À espera da reestilização, JAC J3 Sport oferece tempero apimentado, mas entrega desempenho sem sal
Hatch compacto tem visual esportivo e motor mais potente, mas fica aquém da nova concorrência
Carros|Rodrigo Ribeiro, do R7



Às vésperas de sua reestilização, as poucas unidades do JAC J3 Sport disponíveis nas concessionárias da marca apelam para a tradicional receita chinesa, mas com um tempero extra. Além de ser completo "de fábrica", o hatch compacto troca o motor 1.3 da versão "de entrada" pelo 1.5 de até 127 cavalos do sedã J5. De brinde você ganha o primeiro — e único — modelo flex da JAC no País, e tudo isso por R$ 37.490.
O valor é R$ 1,5 mil acima do cobrado pelo novo J3, que usa um motor mais fraco (de 108 cv), mas conta com o visual atualizado e consideráveis melhorias em relação à versão Sport. Na prática o embate fica entre a versão atualizada e mais fraca e o esportivo defasado — isso se deixarmos os concorrentes de lado, mas citaremos os rivais logo mais.
Visão vermelha
As diferenças do J3S em relação ao (antigo) J3 vão pouco além do trem de força. Fora o motor 1.5 o hatch adiciona painel de instrumentos com iluminação vermelha, bancos e pedaleiras exclusivos e grafismos na carroceria.
O apelo visual convence, ainda que o velocímetro continue a ter leitura ruim — falha sanada no J3 reestilizado. O ronco do motor tem um leve apelo esportivo e sua partida, em teoria, é facilitada. O J3S é o primeiro chinês a receber um sistema de pré-aquecimento do etanol, aposentando o tanquinho de gasolina. Porém o equipamento, apelidado de Jet Flex, não pôde ser avaliado plenamente por R7 Carros pelo fato do carro estar abastecido com gasolina.
Humildade chinesa
Justiça seja feita, a dificuldade para esvaziar o tanque pelo método "tradicional" também se deu ao relativamente baixo consumo urbano do J3S: 10,2 km/l no ciclo de medições de R7 Carros, com ar-condicionado ligado em 50% do tempo. Na estrada o hatch fez 14,2 km/l, índice razoável, apesar do elevado ruído do motor a 120 km/h.
Assim como o consumo, o desempenho da versão Sport do J3 não decepciona nem surpreende. De fato os 127 cv fazem a diferença em ultrapassagens e subidas com o ar-condicionado ligado, mas todo esse fôlego exige rotações superiores a 4.000 rpm (e o consequente aumento do ruído na cabine).
A frugalidade oriental do motor se repete no interior, com visual simples. Herdeiro da "primeira onda" dos carros chineses no Brasil, o J3 Sport ainda patina em alguns detalhes, como o rádio com conector USB fora do padrão e o duríssimo ajuste (só de altura) da coluna de direção.
O engate do câmbio é ruidoso e a suspensão possui calibração macia e com grande curso: ótimo para os buracos, péssimo para curvas mais rápidas. Defeitos aceitáveis quando o mercado era carente de hatches compactos "completos", o que não ocorre mais.
Novos e velhos
No varejo o J3 S sofre, além da canibalização do novo J3, da concorrência de dois tipos de rivais: os "antigos" possuem custo-benefício igualmente agressivo (Ford Fiesta RoCam e Renault Sandero), enquanto os "novos" têm a vantagem de adotarem projetos modernos: vide Toyota Etios e Chevrolet Onix, cujos motores menores se equivalem ao 1.5 do J3 Sport.
Defasado dentro da própria concessionária, o J3 Sport é uma opção apenas para os fanáticos pela marca, já que até modelos consagrados oferecem os mesmos recursos do carro sem a dúvida que ainda paira sobre os chineses. Para quem está de olho em um J3 apimentado o jeito é esperar: a marca promete a versão reestilizada do carro para 2014.
FICHA TÉCNICA
JAC J3 Sport
Motor: 1.5 16V, flex
Potência (cv): 125 cv / 127 cv a 6.000 rpm (G/E)
Torque (kgfm): 15,5 kgfm /15,7 kgfm a 4.000 rpm (G/E)
Câmbio: Manual, cinco marchas
Direção: assistência hidráulica
Dimensões (metros): 3,96 m (comprimento), 1,65 m (largura), 1,46 m (altura), 2,40 m (entre-eixos)
Peso (kg): 1.070
Porta-malas (litros): 350 litros
Tanque de combustível (litros): 48 litros
Preço: R$ 37.490















