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Ministro da Fazenda alerta que fim da escala 6x1 não pode ‘sobrar para o Tesouro’

Durigan defende que discussão precisa ser conduzida pelo Congresso e não pode gerar pressão nas contas públicas

Brasília|Do Estadão Conteúdo

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Ministro da Fazenda, Dario Durigan, alerta que o fim da escala 6x1 não deve onerar o Tesouro Nacional.
  • Discussão sobre a mudança precisa ser conduzida pelo Congresso, com foco nas contas públicas.
  • O governo enviou um projeto de lei propondo redução da jornada de trabalho e a Câmara prioriza a PEC sobre o tema.
  • Diferenças entre o projeto de lei e a PEC incluem quórum para aprovação e possibilidade de veto presidencial.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Ministro da Fazenda, Dario Durigan, fala durante uma reunião ministerial no Palácio do Planalto em Brasília, Brasil, 31 de março de 2026. REUTERS/Adriano Machado
Para Durigan, é razoável debater uma regra de transição para os segmentos Adriano Machado/Reuters - 31.3.2026

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, defendeu nesta sexta-feira (17) que o fim da escala 6x1 não pode acarretar custos para o Tesouro Nacional.

Em uma entrevista coletiva em Washington, Durigan afirmou que o tema tem de ser debatido entre todos os setores da economia, mas sem gerar pressão nas contas públicas.


“Não pode sobrar uma conta para o Tesouro”, disse o ministro. “Isso aqui tem de ser um reconhecimento de um ganho civilizacional, de um ganho geracional para os trabalhadores. Não é possível que se queira financiar com o recurso público da sociedade como um todo um avanço como esse.”

Durigan afirmou que a discussão sobre o fim da escala 6x1 tem de ser conduzida pelo Congresso. Segundo o ministro, estudos recentes apontam que a mudança na regra trabalhista deve afetar poucos setores que ainda aplicam a escala 6x1. Ele afirmou, no entanto, que é razoável debater uma regra de transição para os segmentos que seriam atingidos.


“Eu sou muito favorável a gente debater, entender com os setores como se adaptar, eventualmente para alguns setores ter uma transição para dar tempo de adaptação”, disse o ministro, acrescentando que o debate sobre o tema é “meritório”.

Líderes de partidos de centro e da base aliada afirmam que, apesar de o governo ter enviado um projeto de lei com urgência constitucional sobre o fim da escala 6x1, a Câmara vai continuar priorizando a PEC (proposta de emenda à Constituição) sobre o tema que tramita na Casa legislativa.


Entenda as propostas

O projeto de lei enviado pelo governo propõe a redução da jornada semanal de 44 horas para 40 horas, sem redução salarial, além de prever jornada de trabalho de oito horas diárias e dois repousos semanais remunerados de 24 horas consecutivas cada.

A medida entraria em vigor após a aprovação da lei. Como foi enviado com urgência constitucional, a Câmara teria até 45 dias para apreciar a proposta, sob risco de travar a pauta. O Senado teria o mesmo prazo.


As PECs têm textos diferentes. A do deputado Reginaldo Lopes, de 2019, diz que a duração do trabalho normal não pode ser superior a oito horas diárias e 36 horas semanais, facultada a compensação de horários e a redução da jornada, mediante acordo ou convenção coletiva de trabalho. A proposta entraria em vigor dez anos após a publicação.

A PEC da deputada Erika Hilton também prevê oito horas diárias e 36 horas semanais, mas acrescenta jornada de trabalho de quatro dias por semana — ou seja, a escala de trabalho seria de 4x3. A emenda constitucional entraria em vigor um ano após a publicação.

Além do teor, há outras diferenças importantes entre os dois instrumentos legislativos. O projeto de lei exige um quórum menor para ser aprovado — maioria simples, desde que presentes 257 parlamentares. O texto também poderia ser vetado pelo presidente. O veto teria que ser apreciado em sessão conjunta da Câmara e do Senado no Congresso.

A PEC, por outro lado, exige um quórum maior — aval de ao menos 308 deputados, em votação em dois turnos. Mas a palavra final seria dos deputados, pois a PEC é promulgada pelo Congresso.

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