entidades "pelos seus serviços ou méritos excepcionais".


Especialistas em ciência política e direito internacional ouvidos pelo R7 afirmam que a homenagem é inadequada e emite sinais dúbios da neutralidade do país em relação à guerra.

"São sinais confusos que o Brasil emite, não só para a comunidade internacional, mas especificamente para Israel, país com o qual temos, em princípio, boas e consistentes relações diplomáticas. O presidente escolhe dar uma honraria no momento mais inoportuno possível", diz a professora de direito internacional da Universidade de São Paulo (USP) Maristela Basso.

O analista político Gylwander Peres também afirma que não foi uma atitude diplomaticamente acertada do presidente da República. "O momento exige muita ponderação. Não foi uma atitude correta. O presidente brasileiro deveria ter comportamento mais diplomático — nem de um lado, nem de outro. Dessa forma, não deveria ter homenageado ninguém de ambos os lados, porque quando o faz parece que está com um olhar somente em uma das partes envolvidas na guerra", explica.

Falas podem dificultar novas repatriações

A avaliação de especialistas em relações internacionais ouvidos pelo R7 é de que as falas de Lula, classificadas de "equivocadas" e "extremamente infelizes e inoportunas", prejudicam a diplomacia brasileira, legitimam o Hamas e tiram a relevância do país para tentar mediar o conflito no Oriente Médio.

O diplomata e professor Paulo Roberto de Almeida afirma que Lula exerce uma "diplomacia ultrapessoal", que tende a se agravar neste terceiro mandato. "As diplomacias dos outros mandatos foram ou são exacerbadamente pessoais, ou recorrentemente personalistas, levando ao exagero a noção de diplomacia presidencial. O que temos atualmente é personalismo em estado puro, que beira a loucura nos improvisos destrambelhados, o que prejudica enormemente a diplomacia profissional", critica, completando que "Lula não tem conhecimento nem estatura de estadista para conduzir a diplomacia da nação".

Para a cientista política Denilde Holzhacker, o governo federal confere legitimidade ao Hamas com as falas de Lula e, se quisesse adotar tom crítico a Israel, poderia ter buscado outras formas, como fizeram alguns países que condenaram ações que atingiram civis. "Ao equiparar as ações, o governo legitima o Hamas e os atos terroristas. Além disso, as falas parecem atender muito mais aos grupos de esquerda no Brasil. Mesmo países como China e África do Sul, também críticos às ações israelenses, mantêm uma posição diferente da do Brasil. Essas falas do presidente Lula, o mesmo que aconteceu com a guerra entre Ucrânia e Rússia, prejudicam mais do que ajudam a credibilidade internacional do Brasil", completa.

Acordo no Oriente Médio

Durante a trégua, mulheres e crianças israelenses serão soltas, e, em troca, 300 prisioneiros palestinos devem deixar os presídios. Segundo a imprensa de Israel, o grupo deve começar a ser liberado nesta quinta-feira (23) e receberá atendimento médico assim que for entregue pelos terroristas.

Os sequestrados vão se encontrar com as famílias ainda no hospital. Durante os dias em que os ataques ficarão suspensos, Israel permitirá a entrada de comida, assistência médica e combustível em Gaza.

Cerca de 240 pessoas foram sequestradas pelo Hamas desde os ataques de 7 de outubro. As Forças de Defesa de Israel (FDI) realizaram ataques aéreos e incursões por terra para descobrir a localização dos reféns.

Até o momento, quatro pessoas foram soltas pelo Hamas — duas americanas e duas israelenses. Uma quinta refém, soldado do Exército de Israel, foi resgatada de Gaza.

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