Confira os destaques do debate da RECORD com candidatos ao governo do Distrito Federal
José Roberto Arruda (PSD), Leandro Grass (PT), Ricardo Cappelli (PSB), Kiko Caputo (Novo) e Paula Belmonte (PSDB) participaram
2026|Edis Henrique Peres, Giovana Cardoso, Yumi Kuwano e Luiza Marinho, do R7, em Brasília
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Os candidatos ao governo do Distrito Federal se confrontaram nesta segunda-feira (21) no debate promovido pela RECORD. Cinco concorrentes ao Palácio do Buriti responderam perguntas diretas, além de questionamentos de jornalistas e da população sobre temas como saúde, transporte, educação e combate à corrupção.
Foram convidados Celina Leão (PP), José Roberto Arruda (PSD), Leandro Grass (PT), Ricardo Cappelli (PSB), Kiko Caputo (Novo) e Paula Belmonte (PSDB). A atual governadora, no entanto, decidiu não comparecer, segundo nota enviada por sua equipe, em função das atividades do cargo.
Ricardo Cappelli foi sorteado para fazer a primeira pergunta do debate a Paula Belmonte. Questionada sobre os seus planos para a saúde, a candidata se comprometeu, sem entrar em detalhes, a melhorar a situação da área, principalmente com novas contratações.
“Nós vamos mudar a realidade da saúde do Distrito Federal, fortalecer as UBSs, contratar médico, contratar enfermeiro. Nós precisamos trazer dignidade para as pessoas”, disse.
Cappelli prometeu zerar a fila de cirurgias e exames. “Como vamos fazer isso? Contratando mais de 5.000 médicos que estão faltando. Não falta dinheiro no DF. Nós temos o maior orçamento do Brasil. Precisamos de alguém para enfrentar o sistema”, afirmou.
Kiko Caputo foi sorteado para fazer uma pergunta a José Roberto Arruda. O candidato do Novo classificou a atual administração como “o pior governo da história do Distrito Federal” e citou o escândalo do BRB como exemplo de corrupção. Diante disso, questionou Arruda sobre qual seria o plano efetivo do seu governo para combater a corrupção.
“A melhor transparência é colocar tudo no digital. Qualquer pessoa, qualquer morador, qualquer jornalista vai poder saber onde foi cada real do governo. O mundo é digital e o governo de Brasília ainda é analógico. Nós vamos mudar isso para gerar transparência”, prometeu Arruda.
Já Leandro Grass defendeu a ampliação de linhas e horários, a implementação do BRT Norte e de trens de superfície, a expansão do metrô e a relicitação dos contratos para aumentar a fiscalização sobre os empresários do setor.
“A minha proposta para o transporte público, em primeiro lugar, é ampliar as linhas e os horários de ônibus [...]. Não dá para o metrô na capital do país funcionar só até 23h30. E, para a área norte, principalmente, é implementar o BRT Norte, que já deveria ter sido implementado”, destacou.
O debate foi dividido em quatro blocos e contou com confrontos diretos, perguntas de jornalistas, questionamentos enviados por telespectadores e as considerações finais de cada candidato.
Problema de gestão
Na parte das perguntas dos jornalistas, Arruda e Grass destacaram que o problema não é a ausência de dinheiro no Distrito Federal, mas falta de gestão.
Questionada sobre a quantidade de mulheres ocupando cargos nas secretarias — uma das bandeiras de Paula Belmonte —, a candidata do PSDB citou o seu compromisso de reduzir o número de pastas e escolher mulheres com sensibilidade para chefiar e acabar com o assédio moral.
Já Caputo disse que, se eleito, vai reduzir para menos de 20 as secretarias do DF e que metade delas será ocupada por mulheres.
O comentarista da RECORD Vladimir Porfírio questionou José Roberto Arruda sobre a situação jurídica de sua candidatura ao Governo do Distrito Federal.
Na resposta, Arruda defendeu a validade de sua candidatura e afirmou que o convite da RECORD para participar do debate seria uma demonstração de que ele é de fato candidato. Ele destacou que o fato relacionado ao processo ocorreu há 21 anos e disse estar fora da vida pública há 16 anos.
“A resposta está aparecendo aí na sua televisão. A RECORD é uma televisão séria, não é? Se eu não fosse candidato, eu não estava aqui. Eu sou candidato. Eu tenho absoluta convicção de que a minha candidatura foi registrada de acordo com a lei”, comentou.
Críticas à Celina Leão
A ausência de Celina Leão no debate foi criticada por candidatos que participaram do encontro na sede da Record.
“Hoje de manhã peguei ônibus às 6 horas no terminal lá de Planaltina e eu vim na viagem inteira conversando com os passageiros, perguntando a eles o que eles queriam que eu perguntasse à governadora, que infelizmente não veio para o debate”, destacou Ricardo Cappelli.
José Roberto Arruda também criticou a ausência de Celina. Ao responder a uma pergunta de Kiko Caputo sobre casos de corrupção no governo, o candidato citou nominalmente a vice-governadora.
“Você imagina que a Celina, que diz que ela é boa, mas fugiu do debate. Acho que quem foge do debate não está preparado para governar”, disparou.
Educação, tecnologia e economia
O terceiro bloco contou com perguntas feitas por telespectadores da RECORD Brasília sobre 11 temas sorteados: saúde, segurança pública, educação, transporte público, infraestrutura, tecnologia, lazer, meio ambiente, agro, economia e questão fundiária.
A primeira pergunta foi sobre educação, feita à candidata Paula Belmonte. O telespectador ressaltou a falta de creches para as mães e a valorização dos professores.
“Eu acredito que a educação tem que ser integral, com alimentação. Você sabia que aqui no Distrito Federal tem criança que anda mais de 50 km para chegar à escola e fica com estômago vazio? A gente acredita no café da manhã para as nossas crianças, no lanche para as nossas crianças. E educação integral não é só tempo na escola, é educação de qualidade, ensinar matemática financeira, empreendedorismo, tecnologia”, argumentou Belmonte.
Em resposta, Arruda prometeu retomar o modelo de educação em tempo integral e criar novamente um programa de bolsas universitárias para 10 mil estudantes no contraturno escolar. O candidato também defendeu que os professores do Distrito Federal voltem a ter o maior salário do Brasil.
“Eu quero, sobretudo, valorizar os professores. Brasília, no meu governo, tinha o melhor salário de educação do professor do Brasil. Hoje, está lá atrás. A meta é colocar o melhor salário de professor do Brasil. Aqui é a capital”, prometeu.
Sobre tecnologia, Caputo defendeu o ensino médio profissionalizante e a digitalização do governo. Já Leandro Grass afirmou que quer transformar Brasília na capital da tecnologia, estimular que empresas se instalem no DF, além de criar tecnologias que possam ser aplicadas a serviços públicos.
Para o lazer, Grass, prometeu equipar todos os parques da cidade, além de apoiar projetos de esportes, principalmente nas escolas, e atividades para idosos. Ele também se comprometeu a dedicar uma atenção especial à cultura. Já Cappelli defendeu que os espaços de lazer sejam bem cuidados em todas as áreas do DF e não só nas regiões mais nobres.
Sorteado para responder sobre economia, Arruda criticou a atuação do BRB em relação aos pequenos negócios. Segundo ele, o banco passou a financiar times de futebol de outros estados, eventos de Fórmula 1 e salas VIP para autoridades, enquanto deixou de oferecer apoio e crédito aos pequenos e microempresários do Distrito Federal.
“Vou diminuir a renúncia fiscal para os tubarões e transferir o dinheiro em termos de incentivos para os pequenos e médios empresários, porque são eles que movimentam a economia”, completou Arruda.
Divisões ideológicas
No último bloco, Paula Belmonte questionou Leandro Grass sobre a relação dele com a esquerda e com o histórico do partido no Distrito Federal. A candidata mencionou casos de corrupção associados a governos anteriores do PT no DF, citando a gestão de Agnelo Queiroz (PT).
Belmonte perguntou como Grass pretende lidar com as críticas e como seria sua relação institucional com o governo federal caso Flávio Bolsonaro (PL) fosse eleito presidente da República. A candidata também defendeu um governo voltado para o atendimento à população e sem divisões ideológicas.
Leandro Grass (PT) afirmou que tem uma trajetória “limpa”, sem processos ou condenações. O candidato também destacou que a corrupção não é exclusiva de um partido ou grupo político e defendeu medidas de combate a irregularidades, como transparência, independência da polícia e afastamento imediato de integrantes do governo envolvidos em casos de corrupção.
Considerações finais
Nas considerações finais, Leandro Grass reforçou a ausência de Celina Leão e destacou a vice-governadora na chapa dele, Dora Gomes.
Já Belmonte prometeu fazer um governo sem “rabo preso” e com foco no combate à corrupção: “Política pública é transformação, sem rabo preso com ninguém.”
Ela também falou sobre seu vice, o juiz aposentado e ex-delegado Everardo Alves Ribeiro, também do PSDB.
Kiko Caputo, que se denomina o único candidato da direita ao governo do DF, afirmou que a velha política “falhou” com a capital. Segundo ele, seu governo focará em serviços públicos de qualidade. “Quero resgatar o sonho de Juscelino Kubitschek e fazer com que Brasília seja a capital do sonho de novo”, comentou.
Ricardo Capelli afirmou compreender as dificuldades enfrentadas pelos trabalhadores que dependem de ônibus lotados e enfrentam filas nas UPAs: “Resolvi, pela primeira vez, morar nas cidades para viver o que você vive no dia a dia. Você quer mudança de verdade.”
Por fim, Arruda reafirmou a sua candidatura ao governo do DF. “Não caiam em conversa fiada, estou elegível e estarei na urna. [...] Estou à disposição para melhorar Brasília”, concluiu.
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