Flávio promete ‘padrão Einstein’ ao SUS, e Lula relembra mortes na pandemia
Lula questiona proposta de Flávio para o SUS e diz que medida pode significar privatização
2026|Augusto Fernandes, do R7, em Brasília
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) relembrou a condução da pandemia de Covid-19 pelo governo de Jair Bolsonaro (PL), e o senador Flávio Bolsonaro (PL) reconheceu que a saúde não foi a área de melhor resultado da gestão do pai.
A troca de declarações ocorreu durante o primeiro debate entre os candidatos à Presidência no segundo turno, neste domingo (18), em uma discussão que também abordou propostas para o SUS (Sistema Único de Saúde), filas de atendimento e financiamento da rede pública. Flávio prometeu “padrão Einstein” ao SUS, e Lula alertou que isso pode significar a privatização do sistema.
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O debate foi promovido pela Band e pelo Estadão. Ao falar sobre saúde, Lula criticou a atuação do governo Bolsonaro durante a Covid-19, citando a demora na compra de vacinas, a falta de oxigênio em hospitais e o incentivo ao uso de medicamentos sem eficácia comprovada contra a doença, como cloroquina.
“716 mil pessoas morreram por irresponsabilidade do governo, porque poderia ter evitado metade da morte se ouvisse a ciência, se acreditasse na ciência. Eles não acreditaram.”
Em resposta, Flávio afirmou que a saúde não foi o ponto forte da gestão do pai, mas atribuiu as dificuldades ao caráter inédito da pandemia. “De fato, a saúde não foi uma área em que a gente teve o melhor resultado durante o governo do presidente Bolsonaro. Eu faço aqui essa minha culpa. Tivemos uma pandemia, dois anos de pandemia, uma coisa nova, que ninguém sabia direito como enfrentar, mas o Bolsonaro deu o seu melhor”, afirmou.
“Inclusive o Lula tomou vacina, né? Quem comprou vacina? O presidente Bolsonaro. Tem Bolsonaro dentro do Lula”, acrescentou Flávio.
Flávio tentou deslocar a discussão para a segurança pública ao citar mais de 770 mil homicídios durante cerca de duas décadas de governos do PT. Lula, por sua vez, voltou a criticar a gestão anterior e defendeu o SUS, que classificou como um patrimônio do país.
Padrão Eistein no SUS
Flávio anunciou que convidou Cláudio Lottenberg, ex-presidente do Hospital Israelita Albert Einstein, para assumir o Ministério da Saúde caso seja eleito. O senador defendeu levar ao SUS as práticas de gestão, tecnologia e atendimento do hospital privado.
Entre as propostas apresentadas por Flávio estão a criação de um prontuário eletrônico unificado, vinculado ao CPF, para integrar informações de pacientes das redes pública e privada, além do uso de telemedicina e inteligência artificial para orientar atendimentos. O senador também prometeu combater a falta de medicamentos básicos nos postos de saúde.
“Se você precisar ir a um médico imediatamente, você vai saber exatamente para qual unidade de saúde você vai ser direcionada. É assim que eu vou trabalhar, usando tecnologia, usando inteligência artificial.”
Lula questionou se a proposta de adotar um modelo inspirado no Einstein poderia abrir caminho para a privatização do SUS. O presidente também criticou a indicação de Lottenberg.
“É importante você perceber que ele já foi secretário e não deu certo. Ele já foi presidente de uma empresa de saúde e não deu certo. É importante que você saiba que, para você escolher, se um dia você tiver que escolher, você tem que escolher quem conheça a saúde pública, que sabe o que é saúde pública.”
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