Lula diz que salário mínimo seria de R$ 900 sem PT; Flávio acusa governo de destruir poder de compra
No último debate antes do segundo turno, candidatos também discutiram tarifa zero no transporte público e reajustes para aposentados
2026|Do R7, em Brasília
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta sexta-feira (23), durante o último debate antes do segundo turno das eleições, que o salário mínimo seria de R$ 900 sem a política de reajustes acima da inflação adotada pelos governos petistas. Já o senador Flávio Bolsonaro (PL) acusou o atual governo de destruir o poder de compra da população e aumentar o endividamento dos brasileiros.
“O salário mínimo seria R$ 900 se dependesse do seu pai [Jair Bolsonaro] e [Michel] Temer. É isso o que eles querem para o Brasil”, afirmou Lula.
O petista questionou o adversário sobre os reajustes concedidos durante seus governos e os da ex-presidente Dilma Rousseff, argumentando que a valorização do salário mínimo foi fundamental para elevar a renda dos trabalhadores.
“Como pode alguém querer ser presidente da República se não sabe o quanto seria o salário mínimo sem a prática do reajuste acima da inflação?”, questionou.
Flávio, por sua vez, criticou a situação econômica do país e responsabilizou o governo Lula pela perda do poder de compra dos brasileiros. “O poder de compra foi destruído pelo atual governo. Lula endividou o povo brasileiro”, afirmou o senador.
O senador também questionou Lula sobre o preço dos alimentos e a dificuldade enfrentada pelos brasileiros para fazer compras. “Você lembra a última vez que foi ao mercado? Eu sei que está difícil comprar comida, e vou ajudar [a população]”, declarou Flávio.
O encontro desta sexta-feira (23), promovido pela TV Globo, é o último antes do segundo turno das eleições. O encontro teve um tom mais equilibrado, com menos ataques pessoais e maior espaço para a apresentação de propostas pelos dois candidatos.
Infraestrutura
Os candidatos também discutiram investimentos em infraestrutura. Flávio Bolsonaro criticou o governo Lula pela quantidade de obras inacabadas no país e citou um relatório do TCU (Tribunal de Contas da União) que, segundo ele, aponta mais de 11 mil empreendimentos nessa situação.
O senador questionou como o presidente pretende ampliar os investimentos no setor se ainda não conseguiu concluir obras em andamento. Entre suas propostas, Flávio defendeu a conclusão da ferrovia Transnordestina, a ampliação das concessões rodoviárias e a isenção de pedágio para motociclistas.
Lula rebateu as críticas e afirmou que seu governo já executa parte das obras mencionadas pelo adversário. O presidente também comparou Flávio a um estudante que memoriza o conteúdo, mas não consegue compreendê-lo.
“O adversário parece aqueles alunos que se preparam para fazer o vestibular: eles conseguem decorar, mas não conseguem aprender”, afirmou Lula.
Povos indígenas e meio ambiente
A situação dos povos indígenas também entrou na discussão entre os presidenciáveis. Flávio Bolsonaro prometeu cuidar das comunidades indígenas caso seja eleito presidente. Lula, por sua vez, relembrou a expressão “passar a boiada”, associada à gestão ambiental do governo Jair Bolsonaro, e criticou a condução da política ambiental durante o mandato do ex-presidente.
A declaração mencionada por Lula remete ao ex-ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles, que, em uma reunião ministerial de 2020, defendeu aproveitar a atenção da imprensa à pandemia para avançar em mudanças nas normas ambientais.
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