Dark Horse, lavagem de dinheiro e Lula: entenda as investigações sobre Flávio Bolsonaro
Inquéritos no STF apuram suspeitas de irregularidades financeiras e possível calúnia; nesta terça, senador saiu do Brasil e foi para os EUA
2026|Do R7
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O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que deixou o Brasil nesta terça-feira (27) com destino aos Estados Unidos, é alvo de ao menos três investigações no STF (Supremo Tribunal Federal).
Uma delas apura suspeitas de irregularidades no financiamento do filme Dark Horse, que retrata a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro. Flávio é investigado pelos crimes de lavagem de dinheiro, corrupção e evasão de divisas.
O senador também é alvo de uma apuração por suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo sua relação com o advogado Willer Tomaz.
Além disso, Flávio é investigado pelo crime de calúnia contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) devido a uma postagem que fez nas redes sociais.
As apurações podem continuar no STF mesmo após o fim do mandato de Flávio no Senado, em janeiro de 2027, e a consequente perda do foro privilegiado.
Em março de 2025, o STF decidiu que processos relacionados a crimes supostamente cometidos durante o exercício de uma função pública e em razão dela podem permanecer na Corte mesmo depois que a autoridade deixa o cargo. A aplicação desse entendimento depende das circunstâncias de cada caso.
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Financiamento do filme Dark Horse
A principal investigação sobre Flávio apura a origem e a destinação de recursos negociados para financiar Dark Horse, cinebiografia de Jair Bolsonaro. O inquérito está sob relatoria do ministro André Mendonça.
A PF investiga repasses atribuídos ao empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, para custear a produção. Documentos da investigação apontam que Flávio atuou diretamente nas negociações com o empresário. Segundo os investigadores, o senador teria pedido recursos para o filme e acompanhado os pagamentos.
A apuração busca esclarecer a origem do dinheiro, o caminho percorrido pelos recursos e seus beneficiários finais. Entre as suspeitas estão lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção. Os investigadores também apuram se parte dos valores foi utilizada em despesas sem relação direta com a produção cinematográfica, incluindo gastos associados à permanência de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.
A investigação foi autorizada após pedido da PF, com parecer favorável da PGR (Procuradoria-Geral da República). O inquérito foi formalmente aberto em julho de 2026.
Flávio nega irregularidades e afirma que o filme foi financiado com recursos privados.
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Suspeita de lavagem de dinheiro em apuração sobre Willer Tomaz
Outra investigação envolve a relação de Flávio com o advogado e empresário Willer Tomaz.
A PF encaminhou ao STF uma apuração sobre possíveis crimes financeiros relacionados aos negócios do advogado, incluindo suspeitas de lavagem de dinheiro e evasão de divisas. O caso foi distribuído ao ministro Alexandre de Moraes.
A investigação teve origem em diligências sobre possíveis irregularidades envolvendo empresas, plataformas de pagamento e apostas esportivas. Durante a análise de dados obtidos pela PF, os investigadores identificaram registros de encontros, viagens e contatos entre Tomaz e Flávio.
Entre os elementos sob análise estão viagens internacionais pagas por uma empresa ligada ao advogado e informações sobre o acesso do senador a uma conta bancária vinculada à offshore Alcazar Holding, da qual Tomaz é sócio. A PF quer saber a natureza da relação financeira entre os dois e se houve movimentações irregulares.
A apuração também envolve negócios ligados ao setor de apostas e empresas relacionadas ao advogado. As suspeitas contra Tomaz incluem possíveis irregularidades em operações financeiras, mas a investigação ainda precisa esclarecer a eventual participação de cada envolvido.
Flávio afirma que mantém uma relação de amizade com Tomaz e nega ter negócios com o advogado.
Investigação por suposta calúnia contra Lula
Flávio também é alvo de um inquérito por suspeita de calúnia contra Lula, aberto pelo ministro Alexandre de Moraes a pedido da PF.
O caso teve origem em uma publicação feita pelo senador na rede social X em 3 de janeiro deste ano, após a captura do então presidente venezuelano Nicolás Maduro pelos Estados Unidos.
Na mensagem, Flávio afirmou que Lula seria delatado e associou o episódio a supostos crimes, como tráfico internacional de drogas e armas, lavagem de dinheiro e apoio a grupos terroristas.
A PF concluiu a investigação em junho e apontou a ocorrência de indícios de calúnia. Posteriormente, o senador apresentou explicações por escrito, negando ter atribuído diretamente os crimes ao presidente brasileiro.
O caso ainda depende da análise das autoridades competentes e dos próximos desdobramentos processuais.
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