Dólar sobe e fecha a terça-feira cotado a R$ 3,09
Avanço de 0,6% da moeda norte-americana foi puxado por aversão ao risco
Economia|Do R7

O dólar abandonou a queda inicial e terminou a terça-feira (21) em alta ante o real, sustentado por fluxo comprador atraído pelo nível baixo de preço e pela aversão ao risco que passou a predominar no mercado externo durante a tarde.
O dólar avançou 0,6%, a R$ 3,09 na venda, depois de ter fechado a véspera em queda de quase 1%, a R$ 3,0717. O dólar futuro tinha alta de cerca de 0,5%. Na mínima do dia, pela manhã, a moeda marcou R$ 3,06 e, na máxima, à tarde, foi a R$ 3,0951.
"A moeda caiu quase R$ 0,10 nos últimos dias. É natural que ao encostar em R$ 3,05 a moeda atraia compradores", explicou o sócio da Omnix Corretora, Vanderlei Muniz.
Na terça-feira passada, o dólar havia fechado a R$ 3,1693 e, no pregão da véspera, foi a R$ 3,0717. No início desta sessão, a moeda manteve a tendência de baixa dos dois pregões anteriores e caiu até à mínima de R$ 3,06 e, a partir daí, passou a atrair fluxo comprador.
A trajetória predominante para a sessão, segundo os profissionais, seria a de baixa se no exterior a busca pelo risco do início dos negócios não tivesse sido substituída pela aversão ao risco, com o nervosismo dos investidores com a capacidade do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de avançar com as reformas prometidas em sua campanha presidencial.
Esse movimento derrubou as bolsas, içou o dólar ante divisas de emergentes no exterior e embutiu uma pressão adicional de alta na trajetória da moeda ante o real, apagando o efeito positivo decorrente do debate dos candidatos à Presidência na França.
No início dos negócios, a interpretação de que o candidato centrista, Emmanuel Macron, teria saído vitorioso impulsionou o euro e as moedas emergentes.
"Após o Brexit, uma eventual vitória de Marine Le Pen (com consequente saída da UE) poderia marcar, de fato, o começo do fim da União. Sendo assim, por enquanto investidores reagem comprando euro", resumiu a H.Commcor em relatório a clientes para justificar o desempenho do dólar no exterior.
Nesta terça-feira, o euro operava acima de US$ 1,08 após o debate da véspera. O dólar caía 0,68% ante uma cesta de moedas, mas subia ante o rand sul-africano, a lira turca e o peso mexicano.
Internamente, o movimento de baixa inicial do dólar também contou com a ajuda de um clima mais amenos após a Operação Carne Fraca. Os investidores, no entanto, continuaram monitorando eventuais desdobramentos que possam afetar o desempenho da balança comercial brasileira e o fluxo de ingresso de recursos para o Brasil.
A Coreia do Sul voltou atrás na suspensão à carne de frango brasileira após o Brasil afirmar que os embarques para o país não continham produtos alterados.
China, União Europeia e Chile continuam com suspensão temporária às compras de carne brasileira. E, nesta terça-feira, Hong Kong e Suíça anunciaram embargo ao produto nacional.
"O investidor está atento à questão da carne e também da política, de olho se isso poderá atrapalhar a votação de reformas no Congresso", avaliou Muniz.















