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Juros do cartão de crédito caem e chegam a 428,3% em março, aponta Banco Central

Taxa do cheque especial, segunda linha de crédito mais cara, também teve queda e atingiu 137,9% ao ano

Economia|Do R7

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • A taxa média de juros do rotativo do cartão de crédito caiu para 428,3% ao ano em março, menor valor em quase dois anos.
  • Com essa taxa, uma dívida de R$ 800 pode saltar para R$ 4.226,4 após um ano sem pagamento.
  • O cheque especial também teve queda, atingindo 137,9% ao ano, resultando em uma dívida de R$ 1.903,20 para R$ 800 ao longo de um ano.
  • Alternativa com taxas menores é o empréstimo consignado, que caiu para 28% ao ano, e varia conforme o grupo profissional.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Informações constam no documento Estatísticas Monetárias e de Crédito, divulgado nesta segunda Marcello Casal JrAgência Brasil

A taxa média de juros do rotativo do cartão de crédito voltou a cair e chegou a 428,3% ao ano em março, segundo menor valor em quase dois anos. O indicador teve queda de 7,6 pontos percentuais em relação a fevereiro, quando a taxa era de 435,9% ao ano. Os dados constam nas Estatísticas Monetárias e de Crédito, divulgadas nesta segunda-feira (27) pelo Banco Central.

Na prática, isso significa que qualquer dívida no cartão de crédito feita há um ano cresce cinco vezes se o consumidor não pagar a fatura no dia do vencimento.


Por exemplo, quem devia R$ 800 em março do ano passado precisaria desembolsar um adicional de R$ 3.426,4 para quitar o saldo devedor após um ano, totalizando uma dívida de R$ 4.226,4.

Apesar desses patamares elevados, o Conselho Monetário Nacional determinou, em dezembro de 2023, um limite de 100% para os juros do rotativo, cumprindo lei aprovada pelo Congresso Nacional.


Assim, com a nova norma, se a dívida for de R$ 200, por exemplo, o valor total, com a cobrança de juros e encargos, não poderá exceder R$ 400.

Descumprimento da lei?

As taxas apresentadas pelo BC podem sugerir, portanto, que os bancos estão descumprindo a lei, mas o que ocorre é apenas um registro estatístico. Para chegar aos percentuais anuais, a autoridade monetária projeta os juros mensais cobrados pelas instituições financeiras para o período de um ano.


Essa taxa, porém, nem sempre é efetivada, já que o consumidor costuma ficar “pendurado” no cartão — que possui os juros mais elevados do mercado — por apenas alguns dias ou semanas.

O chefe do Departamento de Estatísticas do Banco Central, Fernando Rocha, explicou que a instituição não pretende descontinuar essa série histórica. A manutenção se justifica porque o índice serve como referência para medir a velocidade de oscilação de aumento ou redução dos juros e compõe o cálculo da taxa média cobrada por todo o sistema financeiro.


Cheque especial

O cheque especial — segunda linha de crédito mais cara disponível no mercado e que está embutida na conta-corrente dos brasileiros — também caiu em março. Os juros médios chegaram a 137,9% ao ano, 8,4 pontos percentuais a menos do que o registrado em fevereiro.

Nessa modalidade, uma dívida de R$ 800 mantida por um ano sem pagamento salta para R$ 1.903,20.

Crédito consignado

Para driblar os índices das modalidades com as maiores taxas de juros do mercado, os consumidores podem aderir ao empréstimo consignado, que oferece desconto direto na folha de pagamento. Assim como as demais categorias, a taxa dessa linha de crédito teve queda de 0,2 ponto percentual em março e figura em 28% ao ano.

Dentro do consignado, os juros variam conforme o grupo de profissionais: a menor taxa é cobrada dos beneficiários do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social), com 24% ao ano.

Para servidores públicos e trabalhadores do setor privado, as cobranças situam-se, respectivamente, em 23,7% e 56,8% ao ano.

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