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‘Pauta-bomba’ de quase R$ 100 bi sobre aposentadoria de agentes de saúde avança no Senado

CCJ aprova aposentadoria especial um dia após governo pedir a Alcolumbre freio a propostas com potencial de elevar gastos

Brasília|Do R7, com Estadão Conteúdo

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • A CCJ do Senado aprovou uma PEC que estabelece aposentadoria especial para agentes comunitários de saúde e agentes de combate às endemias.
  • A medida, com impacto financeiro significativo, segue para votação em dois turnos no plenário do Senado.
  • O Ministério da Previdência estima um impacto de R$ 98,7 bilhões, enquanto a CNM calcula R$ 69 bilhões para prefeituras.
  • A proposta proíbe contratação temporária dos agentes, exceto em emergências, e transforma servidores terceirizados em públicos após publicação.

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São Paulo (SP), 30/03/2023 - Agentes de vigilância em saúde fiscalizam e orientam moradores sobre focos do mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, em Perdizes. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
PEC beneficia agentes comunitários de saúde e agentes de combate às endemias Fernando Frazão/Agência Brasil - 30.3.2023

A CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) do Senado aprovou nesta quarta-feira (10) uma PEC (proposta de emenda à Constituição) que cria regras de aposentadoria especial para agentes comunitários de saúde e agentes de combate às endemias. A medida, vista com preocupação pela equipe econômica por seu potencial impacto sobre as contas públicas, segue agora para análise do plenário da Casa, onde precisará ser aprovada em dois turnos.

O relator, Irajá (PSD-TO), não fez alterações ao texto aprovado pela Câmara em outubro do ano passado. O Ministério da Previdência Social calcula um impacto de R$ 98,7 bilhões ao longo de todo o período futuro das novas regras.


O cálculo se baseia em dados do Ministério da Saúde sobre o quantitativo de 400 mil agentes, considerando parâmetros dos valores de piso e teto do RGPS (Regime Geral de Previdência Social) e uma distribuição de 50% para cada sexo.

Os pagamentos adicionais entre homens seriam de R$ 51,3 bilhões, e, para mulheres, de R$ 47,4 bilhões. No outro extremo, considerando o valor atual do teto de benefícios do RGPS de R$ 8.157,41, o montante geral chegaria a R$ 530 bilhões.


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A CNM (Confederação Nacional de Municípios) calcula um impacto de R$ 69 bilhões nos regimes de prefeituras.

A proposta prevê uma aposentadoria especial, desde que os agentes de saúde e de combate às endemias comprovem “atuação por 25 anos exclusivamente no efetivo exercício de suas funções” e atinjam uma idade mínima, seguindo uma regra de transição:


  • 50 anos de idade para mulheres e 52 anos de idade para homens, até 31 de dezembro de 2030;
  • 52 anos de idade para mulheres e 54 anos de idade para homens, até 31 de dezembro de 2035;
  • 54 anos de idade para mulheres e 56 anos para homens até 31 de dezembro de 2040;
  • 57 anos de idade para mulheres e 60 anos de idade para homens, a partir de 1º de janeiro de 2041.

Outra possibilidade prevista pela PEC é a de aposentadoria por idade, para mulheres que completarem 60 anos e homens de 63 anos, com, no mínimo, 15 anos de contribuição e 10 anos de atividade.

A PEC proíbe a contratação temporária ou terceirizada dos agentes em questão, a não ser em casos de emergência em saúde pública.


Segundo a proposta, os servidores terceirizados que participaram de processo seletivo público “serão automaticamente transformados em servidores públicos” a partir da publicação do texto. Gestores públicos terão até 31 de dezembro de 2028 para implementar tais regras.

Durigan e Alcolumbre trataram sobre pautas-bomba

A votação na CCJ vem um dia após o ministro da Fazenda, Dario Durigan, conversar com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), sobre as “pautas-bomba” que tramitam na Casa. Entre elas, está a PEC dos agentes de saúde.

Após a reunião, Alcolumbre criticou a quantidade de projetos que fixam pisos salariais para diferentes categorias e defendeu uma avaliação do impacto fiscal das medidas.

“Temos aqui, que já tramitaram na Câmara dos Deputados e que estão tramitando no Senado Federal, 30 projetos, entre proposta de emenda constitucional e projeto de lei, relacionados a piso salarial e remuneração”, disse, após o senador Fabiano Contarato (PT-ES) pedir a votação do piso nacional de garis.

“No ano de eleição, isso aqui é muito complexo, porque o que eu botar para votar, todo mundo vai votar sim por conta da eleição, e vai ter que arrumar dez brasis para pagar. E aí fica sendo eu o culpado que não quer dar um piso para o médico. O Brasil comporta isso? O Brasil vai resistir? As finanças públicas vão resistir?”, questionou.

Na reunião, a Fazenda manifestou preocupação com o impacto de várias propostas que tramitam no Senado, entre elas:

  • Projeto que trata da renegociação das dívidas dos produtores rurais;
  • PEC da aposentadoria integral para agentes de saúde;
  • Piso salarial para médicos e cirurgiões-dentistas;
  • PEC que aumenta a fatia de recursos da União destinada ao Fundo de Participação dos Municípios.
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