Oposição brinca com crise d'água durante campanha eleitoral em SP
Na segunda-feira, coordenador da campanha de Padilha chamou tucanos de "turma do balde"
São Paulo|Fernando Mellis, do R7

Desde o último fim de semana, adversários políticos do governador de São Paulo e candidato à reeleição, Geraldo Alckmin (PSDB), abordaram a crise da água no Estado com tom de deboche, como forma de criticar a atual gestão. São Paulo enfrenta os efeitos da pior seca da história. O verão praticamente sem chuvas fez com que o principal reservatório de água que abastece a região metropolitana, o Sistema Cantareira, chegasse a níveis baixíssimos.
O último ataque foi feito pelo presidente do PT em São Paulo e coordenador da campanha de Alexandre Padilha, candidato petista ao governo. Emidio de Souza publicou no Twitter, na terça-feira (12), uma montagem com a foto de Geraldo Alckmin e um balde vazio com a frase "No fundo do poço". Antes disso, na segunda-feira (11), Souza já havia postado uma montagem com Alckmin, Aécio Neves, José Serra e o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso a quem ele chama de "turma do balde". "Gestão eficiente no Estado de São Paulo... agora é lata d'água na cabeça!", escreveu.
O tom de piada também foi a escolha feita pela campanha de Paulo Skaf (PMDB). Um vídeo publicado no YouTube, no sábado (9), trata a crise da água em uma paródia do hit do verão “Lepo Lepo”. "O culpado de verdade já tá aí há 12 anos e não soube resolver. A Cantareira secou de verdade. Vou tomar banho lá no [rio] Tietê. Do meu chuveiro não cai nem uma gota. Já não lavo minha roupa. Não sei mais o que fazer", diz um trecho da música.
A paródia foi contra o que Skaf havia dito no dia anterior.
— O que eu vou fazer agora é me colocar à disposição do governador para ajudar no que for necessário. É hora de união da sociedade. [...] Não é hora agora de brincar com esse assunto da água e nem usar por questão eleitoreira.
Na segunda-feira (11), questionado sobre o assunto, o candidato justificou que o vídeo "é para sensibilizar, através de uma brincadeira, que temos um problema sério".
Além disso, Alexandre Padilha afirmou, na semana passada, que o governador "está vivendo no mundo da propaganda", ao negar que haja racionamento de água. Moradores de diversos bairros da capital relatam cortes noturnos de água, desde o começo do ano. A Sabesp diz que são casos pontuais e serão analisados individualmente.
Alckmin afirma que não há racionamento e que o abastecimento está garantido até o começo do ano que vem. Ao se defender, o tucano destaca que o governo tomou as medidas emergenciais possíveis — uso do volume morto do Cantareira, manobras na rede e desconto para quem economizar — e trata a seca como algo “inimaginável”.
Para especialistas ouvidos pelo R7, o assunto é sério e deve ser abordado pelos adversários da mesma forma. O professor de marketing político da ESPM (Escola Superior de Propaganda e Marketing) Emmanuel Publio Dias destaca a vantagem do tucano nas pesquisas eleitorais.
— Como a falta d’água é muito mais um problema meteorológico do que gestão, e como o atual governo tem o apoio majoritário da população, é possível supor que os eleitores do Alckmin se ofendam com essa brincadeira.

