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Avanço da direita na América do Sul pode influenciar eleição brasileira, dizem analistas

Viés conservador nos vizinhos foca em segurança pública e política externa, mas economia segue como fator decisivo no Brasil

2026|Luiza Marinho*, do R7, em Brasília

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • A ascensão da direita na América do Sul, com líderes como Keiko Fujimori e Abelardo de la Espriella, pode influenciar a eleição brasileira de 2026.
  • Segurança pública e desgaste de governos de esquerda são fatores que impulsionam a direita na região, segundo analistas.
  • A economia continuará sendo um tema central nas eleições brasileiras, apesar da crescente importância da política externa.
  • A eleição de líderes liberais-conservadores na região é vista como uma tendência que pode impactar o cenário político brasileiro, mas temas cotidianos ainda dominam o debate eleitoral.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Ao todo, sete países sul-americanos são governardos por líderes de direita Marcos Oliveira/Agência Senado - Arquivo

A guinada conservadora na América do Sul, intensificada pelas posses presidenciais de Keiko Fujimori, no Peru, em 28 de julho, e de Abelardo de la Espriella, na Colômbia, em 7 de agosto, pode influenciar o processo eleitoral brasileiro em 2026, segundo avaliação de especialistas ouvidos pelo R7.

Nos países vizinhos, o debate político focado em pautas como a segurança pública e política externa — temas tradicionalmente associados à direita — ajuda a explicar a ascensão de nomes conservadores. O movimento contrasta com o cenário visto durante as eleições de 2022, quando governos de esquerda tinham maior presença entre as nações sul-americanas.

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Atualmente, o mapa político na América do Sul se encontra assim:

Atualmente, a direita governa sete países na América do Sul, enquanto a esquerda comanda outros cinco Luce Costa/Arte R7

Para o cientista político Leandro Gabiati, diretor da consultoria Dominium, os resultados das eleições recentes no Peru e na Colômbia se relacionam com a apresentação de respostas mais duras para o avanço da criminalidade.

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“O contexto em torno da segurança pública é real: as vitórias de Abelardo de la Espriella na Colômbia e de Keiko Fujimori no Peru se explicam, em boa parte, a partir de posições duras para dar resposta às questões sobre segurança. De fato, há uma agenda comum de segurança entre os candidatos de direita”, avalia.

Gabiati acredita que o fenômeno também está relacionado ao desgaste de administrações de esquerda, que, segundo ele, “não têm conseguido atingir resultados satisfatórios na visão da maioria da sociedade”.

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Apesar da força da pauta de segurança, o cientista político ressalta que a economia deve continuar tendo papel central nas eleições.

Fator Milei

A professora de Relações Internacionais e Economia da PUC-PR Ludmila Culpi afirma que o cenário sul-americano mudou de maneira significativa, principalmente após a eleição de Javier Milei na Argentina.

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“Existem diferentes pontos de vista, e é necessário definir o equilíbrio entre as diferentes leituras políticas em disputa. O tabuleiro sul-americano mudou de forma visível nos últimos dois anos, com a eleição de Milei, na Argentina, e em outros países, que elegeram líderes liberais-conservadores”, observa.

Segundo a especialista, o movimento já é levado em consideração pelo mercado financeiro internacional e cria uma espécie de expectativa e validação regional que, agora, pode atingir o Brasil.

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Ela explica que, para os candidatos de direita e centro-direita, como Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado e Romeu Zema, a guinada conservadora pode ser utilizada como argumento de que o país estaria acompanhando uma tendência continental.

Na avaliação de Ludmila Culpi, o cenário abre espaço para um alinhamento com governos como os dos Estados Unidos e da Argentina e para a tentativa de apresentar a eleição brasileira como parte de uma transformação política mais ampla da região.

Ela aponta, entretanto, que a política externa não deve substituir os temas tradicionalmente determinantes para o eleitor brasileiro.

“A política externa ganhou um protagonismo incomum e entrou de forma inédita no debate eleitoral. [...] Porém, tradicionalmente, as eleições presidenciais no Brasil são definidas por temas ligados ao cotidiano, por exemplo: inflação, nível de emprego, renda, saúde, segurança, ou seja, qualidade de vida atrelada a temas sociais e econômicos”, pontua.

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