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STF: grupo de Moraes cria frente para blindar ministro de investigações por relação com Vorcaro

Gilmar Mendes e Flávio Dino sugeriram juntar as investigações contra Moraes e Mendonça

Brasília|Do Estadão Conteúdo

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Ministros do STF, incluindo Gilmar Mendes, Flávio Dino e Cristiano Zanin, formaram uma frente para proteger Alexandre de Moraes de investigações sobre sua relação com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
  • Relatório da Polícia Federal revelou mensagens entre Vorcaro e Moraes, incluindo pedidos de intervenção junto a autoridades e um contrato milionário com o escritório da esposa de Moraes.
  • Gilmar Mendes pressionou colegas do STF, como Luiz Fux e Kassio Nunes Marques, para influenciar decisões relacionadas ao Banco Master.
  • Durante uma sessão, houve tentativas de juntar investigações contra Moraes e André Mendonça, desviando o foco dos indícios coletados pela PF sobre a relação de Moraes com Vorcaro.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Relatório da Polícia Federal mostra mensagens de Vorcaro a Moraes Rosinei Coutinho/STF - 15.09.2026

Ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) contrários à abertura de investigação contra Alexandre de Moraes criaram uma frente para blindá-lo. Gilmar Mendes, Flávio Dino e Cristiano Zanin integram a ala que tenta evitar apurações sobre a suposta relação do colega com o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro.

O arsenal inclui ataques públicos, articulações de bastidores e manobras processuais para evitar a avaliação de indícios desabonadores coletados. Relatório da Polícia Federal mostra mensagens do banqueiro a Moraes.


Em uma das mensagens, Vorcaro pergunta se deve sair do país na antevéspera de sua prisão. Chega a pedir para o ministro interceder junto ao diretor-geral da Polícia Federal e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet. O documento, produzido a pedido de Mendonça, relator do caso Master, também mostra que Moraes editou contrato de R$ 131 milhões entre o banco e o escritório de sua mulher, a advogada Viviane Barci de Moraes.

Mensagens de Gilmar Mendes a ministros

Nos dias que antecederam a sessão da última terça-feira (15), o decano da Corte, Gilmar Mendes, enviou mensagens a dois colegas para intimidá-los e alterar resultados de decisões que envolvem o Master.


No dia 8 de setembro, ele cobrou Luiz Fux por ter registrado, na Segunda Turma, voto favorável à liminar de André Mendonça, que afastou Andrei Rodrigues da direção da PF. “Isto revela qualquer coisa menos postura institucional. Espero que não se repita”, disse Mendes.

A conversa foi encerrada abruptamente por Fux: “Bom dia. Cuide de não encher meu saco!”.


Com Kassio Nunes Marques, Mendes foi ainda mais agressivo. Disse que ele e Fux eram servis e submissos a Mendonça. Em seguida, também cobrou que o colega não participasse de casos relativos ao Master e saísse do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), do qual atualmente é presidente.

“Assumam que estão ferrados e saiam dos processos. Abram as contas”, disse. “Não julguem”, completou na sequência.


Nunes Marques pediu respeito, disse estar disposto a abrir suas contas e bloqueou Mendes, o que impediu a continuidade das discussões.

Mensagens extraídas do celular de Vorcaro citam pagamento de R$ 500 mil ao advogado Kevin Marques, filho de Nunes Marques.

O ministro se declarou impedido e não participa de decisão sobre abertura de investigação contra Moraes. Embora tenha se defendido e a seu filho, dizendo não terem recebido recursos do Master nem ele ter votado em casos de interesse do banco, fundamentou seu afastamento do caso nas possíveis repercussões eleitorais. O ministro disse ser incompatível participar do julgamento enquanto preside o TSE.

No material apreendido pela PF, também aparece Rodrigo Fux, filho de Luiz Fux, a quem Vorcaro pediu ajuda em processos. A troca de mensagens também indica que o banqueiro bancou ingressos para a família do advogado em um camarote VIP no desfile das escolas de samba do Rio de Janeiro, na Sapucaí, em fevereiro de 2025.

Questão de ordem

Logo no início da sessão do dia 15, Gilmar Mendes e Flávio Dino registraram questão de ordem em que sugeriram juntar, em uma única deliberação, a abertura de investigações contra Moraes e André Mendonça.

A proposta tomou todo o tempo de debate e evitou que se discutisse o mérito dos indícios encontrados pela PF sobre a relação de um ministro com o banqueiro acusado de fraude contra o sistema financeiro nacional.

O ato também tenta estabelecer simetria entre as evidências de que Moraes, por meio de escritório de sua família, ganhou quantias milionárias para defender os interesses de Vorcaro e acusações de que Mendonça teria agido com parcialidade na condução das investigações.

Troca de acusações durante sessão

Durante toda a reunião, Gilmar Mendes desferiu insultos contra Mendonça, a quem chamou de “boneco eleitoral”. Também atribuiu “covardia” e “desfaçatez” ao colega pela liminar que afastou Andrei Rodrigues da PF e por pedir relatório da PF que incrimina Moraes.

“Não se pode submeter, mesmo colega que esteja eventualmente envolvido, que teve um filho... não pode estar submetido a esse tipo de vexame. É uma atitude covarde, vil. Já disse isso em outro momento: até a máfia tem ética”, afirmou.

Dino, por sua vez, tentou minar a credibilidade de Fux e afirmou que o ministro é citado em diálogos de Vorcaro. “Presidente, as mensagens do ministro Fux, as mensagens do ministro Kassio, as mensagens relativas ao ministro André”, disse.

Fux reagiu. “Mensagem comigo não tem. Nunca vi esse cidadão na minha vida. Só se vossa excelência está se baseando nesses inquéritos que surgem de nada”, rebateu.

Dino reafirmou as acusações. “Vossa excelência terá que esclarecer isso num momento próprio”.

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