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Governo mira presídios ‘campeões’ em golpes por celular para adotar segurança máxima

Programa do Executivo quer impedir entrada de celulares e detectar túneis e rotas de fuga em unidades estaduais

Natália Martins|Natália Martins, da RECORD, e Augusto Fernandes, do R7, em Brasília

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • O governo federal prioriza presídios identificados como centros de golpes por celular para implementar segurança máxima.
  • O Programa Brasil contra o Crime Organizado visa modernizar 138 unidades prisionais em todo o país.
  • Medidas incluem bloqueadores de sinal, rastreadores eletrônicos e tecnologias de vigilância para cortar comunicação criminosa.
  • Investimento total no projeto é de R$ 324 milhões, com aquisições já em andamento.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Presídio Central de Porto Alegre.
Governo vai adotar regime de segurança máxima em 138 unidades prisionais Luiz Silveira/Agência CNJ - 15.3.2011

O governo federal vai priorizar presídios identificados pelos setores de inteligência como centros de aplicação de golpes por celular e articulação do crime organizado para implementar um novo padrão de segurança máxima nas unidades estaduais.

A estratégia prevê o uso de bloqueadores de sinal, rastreadores eletrônicos e tecnologias de vigilância para impedir a comunicação de detentos com integrantes de facções fora das prisões.


A medida integra o Programa Brasil contra o Crime Organizado, lançado recentemente pelo governo federal, e prevê a modernização de 138 unidades prisionais estratégicas nos 26 estados e no Distrito Federal.

Os nomes dos presídios não foram divulgados por razões de segurança, mas a seleção foi feita com base em dados de inteligência penitenciária e no mapeamento de organizações criminosas realizado pela Senappen (Secretaria Nacional de Políticas Penais).


Apesar disso, segundo apurou a RECORD, integrantes do governo citam como exemplos de prisões que precisam desse reforço de segurança a Papuda (DF), algumas unidades do complexo de Gericinó (RJ) e a penitenciária de Francisco Sá (MG).

As autoridades já sabem quais são as unidades com maior incidência de crimes praticados por meio de celulares e pretendem concentrar nelas os investimentos para interromper a atuação remota de facções e grupos especializados em golpes financeiros.


As 138 unidades estratégicas estão distribuídas da seguinte forma: 45 no Nordeste, 38 no Sudeste, 23 no Norte, 17 no Sul e 15 no Centro-Oeste.

As informações e necessidades passadas pelos governos estaduais serão levadas em consideração.


Se um presídio abrigar muitas lideranças criminosas, mas não tiver espaço para a instalação dos novos equipamentos, o estado pode indicar uma outra unidade com melhores condições estruturais para receber a tecnologia e, a partir disso, fazer o remanejamento interno desses presos para o local recém-equipado.

“Nós temos um objetivo muito claro, que é cortar a comunicação do crime com o mundo fora dos muros, com o crime também fora dos muros”, destacou o secretário Nacional de Políticas Penais, André Garcia, durante entrevista à imprensa na última sexta-feira (22).

“Nós mapeamos essas unidades e nós vamos silenciar essas unidades, seja retirando os celulares, seja bloqueando sinais de imediato. O objetivo nosso é muito claro: impactar — e impactar no curto prazo — a ação criminosa desses indivíduos”, acrescentou.

Equipamentos que serão usados pelo governo

O pacote de reforço inclui scanners corporais semelhantes aos usados em aeroportos, equipamentos de raio-X para inspeção de cargas, alimentos e visitantes, detectores de metal, drones, softwares de inteligência, reconhecimento facial e sistemas avançados de áudio e vídeo.

Também serão empregados bloqueadores de sinal e maletas de rastreamento eletrônico capazes de localizar aparelhos celulares dentro das unidades prisionais.

Entre as novidades previstas está o uso de “mochilas silenciadoras”, tecnologia que permite interromper sinais de telefonia móvel em perímetros específicos dos presídios. O objetivo é evitar que celulares apreendidos durante operações retornem à circulação dentro das unidades.

Outra aposta do governo é o uso de georradares para detectar escavações clandestinas e possíveis rotas de fuga. O equipamento, semelhante a um carrinho conduzido pelo solo, emite sinais capazes de identificar anomalias subterrâneas.

A tecnologia foi utilizada recentemente pela primeira vez durante a Operação Mute e, segundo o governo, não encontrou indícios de túneis nas inspeções realizadas.

Articulada em 2023, a Operação Mute consiste na execução de vistorias simultâneas e sem aviso prévio em cadeias de diferentes unidades da Federação. O governo vai começar a fazer a operação duas vezes por mês, como parte da estratégia de endurecimento do controle sobre a atuação do crime organizado dentro dos presídios.

O plano também prevê a entrega de 365 viaturas para apoio operacional das equipes penitenciárias. A meta é que cada unidade contemplada receba ao menos três veículos, sendo um blindado, para reforçar ações de escolta, transporte e operações de segurança.

O investimento total estimado no projeto é de R$ 324 milhões. Desse total, mais de R$ 184,9 milhões já estão com processos de aquisição em andamento.

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Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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