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PGR deve definir destino de inquérito sobre voo com Motta, Ciro Nogueira e empresário ligado a bets; entenda o caso

Investigação da PF foi enviada à Suprema Corte, e ministro Alexandre de Moraes pediu posicionamento da Procuradoria-Geral da República

Brasília|Do R7, com Estadão Conteúdo

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • A Polícia Federal abriu inquérito sobre um voo que transportava parlamentares e um empresário de apostas, suspeito de crime de contrabando.
  • O inquérito foi encaminhado ao Supremo Tribunal Federal após a PF descobrir que o presidente da Câmara, Hugo Motta, e outros parlamentares estavam na aeronave.
  • As investigações se intensificaram devido a indícios de que bagagens não passadas pelos raios-X poderiam conter itens ilícitos.
  • A Procuradoria-Geral da República deve analisar o caso para determinar se há indícios de crimes a serem investigados judicialmente.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Empresário Fernando Oliveira Lima publicou imagem de jatinho nas mídias sociais Reprodução/Instagram @fernandin – 21.04.2025

A PF (Polícia Federal) abriu inquérito para apurar suspeitas de descaminho ou contrabando no jatinho de um dos investigados na CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) das Bets no Senado, o empresário Fernando Oliveira Lima, sócio de uma empresa de apostas on-line.

No entanto, a investigação foi enviada ao STF (Supremo Tribunal Federal) depois de a PF constatar que quatro parlamentares acompanharam o empresário no voo:


Fernando estava no voo com os parlamentares, as respectivas companheiras deles e mais duas pessoas, em abril de 2025, período em que ocorriam as atividades na CPI das Bets, com participação de Ciro Nogueira.

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O voo saiu da Ilha de São Martinho, um paraíso fiscal no Caribe, e pousou, na noite de 20 de abril de 2025, no Aeroporto de Catarina, em São Roque (SP), usado para aviação executiva. As suspeitas da PF surgiram a partir de uma investigação sobre suposta corrupção do auditor fiscal, Marco Canella, indiciado em outro inquérito por facilitação de contrabando ou descaminho.


No caso do voo dos parlamentares, Marco teria permitido que um funcionário de Fernando desembarcasse no aeroporto e passasse com sete volumes de bagagem por fora do raio-X. O procedimento ilegal foi registrado por câmeras de segurança. Até o momento, a PF não identificou quem são os donos das malas.

Inquérito enviado ao STF

Como o voo teve origem em um paraíso fiscal e o auditor havia sido indiciado por crimes de facilitação ao contrabando e descaminho anteriormente, a PF suspeita que o conteúdo das bagagens seja irregular.


Durante a apuração policial, ficou constatado que os parlamentares a bordo do voo passaram as respectivas bagagens regularmente pelo procedimento de raio-X. Contudo, ainda não é possível saber se alguma das não inspecionadas tinha pertences dos políticos.

Em um relatório parcial, a PF detalhou que a continuidade das investigações pode indicar se houve envolvimento de algum dos parlamentares nos crimes apurados e, por isso, enviou o inquérito ao STF. “[...] Salvo melhor juízo, entendo ser temerária a continuidade das investigações sem a apreciação de tal situação pelo Poder Judiciário”, afirma o despacho.


Mapa de voo disponível dentro de aeronave do empresário Fernando Oliveira Lima Reprodução/Instagram @fernandin – 21.04.2025

Nas mídias sociais, Fernando Oliveira Lima chegou a postar fotos da viagem, mas os parlamentares não aparecem nelas. As imagens mostram o interior do jatinho; refeições na aeronave; um mapa de voo com destino à Ilha de São Martinho; o avião ao chegar em uma praia com mar azul-claro; e diversos momentos na praia.

Nesta semana, o inquérito sobre o caso chegou ao STF e foi distribuído ao ministro Alexandre de Moraes. Ele enviou o processo para análise da PGR (Procuradoria-Geral da República), que deverá opinar se há indícios de crimes, para que os fatos sejam investigados na corte.

Outros passageiros no jatinho

O voo também tinha na lista de passageiros o ex-assessor parlamentar de Ciro Nogueira, Victor Linhares de Paiva, alvo de busca e apreensão em uma das fases da Operação Carbono Oculto, no Piauí, e o empreiteiro Fernando Cavendish, que chegou a ser preso pela Lava Jato no Rio de Janeiro e fez uma delação premiada na qual confessou o pagamento de propinas ao ex-governador do estado Sérgio Cabral (MDB) e a outros políticos.

Victor trabalhou como assessor parlamentar de Ciro Nogueira, no Senado, entre abril de 2018 e junho de 2020, em cargos no gabinete pessoal e na liderança do partido, função exercida pelo político.

Filiado ao PP (Progressistas) de Ciro Nogueira desde 2008, Victor foi eleito vereador de Teresina, em 2024, e, no início do ano seguinte, nomeado secretário de Articulação Institucional da gestão do prefeito da cidade, Silvio Mendes (União).

O currículo dele inclui, ainda, um período como funcionário da Codevasf (Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba), a “estatal do Centrão”. Em março de 2025, Victor anunciou a filiação ao União Brasil, pelas mãos de Antonio Rueda, presidente do partido.

Ao ser investigado na Operação Carbono Oculto, Victor foi apontado como destinatário de R$ 230 mil enviados pelo dono de uma rede de postos de combustíveis que supostamente teriam relação com o PCC (Primeiro Comando da Capital) e alvo de busca e apreensão.

Além disso, uma reportagem publicada pela revista piauí em julho do ano passado afirma que ele recebeu, entre dezembro de 2023 e setembro de 2024, R$ 625 mil de Fernando, dono da aeronave. O empresário é conhecido como Fernandin OIG, sigla da empresa da qual é sócio e que opera as plataformas 7Games, Betão e R7.BET.

Posicionamentos

Por meio de nota, Hugo Motta afirmou que “cumpriu todos os protocolos e determinações estabelecidas na legislação aduaneira” e que aguardará a manifestação da PGR.

O empresário Fernando Oliveira Lima alegou que a bagagem transportada pertencia ao comandante do voo. “Recebi a notícia, a imagem e liguei para o comandante Jorge. Ele falou que se tratavam de itens pessoais dele e que o desembarque seguiu todo o processo normal”, comentou.

A reportagem teve acesso ao relatório da PF produzido na investigação e procurou os demais mencionados, mas eles não se manifestaram até a mais recente atualização deste texto. O espaço segue aberto.

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