Logo R7.com
RecordPlus
R7 Brasília

Torres pediu ‘apoio logístico’ nas eleições, diz ex-diretor da PRF ao negar direcionamento político

Djairlon Henrique Moura prestou depoimento no STF como testemunha do ex-ministro da Justiça de Bolsonaro

Brasília|Gabriela Coelho e Victoria Lacerda, do R7, em Brasília

  • Google News

Adicione como fonte preferencial no Google

Opens in new window
Adiel Pereira Alcântara afirmou em depoimento que houve orientação de Djairlon Henrique Moura
Adiel Pereira Alcântara afirmou em depoimento que houve orientação de Djairlon Henrique Moura Luciana Nassar/Assembleia Legislativa Mato Grosso do Sul - 7.5.2018

O delegado e ex-diretor da PRF (Polícia Rodoviária Federal), Djairlon Henrique Moura, negou nesta terça-feira (27) ter recebido direcionamento político, por parte do então ministro da Justiça Anderson Torres, para guiar ações da corporação durante o segundo turno das eleições de 2022. Ele prestou depoimento no STF (Supremo Tribunal Federal) como testemunha de defesa do ex-ministro.

Embora seja investigado em outro processo que apura possível obstrução das eleições de 2022, Moura foi mantido como testemunha por decisão do ministro Alexandre de Moraes, que ressaltou o direito do delegado ao silêncio para não produzir provas contra si.


Veja mais

No depoimento, o ex-diretor afirmou ter participado de uma reunião com Anderson Torres, ainda no período pré-eleitoral, para discutir ações de segurança no pleito, mas afirmou que o objetivo seria reforçar a segurança durante as votações.

“Não se tratou de nenhum plano específico. O que houve foi um pedido do ministro Anderson Torres para que as instituições de segurança ocupassem o maior número possível de municípios, com o objetivo de garantir a segurança das eleições”, declarou.


Segundo ele, também foi discutida uma possível cooperação entre a PRF e a Polícia Federal, de forma que a PRF pudesse atuar em regiões onde a PF encontrasse dificuldades operacionais.

“Não houve qualquer direcionamento para regiões específicas, nem solicitação em favor ou contra qualquer candidato”, afirmou Moura. “Não houve sinalização por parte do ministro sobre o número 22”, completou, em referência ao número de urna do então candidato à reeleição, Jair Bolsonaro.


O delegado também foi questionado sobre uma operação da PRF realizada na semana do segundo turno das eleições, voltada ao combate ao transporte irregular de eleitores. Moura explicou que a ação foi motivada por um pedido da Coordenação de Logística Policial (CLP) e contou com informações da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).

“É comum, em operações desse tipo, que haja cooperação com a inteligência da ANTT para checagem de listas de passageiros. Se houver indícios, deflagramos a operação para verificar se há alguma irregularidade”, disse.


Segundo ele, havia suspeitas de que passageiros estariam sendo transportados irregularmente da região Centro-Oeste para o Nordeste, mas nenhuma infração foi confirmada.

“A operação ocorreu entre os dias 27 de outubro e 2 de novembro. Durante os sete dias de fiscalização, não foi identificado nenhum transporte irregular de eleitores”, afirmou.

Moura destacou que a operação seguiu critérios técnicos, sem interferência externa, e que o objetivo foi coibir o transporte clandestino de passageiros, prática comum em períodos eleitorais.

Segundo as investigações, integrantes da PRF teriam direcionado recursos humanos e materiais com o intuito de dificultar o trânsito de eleitores no segundo turno.

Outro depoimento

A fala do delegado da PF Caio Rodrigo Pellim, também testemunha de Torres, foi na mesma linha da de Moura.

Pellim afirmou que participou de uma reunião entre o primeiro e o segundo turno das eleições de 2022 com representantes da PRF, da Coordenação de Operações Integradas (Ciop) e de outras forças de segurança.

Segundo ele, o encontro tratou exclusivamente do “reforço do policiamento ostensivo” e da necessidade de “apoio logístico” entre as instituições. Pellim disse que o objetivo era ampliar o efetivo nas ruas e garantir a segurança do pleito, “sem qualquer direcionamento político” ou menção a candidatos.

Fique por dentro das principais notícias do dia no Brasil e no mundo. Siga o canal do R7, o portal de notícias da Record, no WhatsApp

Últimas


Utilizamos cookies e tecnologia para aprimorar sua experiência de navegação de acordo com oAviso de Privacidade.