Logo R7.com
RecordPlus
R7 Brasília
‌

Prisão domiciliar de Bolsonaro pode influenciar tarifaço dos EUA, apontam especialistas

Apesar do cenário delicado, especialista acredita que ainda há margem para negociação no campo diplomático

Brasília|Do R7, em Brasília

  • Google News

Adicione como fonte preferencial no Google

Opens in new window

RESUMO DA NOTÍCIA

  • A prisão domiciliar de Jair Bolsonaro pode impactar relações comerciais entre Brasil e EUA.
  • Especialistas acreditam que as tarifas dos EUA sobre produtos brasileiros podem ser mantidas ou endurecidas.
  • A decisão pode fortalecer o discurso de vitimização entre aliados de Bolsonaro.
  • Há possibilidade de negociações diplomáticas para suavizar os efeitos das tarifas, segundo o ministro Mauro Vieira.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Prisão domiciliar de Bolsonaro pode influenciar tarifaço dos EUA
Prisão domiciliar de Bolsonaro pode influenciar tarifaço dos EUA Valter Campanato/Agência Brasil - Arquivo

A decisão do ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), de colocar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) em prisão domiciliar pode ter repercussões que ultrapassam o cenário político nacional — e afetar diretamente as relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos. Especialistas avaliam que a medida pode reforçar simbolicamente as tarifas impostas pelo governo Donald Trump sobre produtos brasileiros.

“O tarifaço pode, sim, ser mantido — ou até endurecido — com base nessa prisão”, afirma o cientista político André César, sócio da Hold Assessoria Legislativa. Segundo ele, Trump mencionou diretamente a situação de Bolsonaro ao justificar a sanção de 50% sobre as exportações brasileiras, condicionando uma possível revisão das tarifas ao abrandamento das investigações e punições contra o ex-presidente. “No mínimo, essa prisão reforça a narrativa que já está colocada — e que é muito ruim para o Brasil”, avalia.

‌

LEIA TAMBÉM

Na mesma linha, Guilherme Barcelos, doutor em direito constitucional e sócio do escritório Barcelos Alarcón Advogados, afirma que a tendência é de endurecimento. “Se a Casa Branca cumprir o que vem anunciando, essas tarifas devem ser reforçadas”, diz.

Além do impacto comercial, André César destaca o efeito político da decisão. Para ele, a prisão domiciliar pode fortalecer o discurso de perseguição usado por aliados de Bolsonaro e ampliar o sentimento de vitimização dentro do bolsonarismo.

‌

“No limite, a decisão pode até beneficiar Bolsonaro politicamente. Reforça a ideia de que ele está sendo pré-julgado, perseguido, e alimenta o discurso de má vontade por parte do Judiciário. Isso tem potencial de mobilizar sua base e gerar repercussões dentro e fora do país”, analisa.

Diplomacia e pressão econômica podem aliviar impactos

Apesar do cenário delicado, André César acredita que ainda há margem para negociação no campo diplomático. Ele cita a atuação do ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, como ponto de equilíbrio na tentativa de reverter — ou ao menos suavizar — os efeitos do tarifaço.

‌

“A diplomacia é essencialmente um espaço de negociação, e o chanceler Mauro Vieira tem demonstrado habilidade nesse campo. Em visitas recentes aos Estados Unidos, participou de encontros importantes, como com o senador Marco Rubio, figura influente no entorno de Trump. Isso mostra que há boa vontade e canais de diálogo abertos”, afirma.

Outro fator que pode pesar contra a manutenção da tarifa de 50% são os próprios interesses econômicos dos Estados Unidos. Setores como café e carne bovina, diretamente afetados pela medida, têm força no mercado norte-americano — e impacto direto no bolso do consumidor.

‌

“Os americanos não produzem café em larga escala, compram muito do Brasil. O mesmo acontece com a carne, especialmente a usada para hambúrgueres, um item básico na dieta do americano médio. Se os preços subirem, a pressão desses setores sobre o governo tende a aumentar”, explica.

A nova tarifa de 50% sobre produtos brasileiros começa a valer nesta quarta-feira (6) e foi oficializada por uma ordem executiva assinada pelo ex-presidente Donald Trump. No documento, o governo norte-americano justifica a medida citando ameaças do Brasil à segurança nacional, à economia e à democracia dos EUA. A situação de Bolsonaro é mencionada diretamente como parte dessa motivação.

Fique por dentro das principais notícias do dia no Brasil e no mundo. Siga o canal do R7, o portal de notícias da Record, no WhatsApp

Siga R7 no Google e fique por dentro de tudo que acontece

Seguir no Google

Últimas

‌

Utilizamos cookies e tecnologia para aprimorar sua experiência de navegação de acordo com oAviso de Privacidade.