Canais de WhatsApp e IA desafiam fiscalização eleitoral a três dias das eleições
Especialistas defendem regras claras e ações rápidas para conter abusos sem ferir a liberdade de expressão
2026|Luiza Marinho*, do R7, em Brasília
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Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

A disseminação de conteúdos falsos, o uso de inteligência artificial para manipular imagens e vozes e a dificuldade de fiscalizar canais de grande alcance no WhatsApp estão entre os principais desafios da Justiça Eleitoral às vésperas do segundo turno das eleições.
Na terça-feira (20), ministros do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) chegaram a discutir uma proposta para suspender temporariamente canais políticos como o “Exército do Lula” e “Tropa do Flávio” 48 horas antes da votação.
Apesar da tentativa, o presidente do tribunal, ministro Kassio Nunes Marques, descartou apoiar a proposta.
Para especialistas ouvidos pelo R7, as eleições deste ano evidenciaram a necessidade de aprimorar a fiscalização das plataformas digitais, sem comprometer a liberdade de expressão e a privacidade dos usuários.
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Novas dinâmicas
Para o cientista político Gabriel Amaral, a mudança de posicionamento nas redes alterou a própria estrutura da disputa eleitoral. Segundo ele, os canais de comunicação ampliaram a capacidade das candidaturas de estabelecer vínculos com seus eleitores. Com isso, a capacidade de mobilizar, engajar e manter comunidades digitais tornou-se tão relevante quanto a exposição pública dos candidatos.
“As plataformas contribuem para estabelecer quais assuntos ganham visibilidade, quais interpretações circulam com maior intensidade e como os eleitores percebem a força de cada candidatura”, explica.
Operados em canais de transmissão e plataformas como o WhatsApp, esses grupos reúnem milhões de apoiadores e engajam comunidades de forma coordenada.
A partir de orientações diárias, militantes e influenciadores sobem hashtags, padronizam discursos e distribuem conteúdos em massa, transformando o engajamento virtual em uma poderosa ferramenta para impulsionar a narrativa de suas campanhas.
Desafios
Na avaliação da advogada especialista em direito eleitoral Bruna Heck, o Brasil chegou às eleições de 2026 mais preparado do que em pleitos anteriores, com regras específicas sobre inteligência artificial, deepfakes, desinformação e responsabilidade das plataformas.
No entanto, o desafio ficou maior justamente pelo crescimento desenfreado de informações que são publicadas.
“Um conteúdo pode alcançar milhões de pessoas em poucas horas e, quando ocorre a retirada, parte do dano eleitoral já pode ter acontecido. Além disso, o mesmo material pode ser replicado em diversas redes, perfis e grupos de mensagens. Por isso, o desafio atual não é apenas retirar o conteúdo ilícito”, comenta.
Outro desafio está nos aplicativos de mensagens, grupos fechados e como a liberdade de expressão pode ser atingida.
“Precisamos avançar na definição de responsabilidades e em mecanismos tecnológicos de rastreabilidade e identificação de conteúdos produzidos por IA, sempre preservando a liberdade de expressão e evitando que o combate à desinformação seja transformado em censura”, pontua.
Gabriel Amaral afirma que a legislação eleitoral deve definir regras claras para o uso de inteligência artificial e publicidade digital na política, separando a comunicação legítima da manipulação fraudulenta.
“O maior aprendizado para a Justiça Eleitoral é saber usar a tecnologia com equilíbrio e responsabilidade. É importante agir rápido e trabalhar junto com as redes sociais, mas isso deve ser feito sempre com regras claras, justiça e igualdade para todos”, finaliza.
*Estagiária do R7, sob supervisão de Augusto Fernandes, editor-chefe.
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