Comércio brasileiro vai ‘sofrer’ se decisão da UE sobre carnes não for revertida, dizem analistas
Medida do bloco europeu veta todas as exportações de animais e produtos de origem animal do Brasil a partir de setembro
Economia|Luiza Marinho*, do R7, em Brasília
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A decisão da União Europeia divulgada nessa terça-feira (12) proíbe o Brasil de exportar animais produtores de alimentos e produtos de origem animal para países do bloco a partir de 3 de setembro de 2026, e pode impactar severamente o comércio brasileiro.
Os argumentos para a proibição se devem ao que a UE chama de uso de antimicrobianos para promover o crescimento ou aumentar a produção em animais de criação, o que não é permitido pelas regras europeias.
Segundo o governo brasileiro, medidas estão sendo tomadas e, ainda nesta quarta-feira (13), o chefe da Delegação do Brasil terá uma reunião com as autoridades sanitárias do bloco para obter mais explicações sobre a decisão.
Para internacionalistas ouvidos pelo R7, a situação é delicada e requer estratégias contundentes para que o Brasil não perca sua relevância no mercado internacional.
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“Isso pode causar um prejuízo significativo, porque os produtores vão precisar escoar essa produção para outros mercados ou até para o mercado interno, o que acaba fazendo com que o preço e a margem de lucro do produtor desse tipo de produto diminuam”, diz Rodrigo Provazzi, economista e consultor de Gestão de Risco.
Efeito dominó?
Sobre a possibilidade de a decisão influenciar outros mercados internacionais a endurecerem exigências sanitárias contra produtos brasileiros, Provazzi afirma que, em lógica, isso não necessariamente se aplica.
“A UE está exigindo de produtos importados o mesmo nível de controle que ela exige dos produtores de dentro do bloco. Mas, apesar disso, pode, sim, gerar uma maior propensão a outros países a usarem barreiras sanitárias, com fins até de barrar a entrada de produtos brasileiros, ou até aumentar o nível de fiscalização de escrutínio sobre o produto brasileiro”, pontua.
Acordo Mercosul-UE
O acordo entre o Mercosul e a União Europeia passou a ser efetivamente implementado neste mês, permitindo mais conexão e diálogo entre os países do bloco. No entanto, o internacionalista João Alfredo Nyegray acredita que a situação das carnes e derivados brasileiros pode afetar, mas não necessariamente inviabilizar esse acordo.
Segundo ele, o efeito mais provável é político e narrativo. “A medida dá munição aos setores europeus contrários ao acordo, especialmente agricultores que já argumentam que o Mercosul compete com padrões sanitários, ambientais e trabalhistas inferiores. A exclusão do Brasil da lista reforça justamente esse argumento: o de que a abertura comercial precisa vir acompanhada de mecanismos rígidos de controle”, comenta.
Ele analisa que isso não significa que a UE esteja “rasgando” o acordo, mas mostra que a liberalização comercial será filtrada por barreiras regulatórias.
“Em termos práticos, o acordo pode reduzir tarifas, mas não elimina exigências sanitárias, ambientais e documentais. O Brasil pode até ganhar acesso preferencial em alguns produtos, mas continuará vulnerável se não conseguir provar rastreabilidade e equivalência regulatória.”
Para ele, o risco para o Mercosul é que o episódio transforme uma discussão técnica em crise de confiança.
“Argentina, Paraguai e Uruguai permaneceram autorizados, enquanto o Brasil ficou fora. Isso fragiliza a posição brasileira dentro do bloco e permite à UE negociar com mais pressão: o problema deixa de ser ‘Mercosul versus Europa’ e passa a ser ‘Brasil precisa se adequar’”, conclui.
Decisão da UE
Em nota ao R7, a União Europeia afirmou que o Brasil não poderá exportar tanto animais vivos para produção de alimentos quanto produtos derivados — como bovinos, equinos, aves, ovos, aquicultura, mel e tripas — caso a situação não seja mudada.
“Para ser incluído na lista de países terceiros autorizados a exportar para a União, o Brasil deve garantir o cumprimento dos requisitos da União sobre o uso de antimicrobianos durante todo o ciclo de vida dos animais de onde se originam os produtos exportados”, afirmou o bloco.
Porém, em resposta, o governo brasileiro diz que recebeu com “surpresa” a decisão e quer dialogar com a UE para “garantir o fluxo de vendas desses produtos para o mercado europeu, para o qual exporta há 40 anos”.
*Estagiária do R7, sob supervisão de Joana Pae, editora de texto.
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