Chevrolet Cruze Sport6 entrega conforto, mas não empolga
Modelo ganhou retoque na linha 2015; versão topo de linha LTZ custa R$ 84.680
Carros|Luiz Fernando Betti, do R7

Bater os soberanos japoneses entre os sedãs e abocanhar as vendas de Focus e Golf no segmento dos hatches médios. A missão do Chevrolet Cruze, lançado em 2011, era ambiciosa. E a missão dada foi cumprida, pelo menos neste segundo caso.
Após dois anos, o Cruze Sport6 conquistou a liderança na categoria. Porém, em 2014 ele perdeu o título para o Focus, que será retocado neste ano, e se viu ameaçado pelo Golf, que teve um ano de transição — a importação mudou da Alemanha para o México — e, nacionalizado, terá mais potencial para liderar o segmento.

De olho nisso, a GM promoveu no fim do ano passado um ‘facelift’ no carro, o famoso retoque de meia vida antes da chegada da nova geração, que deve ocorrer em dois ou três anos.
E as mudanças foram sutis: a grade dianteira aumentou um pouco e os para-choques, redesenhados, ganharam luzes diurnas em LED. Oferecido em duas versões, o Cruze Sport6 tem preços de R$ 68.360 (LT) a R$ 84.680 (LTZ).
O R7 Carros passou uma semana com a versão mais cara do modelo em busca de uma resposta à pergunta: a discreta mexida foi suficiente para resistir à investida dos rivais?
Expectativa X realidade
No site da montadora, o Cruze Sport6 promete “Esportividade com muito conforto para os mais exigentes”. Realmente, o carro tem um visual imponente e bem resolvido, com linhas musculosas e esportivas. E sem perder a elegância.
Por dentro, a cabine é estilosa e bem construída, embora tenha elementos comuns a outros modelos da marca. O revestimento bicolor dos — muito confortáveis — bancos em couro é destaque, assim como o amplo espaço interno, satisfatório para cinco adultos.
Além disso, o modelo vem bem equipado de série. Entre os principais itens estão central multimídia com câmera de ré e GPS; ar-condicionado digital; chave com sensor de distância; teto solar; partida do motor por botão, sensor de chuva, acendimento automático dos faróis, seis air bags e controles de estabilidade e tração.

Ao acelerar, porém, a realidade não corresponde à expectativa. O motor 1.8 de 144 cavalos, combinado ao câmbio automático de seis marchas, simplesmente precisa melhorar. Na cidade, a direção elétrica e a suspensão acertada fazem bonito, mas o hatch é um tanto sonolento em baixas rotações.
Com o pé direito afundado, o giro sobe rapidamente e o barulho invade a cabine, permanecendo por lá enquanto o carro ainda desenvolve velocidade. Nesse ponto, as mudanças de marchas deveriam ser mais ágeis e precisas, inclusive no modo manual.
Após uma semana, o Cruze Sport6 mostra com clareza seus pontos fortes e fracos. Espaço interno, conforto e itens de série fazem parte das virtudes, enquanto desempenho e câmbio poderiam melhorar.
Entre os rivais, o preço está na média da concorrência — Ford Focus SE Poweshift custa R$ 79.200 e Volkswagen Golf Highline automático, R$ 87.500 —, mas o Cruze sai atrás por não ter a modernidade do primeiro nem o desempenho do segundo. Apesar disso, se você prioriza espaço interno e itens de conforto, o Cruze pode ser uma boa opção.















