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STF debate valor do mínimo existencial para evitar superendividamento

Julgamento sobre mínimo existencial é suspenso em meio a debate sobre proteção contra superendividamento

Brasília|Da Agência Brasil

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • O STF suspendeu o julgamento sobre a atualização do valor do mínimo existencial para combater o superendividamento.
  • A Lei 14.181/2021 estabelece o mínimo existencial para proteger consumidores de dívidas excessivas.
  • As entidades Conamp e Anadep questionam o valor atual de R$ 600, considerando-o insuficiente para dignidade básica.
  • O debate envolve também a preocupação com o aumento do endividamento devido aos jogos eletrônicos, conhecidos como bets.

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Objetivo do mínimo existencial é evitar endividamento da população Marcello Casal Jr/Agência Brasil - Arquivo

O STF (Supremo Tribunal Federal) suspendeu nesta quarta-feira (22) o julgamento que pode determinar a atualização anual do valor do chamado mínimo existencial, para evitar o superendividamento da população.

A Corte julga a constitucionalidade de decretos que regulamentaram a Lei 14.181 de 2021, conhecida como Lei do Superendividamento.


As normas definiram o conceito de mínimo existencial para proteger o consumidor e evitar a concessão de empréstimos que comprometam toda a renda mensal com o pagamento de dívidas.

Em 2022, um decreto do ex-presidente Jair Bolsonaro fixou o mínimo existencial em R$ 303, equivalente a 25% do salário mínimo vigente na época. Em 2023, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva corrigiu o mínimo para R$ 600, valor que está em vigor.


Após a edição dos decretos, a Conamp (Associação Nacional dos Membros do Ministério Público) e a Anadep (Associação Nacional dos Defensores Públicos) entraram com ações na Corte. As entidades questionaram o valor mínimo fixado nos decretos e alegaram que o valor é insuficiente para garantir condições básicas de dignidade.

Até o momento, o Supremo tem maioria de votos para determinar que o CMN (Conselho Monetário Nacional) deverá propor estudos para atualização anual do valor do mínimo.


Contudo, os ministros decidiram suspender a proclamação do resultado do julgamento para aguardar o voto do ministro Nunes Marques, que não participou da sessão.

A data para retomada do julgamento ainda não foi definida.


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Bets

O julgamento começou em dezembro do ano passado e foi suspenso por um pedido de vista feito pelo ministro Alexandre de Moraes.

Na sessão desta quarta-feira (22), Moraes disse que o superendividamento cresceu em virtude da regulamentação dos jogos eletrônicos, conhecidos como bets.

“O percentual de famílias endividadas subiu ao patamar de quase 78%. Um quarto dos brasileiros não consegue pagar suas dívidas nos prazos e entra nos juros rotativos”, afirmou.

Luiz Fux também afirmou que as bets representam o maior meio de endividamento da população.

“As pessoas gastam o dinheiro do consumo e do mínimo existencial em bets. É um problema emergencial”, disse.

O relator do caso, ministro André Mendonça, afirmou que o valor do mínimo existencial poderia ser superior. Contudo, segundo o ministro, o aumento poderá restringir o acesso ao crédito: “Se nós elevássemos por decisão judicial ou ao menos tivéssemos uma regulamentação específica, atribuindo o valor de um salário mínimo, nós retiraríamos do mercado de crédito uma gama de 32 milhões de cidadãos”, comentou.

Flávio Dino defendeu o consumo saudável e disse que o acesso das famílias ao crédito é um direito fundamental: “Sem crédito não existe consumo, e o consumo é o elemento necessário para a dignidade humana. O consumismo, não. O consumismo é a negação da dignidade da pessoa humana, fruto de manipulações perversas, que conduzem a desastres familiares”, completou.

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