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Dólar cai a R$ 5,10 e real é melhor emergente com aposta em acordo EUA-Irã

Desvalorização do dólar foi impulsionada por declarações de Donald Trump sobre o cancelamento de ataques ao Irã

Economia|Do Estadão Conteúdo

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Dólar cai mais de 1% e atinge R$ 5,10, com o real se destacando entre os mercados emergentes.
  • Desvalorização do dólar ocorre após Donald Trump cancelar ataques ao Irã e anunciar um acordo para encerrar a guerra.
  • Expectativa de juros altos no Brasil favorece o real, atraindo fluxo estrangeiro para a Bolsa.
  • Apesar do otimismo, ainda há incertezas sobre um fim permanente do conflito entre EUA e Irã.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Volatilidade no câmbio continua, com incertezas sobre um acordo entre EUA e Irã Amanda Perobelli/Reuters - 18.12.2024

O dólar cedeu mais de 1% nesta quinta-feira (11) e passou a acumular perda de 1,08% na semana, chegando a tocar nível abaixo de R$ 5,10 à tarde.

Apesar da desvalorização global do dólar, o real se destacou ao ter a melhor performance entre os mercados emergentes, na toada de desmonte de posições defensivas após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, dizer que cancelou os ataques e bombardeios para o Irã, antes programados para esta noite.


O desempenho positivo foi ainda mais forte, com fluxo estrangeiro para a Bolsa, depois de o republicano dizer que fez um ótimo acordo para encerrar a guerra até o fim de semana.

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Após máxima de R$ 5,182 (+0,18%) pela manhã e mínima a R$ 5,0921 (-1,55%) nesta tarde, o dólar à vista fechou em queda de 1,37%, a R$ 5,1016. No ano, a divisa americana perde 7,06%, mas ainda acumula alta de 1,16% em junho.


Por volta das 17 horas, o contrato futuro para julho caía 1,62%, a R$ 5,124, enquanto o índice DXY, que mede o comportamento da divisa americana ante seis moedas fortes, recuava 0,30%.

A alta do dólar pela manhã foi pontual, com a divisa passando a ceder com a expectativa de juros altos por mais tempo, sustentando fluxo para o real por meio de operações de carry trade.


A economista-chefe da Lifetime Gestora de Recursos, Marcela Kawauti, nota que a PMS (pesquisa mensal de serviços) mais forte do que o esperado coloca pressão sobre juros aqui dentro e fala a favor do real, por conta do diferencial de juros.

O fôlego da moeda local, contudo, ficou mais forte — apreciando mais de 1% — apenas após Trump publicar, na Truth Social, que decidiu suspender a operação militar no Irã, antes programada para esta noite, devido ao avanço nas negociações com o país persa. Na ocasião, o republicano também disse que um acordo prévio foi aprovado pela liderança iraniana.


Em desencontro de narrativas, Irã e Israel tinham negado a existência do acordo. Ainda assim, a dinâmica de recuperação do real se manteve.

“O mercado financeiro tinha medo de ter mais uma troca de fogo entre EUA e Irã e de que o cessar-fogo realmente acabaria. Então, independentemente de ter um acordo concreto, a sinalização de que não haverá mais uma escalada foi importante”, avalia o economista do grupo CVPAR, Marcelo Fonseca.

A partir do entendimento de que os EUA não farão mais um contra-ataque forte, o prêmio de risco global diminuiu e o Brasil atraiu um pouco mais de dinheiro novamente, aponta Kawauti. O movimento de mínima do dólar veio em sintonia com a máxima da Bolsa e recuo mais expressivo dos juros futuros.

Por volta das 16h30, a apreciação do real ganhou ainda mais força após Trump reforçar que teria acabado de fazer um ótimo acordo para encerrar a guerra e prometendo finalizar os documentos nos próximos dias. A CBS News também noticiou que um memorando de entendimento entre EUA e Irã provavelmente será assinado no início da próxima semana.

“Volta um cenário de risk-off no sentido de entusiasmo maior. Mas ainda há dúvidas sobre se é um fim permanente do conflito”, comenta o diretor global de FX e derivativos listados da Hedgepoint Global Markets, Guilhermo Marques, notando que o dólar teve uma alta considerável nas últimas três semanas, a qual ainda não foi totalmente corrigida no pregão desta quinta.

O operador de câmbio da AGK corretora, Fernando César, considera que, até não se resolver a situação do Oriente Médio de maneira totalmente conclusiva, com a assinatura do acordo, o câmbio pode continuar volátil.

Além de um noticiário mais benigno e otimista em torno de um alinhamento entre EUA, Israel e Irã, o operador também considera que pode ter ocorrido fluxo de venda de posição de exportadores que tinham aproveitado a alta da moeda americana mais cedo.

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