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Mesmo antes de tarifaço, taxa de 10% imposta pelos EUA reduziu exportações de oito produtos brasileiros, diz entidade

Segundo levantamento da Amcham, celulose, máquinas e manufaturas de madeira foram os mais afetados

Brasília|Do R7, em Brasília

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RESUMO DA NOTÍCIA

  • A tarifa de 10% imposta pelos EUA já reduziu as exportações brasileiras em vários setores, incluindo celulose e máquinas.
  • A Amcham Brasil alerta para o risco de uma nova tarifa de 50% prejudicar ainda mais as exportações.
  • O comércio bilateral entre Brasil e EUA teve um superávit significativo para os EUA, mas as tarifas estão afetando setores estratégicos.
  • Especialistas recomendam diálogo para encontrar uma solução equilibrada, evitando retaliações que poderiam prejudicar ainda mais as relações comerciais.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Tarofas começam a valer no dia 1º de agosto, mas negociações tentam atrasar data Igor Do Vale/Altaphoto/Estadão Conteúdo - 18/07/2025

Mesmo antes da nova tarifa de 50% anunciada pelos Estados Unidos para produtos brasileiros, as exportações ao mercado norte-americano apresentam retração, reflexo da alíquota de 10% em vigor desde abril.

A informação consta em levantamento da Amcham Brasil (Câmara Americana de Comércio para o Brasil), que aponta queda nas vendas de setores estratégicos, apesar do bom desempenho geral do comércio exterior no primeiro semestre.

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Entre os dez principais produtos com queda nas exportações, oito integram a lista dos que sofrerão aumento tarifário. São eles: celulose (-14,9%), motores (-7,6%), máquinas e equipamentos (-23,6%), manufaturados de madeira (-14,0%) e autopeças (-5,6%).

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A Amcham defende uma mobilização diplomática entre os dois governos para alcançar uma solução “pragmática e equilibrada”.

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Segundo a entidade, os impactos sobre empregos, investimentos e cadeias produtivas exigem resposta pautada por diálogo, previsibilidade e racionalidade.

Abrão Neto, presidente da Câmara, destaca que o país está diante de um grave cenário, com potencial de inviabilizar boa parte das exportações brasileiras aos Estados Unidos, principalmente de bens industriais, trazendo prejuízos para ambas as economias.

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“O entendimento deve prevalecer, como sempre caracterizou as relações entre os dois países”, aponta.

O alerta surge mesmo diante de dados consolidados do comércio bilateral no primeiro semestre de 2025. O relatório indica superávit de US$ 1,7 bilhão para os Estados Unidos em relação ao Brasil — aumento de 500% frente ao mesmo período do ano anterior.

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Embora a corrente de comércio tenha crescido 7,7%, somando US$ 41,7 bilhões — o segundo maior valor da série histórica —, os efeitos das tarifas sobre setores-chave se tornam mais evidentes.

“Os dados confirmam a importância do comércio bilateral e reforçam a urgência de buscar uma solução racional frente à escalada tarifária prevista para os próximos meses”, acrescenta Abrão.

Setores em alerta

Entidades como a AEB (Associação de Comércio Exterior do Brasil) também demonstram preocupação com os efeitos da medida. Em nota, classificou a taxação como “ameaça não só aos exportadores, mas à economia nacional”.

Apesar da crítica, a AEB demonstra otimismo quanto à possibilidade de reversão: “Acreditamos que o bom senso prevalecerá”.

O presidente-executivo da associação, José Augusto de Castro, reforça que a iniciativa tem forte motivação política, embora provoque impacto direto na economia.

“É, sem dúvida, uma das maiores taxações já impostas a um país no comércio internacional, geralmente aplicadas a adversários históricos — o que nunca descreveu a relação com o Brasil. Além disso, o anúncio da Casa Branca pode afetar a imagem do país e inibir compradores estrangeiros. Quem quer correr o risco de se indispor com o presidente Trump?”, questiona.

O agronegócio brasileiro também entra no centro das preocupações. Segundo o Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP, as tarifas tendem a comprometer receitas, desestabilizar o mercado e pressionar os preços pagos ao produtor.

Produtos mais expostos às tarifas

  • Suco de laranja
  • Café
  • Carne bovina
  • Frutas frescas (manga e uva)

No caso do suco de laranja, há sensibilidade elevada. Hoje, já existe uma tarifa fixa de US$ 415 por tonelada.

Com a sobretaxa de 50%, os custos aumentariam consideravelmente, comprometendo a competitividade do Brasil, que fornece 80% do volume importado pelos Estados Unidos — responsáveis por 90% do consumo interno.

A carne bovina também está sob risco. Os Estados Unidos são o segundo maior mercado comprador, atrás da China (49%). No primeiro semestre, empresas norte-americanas adquiriram 12% do total exportado, com picos superiores a 40 mil toneladas/mês entre março e abril — um movimento interpretado como antecipação às tarifas.

Os principais estados exportadores são São Paulo, Goiás e Mato Grosso do Sul.

As frutas frescas, especialmente manga e uva, também estão em posição delicada.

No caso da manga, a janela crítica de exportação começa em agosto, e já há relatos de embarques adiados diante da indefinição tarifária. A uva, com safra relevante para os EUA iniciando em setembro, está sob monitoramento.

Antes do anúncio, a expectativa era de crescimento nas exportações, impulsionado pela valorização cambial e maior produtividade. Agora, o cenário impõe incertezas e possível retração nos preços.

Diplomacia como alternativa

Diante do agravamento do quadro, especialistas defendem o diálogo como principal ferramenta de resolução. Para a economista Carla Beni, da FGV, a condução brasileira deve seguir os princípios da diplomacia tradicional.

“Mesmo com base legal para reciprocidade, o caminho começa com conversas bilaterais. A segunda etapa é recorrer aos organismos internacionais. Só então considerar qualquer reação mais dura”, afirmou à Record News.

Alfredo Cotait Neto, presidente da Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil, foi enfático: “Enfrentar os Estados Unidos diretamente seria um desastre absoluto.”

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