Alckmin diz que partidos pequenos são empresas sustentadas com dinheiro público
Governador criticou atual modelo e defendeu mudanças na legislação eleitoral
São Paulo|Fernando Mellis, do R7

Durante discurso para empresários na manhã desta terça-feira (9), o governador de São Paulo e candidato à reeleição, Geraldo Alckmin (PSDB), criticou o atual modelo partidário brasileiro. Hoje, existem 32 partidos registrados no TSE (Tribunal Superior Eleitoral), mas o número deverá dobrar nas próximas eleições. O tucano foi aplaudido ao defender a urgência de uma reforma política.
— Isso [grande número de siglas] vai destruir a democracia brasileira. E governar? São pequenas e médias empresas, todas sustentadas com dinheiro público do fundo partidário. Uma vergonha nós termos chegado a esse ponto. Não tem ideologia. É um balcão [de negócios]. Enfraqueceu todos os partidos. Tudo diluído. Eu diria que a reforma política tem que ser a primeira.
Após o evento, em entrevista coletiva, o governador foi questionado sobre a presença dos partidos considerados nanicos na coligação dele. Das 14 siglas que apoiam Alckmin, a maioria é pequena: PEN / PMN / PT do B / PTC / PTN / PSC / PSDC / PSL. Segundo o tucano, mesmo com todas essas alianças, ele não tem o maior tempo de rádio e televisão.
— Eu não tenho o maior horário eleitoral, embora sendo governador do Estado, estando no exercício do cargo, não tenho o maior horário eleitoral. Está errado esse pluri, multipartidarismo. Isso prejudica, porque enfraquece os partidos políticos, confunde a população, dificulta a governabilidade. Então, nós entendemos que é preciso mudar essa legislação.
O governador tem 4 minutos e 58 segundos de propaganda eleitoral e a coligação que envolve o maior número de partidos. Paulo Skaf (PMDB) tem 5 minutos e 52 segundos.
Alckmin foi palestrante no Seminário Lide, de líderes empresariais, que aconteceu na zona sul da capital. Após discursar, ele respondeu perguntas feitas pelos participantes sobre logística, transportes, segurança pública e energia.
Centro Paraolímpico Brasileiro
Após o discurso, Alckmin cumpriu agenda oficial. Acompanhado do ministro do Esporte, Aldo Rebelo; da secretária estadual dos Direitos da Pessoa com Deficiência, Linamara Battistella; e do presidente do Comitê Paralímpico Brasileiro, Andrew Parsons, ele vistoriou as obras do Centro Paraolímpico Brasileiro, na rodovia dos Imigrantes.
O governador afirmou que hoje 1.400 trabalhadores estão envolvidos nas obras e o número deverá chegar a 1.800 até o fim do ano. Ele também falou da importãncia do local, que servirá para o treinamento dos atletas durante os Jogos Paralímpicos do Rio em 2016.
— [O centro] estará entre os três maiores centros paraolímpicos do mundo, ao lado da Coreia do Sul, da China, da Ucrânia. A obra está adiantada em relação ao seu cronograma. Ela tem que ficar pronta até maio do ano que vem e é possível que seja entregue em abril.
O investimento total será de R$ 291,7 milhões e tem financiamento dos governos estadual e federal. O complexo inclui instalações esportivas, alojamentos para 280 pessoas, refeitório, lavanderia, e também uma Etec (Escola Técnica Estadual).

