Com queda de 26,5% em 2015, mercado de veículos novos volta ao volume de vendas de 2007
Crise faz crescer desemprego e indústria e importadoras já trabalham com patamar menor
Carros|Diogo de Oliveira, do R7

O ano de 2015 será lembrado pela indústria automobilística como aquele que freou um crescimento de quase uma década nas vendas. Nesta quarta-feira (6), a Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos) divulgou os resultados dos últimos doze meses, com números que evidenciam a forte turbulência pela qual passa o setor. Os emplacamentos de carros, comerciais leves, caminhões e ônibus recuaram 26,55% no período, somando 2.569.014 unidades, quase 1 milhão a menos que os 3.497.805 veículos vendidos em 2014. O resultado equivale ao obtido em 2007, oito anos atrás, quando o total chegou a 2,46 milhões.
E não é só. Este foi o 3º ano consecutivo de queda nas vendas, e, pela primeira vez desde 2009, os emplacamentos não superaram a marca de 3 milhões de unidades. Durante o anúncio dos resultados, o presidente da Fenabrave, Alarico Assumpção, apontou a crise política como principal motivador da crise. Segundo o executivo, os conflitos em Brasília influenciaram o mercado e o próprio consumidor, que perdeu a confiança e passou a evitar endividamentos. A alta do dólar norte-americano, a queda do PIB (Produto Interno Bruto) e o aumento do desemprego nas fábricas pelo País também atingiram em cheio as vendas e a produção nacional.
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Confira os carros mais vendidos de 2015


Recessão está fechando revendas
O tombo do comércio de veículos também afetou profundamente os concessionários. De acordo com a Fenabrave, 1.047 lojas foram fechadas em todo o Brasil, provocando a demissão de cerca de 32 mil funcionários ao longo de 2015. O impacto também é visto entre as empresas importadoras. Segundo Marcel Visconde, presidente da Abeifa (Associação Brasileira das Empresas Importadoras e Fabricantes de Veículos Automotores), a crise afetou todos os agentes envolvidos na cadeia, e "as empresas e a rede já começaram a readequar suas operações para o novo patamar do mercado, que ficou abaixo das 2,5 milhões de unidades".
A Abeifa — que representa as marcas Aston Martin, Bentley, BMW, BYD, Changan, Chery, Ferrari, Geely, Hafei, JAC, Jaguar, Jinbei, Kia, Lamborghini, Land Rover, Lifan, Maserati, Mini, Porsche, Rolls-Royce, SsangYong, Suzuki e Volvo — também divulgou seu balanço de 2015 nesta quarta (6), com resultados catastróficos. No caso das afiliadas, a queda no ano passado chega a 36% nas vendas, com 59.975 unidades emplacadas, resultado muito abaixo das 93.685 entregues entre janeiro e dezembro de 2014. Vale lembrar que estas empresas, em maioria, estão fora do programa governamental Inovar Auto e pagam alíquota maior de IPI.
— Temos uma crise aguda que precisa de um fim. Consumidor sem confiança não compra, não consome. Ao mesmo tempo, estamos vendo um PIB em forte queda, a inflação voltar a dois dígitos, o desemprego... Quer dizer, todos esses fatores estão levando a este cenário terrível. A crise começou a aparecer de forma mais evidente no segundo semestre de 2014, mas não esperávamos uma retração tão forte em um ano. Chegamos muito próximos do fundo do poço. Justamente por isso, o cenário não deve se replicar em 2016. Só que a recuperação dependerá de ações firmes do governo para recuperar a economia e a confiança do consumidor.















