Restaurantes sentem corte de gastos das famílias
Dados da Abrasel mostram que 25% dos estabelecimentos já operam no vermelho
Economia|Do R7

Mesas vazias e pedidos mais magros são uma realidade cada vez mais frequente nos bares a restaurantes brasileiros. No segundo trimestre de 2015, o faturamento do setor caiu 6,34% em termos nominais (ou seja, sem descontar a inflação) na comparação com os três primeiros meses do ano, e um a cada quatro estabelecimentos já operam no vermelho, segundo dados da Abrasel (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes).
"No terceiro trimestre, o número de empresas com prejuízo continuou crescendo e deve chegar a um terço", afirma o presidente-executivo da entidade, Paulo Solmucci Júnior.
— Muita gente que começou o ano ganhando dinheiro agora está zerada, e a chance de fechar o ano com déficit é grande.
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Se esse cenário continuar, alerta o executivo, o risco é que muitos empresários decidam fechar as portas, com consequente aumento no número de demissões no setor.
Alta do desemprego, queda na renda das famílias e inflação elevada são alguns dos fatores que pressionam o bolso dos brasileiros, que decidem priorizar despesas essenciais e economizam nas refeições fora de casa. Além disso, há um "fator preventivo", segundo o presidente da Abrasel.
— O cliente está empregado, mas está com medo do que vem por aí. Então, ele corta gastos.
No restaurante Maraton, no bairro Santa Cecília, em São Paulo, o empresário Antonio Correia assiste a uma combinação curiosa. O movimento cresceu no último mês e meio, já que o quilo a R$ 39,90 é um dos mais baratos da região. Mas o faturamento não subiu como era esperado: ficou no zero a zero.
— Diminuiu a quantidade de comida que a pessoa coloca no prato. Esses dias fechei uma comanda de menos de R$ 7. A menina comeu menos de 200 gramas.
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A dieta forçada, principalmente entre mulheres, é para fazer o vale-refeição durar até o fim do mês, imagina Correia. Em compensação, os custos do restaurante não param de aumentar. O quilo da carne ficou até R$ 8 mais caro, e os gastos com itens de hortifruti subiram quase R$ 500 por semana.
— A gente precisa garimpar para poder comprar sem prejudicar o produto.
Em todo o Brasil, a crise atinge de maneira mais intensa os locais onde o tíquete médio consumido por cliente vai de R$ 30 a R$ 70. Nesses casos, a queda no faturamento chega a 30%. Nos mais caros, o movimento está estável graças a seu público cativo. Já nos estabelecimentos onde o gasto médio é menor que R$ 20, há avanço de até 15%.
"Há um fluxo migratório. O consumidor enfrenta a crise buscando opções mais acessíveis, cortando bebidas, sobremesas e escolhendo pratos e restaurantes mais baratos", analisa Solmucci Jr. Diante do quadro nada favorável, o número de trabalhadores no setor caiu 4,64% entre abril e junho contra o primeiro trimestre deste ano, e a previsão é cortar ainda mais, aponta a Abrasel.
O empresário Valter Luiz Sanches, sócio há 15 anos do restaurante Genuíno, na Vila Mariana, demitiu cinco funcionários desde o fim de 2014. O movimento não diminuiu, mas as pessoas têm gastado menos. No primeiro semestre deste ano, o tíquete médio estava em R$ 70. Agora, caiu para R$ 59.
Até o fim do ano, Sanches espera queda de 10% no faturamento em relação a 2014.
— Ainda estou no azul, mas setembro não foi tão bom quanto agosto, que já tinha sido pior que julho. Está ficando preocupante.
O empresário também que reclama da alta de custos e da impossibilidade de reajustar preços, sob o risco de "afugentar" clientes.
— Cortei do cardápio itens mais caros que não têm muita saída. Também reduzi estoque, estou fazendo compras menores.
Um sinal favorável, de acordo com a Abrasel, é que 49% dos empresários ouvidos declararam ter investido no segundo trimestre. No Genuíno, Sanches investiu em água de reúso, lâmpadas LED e instalação de timer para desligar automaticamente alguns aparelhos durante a madrugada.
— O custo está maior, preciso economizar.













