Escolaridade no Brasil não entrega aprendizagem suficiente para a indústria do futuro, aponta estudo
Levantamento da CNI mostra que, mesmo com mais anos de estudo, estudantes brasileiros terminam a escola sem o domínio de matemática, leitura e ciências que a indústria moderna exige
Sistema Indústria |Do R7

Os brasileiros estudam por mais tempo, mas isso ainda não significa que aprendem o necessário. É o que aponta o estudo “Uma Revolução na Educação Brasileira: Propostas por uma agenda STEM integrada da base ao ensino superior”, divulgado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI).
O documento afirma que a escolaridade do país não entrega aprendizagem suficiente para sustentar a reindustrialização, num cenário em que a produtividade do trabalhador brasileiro é de US$ 21,2 por hora trabalhada, em paridade do poder de compra. Sugere, ainda, recomendações do Sistema Indústria para a construção de uma agenda de Estado, de mais longo prazo, considerada crucial para o setor e a sociedade brasileira.
Os números da educação básica ajudam a explicar o problema. Na edição de 2022 do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa), 73% dos estudantes brasileiros ficaram abaixo do nível mínimo de proficiência em matemática. Em leitura, 50% tiveram desempenho insuficiente, e em ciências, 55%. Menos de 3% alcançaram os níveis máximos em matemática.
Na avaliação internacional TIMSS 2023 (Estudo Internacional de Tendências em Matemática e Ciências), 62% dos alunos do 8.º ano estavam abaixo do nível básico em matemática, contra média internacional de 19%. Já no PIRLS 2021 (Estudo Internacional de Progresso em Leitura), que avalia leitura no 4.º ano, o Brasil ficou na 52.ª posição entre 57 países, e 38% das crianças não atingiram o nível básico.
O estudo também aponta gargalos no ensino superior. Apenas 15,6% dos diplomados em bacharelado em 2023 se formaram em áreas STEM (ciências, tecnologia, engenharia e matemática), o que coloca o Brasil na 47ª posição entre 48 países da OCDE. A formação de professores nessas áreas também preocupa: o número de concluintes em licenciaturas de Biologia, Computação, Física, Matemática e Química caiu de 36 mil, em 2010, para 28 mil, em 2024. A presença feminina é de 26% na engenharia, abaixo dos 32% de 2018, e de 19% em computação e TIC.
Para a CNI, a educação precisa estar no centro da estratégia de competitividade do país. “A antiga fórmula de estudar, conseguir um emprego e aposentar-se foi destruída pelas transformações tecnológicas”, afirma o presidente da entidade, Ricardo Alban. “Ou fazemos da educação o centro da nossa estratégia de competitividade hoje, ou seremos meros espectadores”, completa.
O coordenador do Grupo de Trabalho de Recursos Humanos para Inovação da MEI (Mobilização Empresarial pela Inovação), Luís Carlos Affonso, destaca que o país tem condições de ser protagonista em inteligência artificial, bioeconomia e transição energética.
O documento propõe quatro frentes de ação: financiamento da educação orientado a resultados, valorização e formação de professores, expansão da educação profissional e tecnológica e desenvolvimento de competências para as transições digital e verde.












