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PF apura tragédia em Vinhedo com 3D e espera dados de caixa-preta para reconstruir queda

Peritos fizeram escaneamento tridimensional do local do acidente e dizem ser possível refazer trajeto da aeronave

Brasília|Natália Martins, da RECORD, e Augusto Fernandes, do R7, em Brasília

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Mapeamento feito pela PF permite acesso virtual ao local do acidente
Mapeamento feito pela PF permite acesso virtual ao local do acidente Divulgação/Material cedido à RECORD

Na investigação sobre a queda do avião em Vinhedo (SP) que deixou 62 mortos, a Polícia Federal usou ferramentas para mapear o local do acidente com imagens em 3D. Com scanners e drones, peritos fizeram ao menos 700 fotografias de ângulos diferentes do avião e também captaram imagens aéreas dos arredores do local onde aconteceu a tragédia. Segundo a PF, caso o Cenipa (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos) disponibilize à corporação as informações das caixas-preta da aeronave, será possível usá-las com o escaneamento tridimensional para fazer a reconstrução da queda.

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“Se os dados da caixa-preta forem disponibilizadas para a Polícia Federal, nós faremos. Depende, na verdade, de o Cenipa nos passar os dados, e assim que a gente tiver o dado a gente vai começar a trabalhar na reconstrução do voo da aeronave”, disse o perito criminal federal Daniel Melo em entrevista à RECORD.


“A gente consegue fazer uma reconstrução do voo em três dimensões. A gente tem uma ferramenta em que coloca os dados da caixa-preta, e ela mostra o avião voando como se estivesse no local, voando na região. A gente consegue ver o que está acontecendo com a aeronave, toda a dinâmica. Como ela se mexe, como ela começa a cair, e a gente consegue até verificar quais eram os controles da aeronave, que comando que o piloto deu, se ele apertou um botão, se ele deu potência no motor, se ele cortou o motor, se ele tentou controlar a aeronave manualmente”, detalhou Melo.

“Tudo isso, a gente consegue fazer com os dados da caixa-preta. A gente consegue, na verdade, reconstruir a queda da aeronave e os diálogos dos pilotos, porque tem a gravação de voz a partir desses dados das caixas-pretas. Isso é muito importante”, completou o perito.


Segundo Melo, o trabalho de mapeamento com imagens 3D permite que os investigadores do acidente “voltem” ao local do crime a qualquer momento, visto que as capturas feitas pelas ferramentas ficam armazenadas em computador e reproduzem virtualmente o mesmo cenário do momento da queda da aeronave.

“O escaneamento é para tirar uma fotografia em três dimensões, o que permite entrar no ambiente em um computador e visitar novamente esse local. Medir uma distância de uma peça para o avião, ver onde estão os fragmentos. Essa informação espacial é muito importante para testar hipóteses. Com o escaneamento, você consegue determinar com exatidão onde está o motor, onde está uma peça. Você consegue avaliar se as possibilidades da queda são explicáveis pelos vestígios, pelas peças que estão lá espalhadas no local”, explicou Melo.


O diretor técnico-científico da PF, Roberto Monteiro, destacou que esse mapeamento tridimensional vai ser fundamental para a elaboração do relatório de investigação sobre a tragédia.

“O objetivo da principal da investigação é chegar na apuração dos fatos, e para a perícia os três principais objetivos são: saber e tentar identificar o que aconteceu; como aconteceu; e se existe responsabilidade ou não nesse fato. E para isso, nós vamos utilizar de tudo o que foi coletado, desde imagens com drones até o imageamento 3D e dados que foram coletados no momento de retirada dos corpos. O nosso objetivo é juntar todas essas informações e tentar chegar nesses resultados.”

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