Flávio Bolsonaro pede na Justiça bloqueio de 48 perfis e 221 publicações contrárias a ele nas redes sociais
Ação de candidato se volta contra perfis no Instagram de entidades civis, veículos independentes e políticos adversários
2026|Do R7
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A campanha de Flávio Bolsonaro (PL) acionou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra uma rede de perfis do Instagram favoráveis ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e, por consequência, contrários ao senador pelo Rio de Janeiro.
Na ação, o candidato pede a suspensão imediata de 32 contas até o segundo turno e que posts publicados em outros perfis sejam removidos. No total, o processo mira 48 perfis e a remoção de 221 publicações.
Dentre os donos das contas estão entidades civis, veículos de notícia, políticos e lideranças políticas de diferentes regiões.
Nomes como os deputados Gleisi Hoffmann (PT-PR), Rogério Correia (PT-MG) e instituições como Mídia Ninja, Cut e 342artes, este último, movimento que está organizando um ato pró-Lula com a presença de artistas, como Caetano Veloso.
A suspensão dos perfis seria temporária e duraria até as 23h59 do dia 26 de outubro, um dia depois do segundo turno das eleições.
Segundo a representação, os perfis teriam atuado de forma coordenada para divulgar conteúdos “falsos ou descontextualizados” que beneficiariam campanha de Lula.
O ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, corregedor-geral da Justiça Eleitoral, recebeu a ação, mas deixou para analisar os pedidos após novos esclarecimentos.
Campanha fez levantamento próprio
A equipe de Flávio afirma ter feito um levantamento próprio e analisado 2.856 publicações de 146 perfis, entre os dias 5 e 7 de outubro. Desse total, 2.101 teriam sido feitas em coautoria, recurso do Instagram, que permite a publicação conjunta e soma a audiência das contas participantes.
A ação destaca um conjunto de 218 publicações que, segundo o levantamento da campanha, inclui 24 conteúdos falsos e 194 considerados descontextualizados ou sem confirmação. As postagens teriam sido criadas por 123 perfis e alcançado 11,6 milhões de visualizações e 2,5 milhões de interações.
Entre os temas questionados estão conteúdos sobre aposentadorias, programas sociais, salário mínimo, jornada de trabalho e ataques à integridade do processo eleitoral. A campanha também cita publicações que teriam distorcido uma fala de Flávio sobre a aprovação de emendas constitucionais.
Ministro pede esclarecimento
Na decisão, Villas Bôas Cueva determinou que a campanha de Flávio esclareça, em até 72 horas, quais responsáveis pelos perfis pretende incluir formalmente no processo e quais condutas atribui individualmente a cada um.
O ministro também pediu informações sobre possíveis pedidos semelhantes apresentados em outras ações eleitorais, para evitar decisões conflitantes. A campanha deverá ainda delimitar quais contas e períodos devem ser abrangidos pelos pedidos de preservação e fornecimento de dados.
Até que os esclarecimentos sejam apresentados, o magistrado reservou a análise dos pedidos de urgência, incluindo a suspensão de perfis, a remoção de publicações e a aplicação de multas.
Lula contesta acusações
Em manifestação apresentada antes da notificação formal, Lula contestou os pedidos da campanha adversária. A defesa argumentou que o levantamento é unilateral e que os arquivos digitais mencionados na ação não haviam sido juntados ao processo.
Também sustentou que publicações classificadas como descontextualizadas podem representar críticas políticas sobre fatos verdadeiros e que não há demonstração suficiente de coordenação entre os perfis ou de vínculo com a campanha petista.
O recebimento da ação pelo TSE não significa que as acusações foram comprovadas. Lula e Geraldo Alckmin (PSB) foram notificados para apresentar defesa em cinco dias, enquanto a análise das medidas cautelares permanece pendente.
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