Protesto causa confusão em visita de Alckmin a futuro hospital na zona oeste
Governador foi abordado por grupo de funcionários do Hospital Universitário da USP
São Paulo|Fernando Mellis, do R7

O governador de São Paulo e candidato à reeleição, Geraldo Alckmin (PSDB), contornou um protesto e acabou aplaudido durante visita às instalações do futuro Hospital Especializado em Trauma, na zona oeste da capital paulista. Ele e o secretário estadual da Saúde, David Uip, foram abordados na manhã desta quinta-feira (11) por um grupo de funcionários do HU (Hospital Universitário) da USP.
A Universidade de São Paulo passa por uma crise financeira e estuda transferir o HU e o HRAC (Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais) para o controle da Secretaria Estadual da Saúde. O grupo foi até o local para conversar com o governador e pedir que ele barre essa possibilidade. Alguns funcionários carregavam um papel com a frase: “sou contra desvinculação #HUDAUSP #HRAC” e tentaram ficar atrás de Alckmin e Uip durante a coletiva de imprensa, mas foram impedidos pelos seguranças.
Logo que começou a falar, Alckmin foi interrompido por manifestantes que gritavam “e o HU?”. O assunto foi abordado e ele explicou que a Universidade de São Paulo tem autonomia para decidir sobre o HU, mas que o governo não é favorável à desvinculação.
Uma mulher questionou:
— O senhor se compromete com a gente que o que tiver nas suas mãos o senhor vai fazer para não desvincular o HU?
Alckmin respondeu “está comprometido”, foi aplaudido pelos funcionários e acalmou os ânimos do grupo. “Obrigada governador”, chegou a dizer uma das servidoras. Um homem que participava da manifestação aproveitou a ocasião e perguntou: “e Taboão da Serra que nunca tem médico, nunca tem nada?”. Calmamente, o tucano respondeu:
— Em Taboão da Serra nós temos um hospital estadual. Não tinha. Hoje tem um hospital grande lá.
O homem ficou quieto e o governador começou a deixar o local, mas voltou para conversar com as funcionárias do HU. Ele explicou a situação, reforçou que o Estado poderá fazer investimentos no Hospital Universitário e saiu em meio a gritos “fora Zago” — o reitor da USP é o professor Marco Antonio Zago.
O comprometimento de Alckmin não foi suficiente para a diretora do Sintusp (Sindicato dos Trabalhadores da USP), Diana Assunção, que aguarda ações concretas do Estado.
— A gente não se convence com palavras. A gente quer ver o hospital garantido dentro da universidade, como sempre foi. O Conselho Universitário iria votar a desvinculação do hospital, a força da mobilização da nossa greve impediu. Agora, a agente continua a nossa força para impedir que o hospital seja privatizado, que aconteça com ele o que aconteceu com a Santa Casa e a situação da saúde pública no Brasil, que a gente sabe como é e o governo não está preocupado com isso.

