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Moraes diz que candidato que turbinar desinformação com IA vai ser cassado

Ministro do STF destaca riscos da manipulação eleitoral com uso de novas tecnologias

2026|Do Estadão Conteúdo

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • O ministro Alexandre de Moraes afirmou que a Inteligência Artificial intensificou a desinformação, prometendo cassação de candidatos que a utilizem indevidamente nas eleições.
  • Moraes destacou o perigo de manipulação de vídeos e discursos por IA, exemplificando com um caso na Argentina que influenciou o eleitorado.
  • A necessidade de punição rápida foi enfatizada para evitar que a desinformação comprometa a liberdade de escolha dos eleitores.
  • A ministra Cármen Lúcia alertou sobre o uso inadequado da tecnologia, referindo-se a um desequilíbrio de poder como "tecnoditadura".

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Alexandre de Moraes Valter Campanato/Agência Brasil

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), disse nesta sexta-feira, 21, que o avanço da Inteligência Artificial funcionou como um “anabolizante” para a desinformação. O magistrado prometeu a cassação para candidatos que utilizarem a ferramenta desta forma na reta final das eleições.

O ministro exemplificou que, com o uso dessa tecnologia, seria possível manipular a gravação de suas falas para alterar o conteúdo e até o movimento labial. “Isso é perigosíssimo para a manipulação do eleitorado”, completou.

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Moraes discursava no evento “Voto e democracia no Brasil”, realizado pela Faculdade de Direito da USP, no Largo de São Francisco, quando deu as declarações. O ministro relembrou o caso argentino como exemplo do risco que a IA representa, principalmente, na reta final de eleição.

Segundo Moraes, na véspera do pleito na Argentina, circulou um vídeo falso, feito com IA, em que um candidato apareceu anunciando a própria desistência para apoiar o adversário. “Na véspera da eleição, é impossível você correr atrás do prejuízo. Como regulamentar isso? Como fiscalizar e como evitar que isso destrua a liberdade de escolha?”, questionou o ministro.

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É esse cenário que, para Moraes, justifica a necessidade de punição rápida e severa contra quem usar desinformação gerada por IA na reta final da campanha. Apenas desmentir as informações após o pleito não tem efeito prático, segundo o magistrado.

“Todos os candidatos têm de ter absoluta consciência que, se, na véspera, quiserem utilizar os mecanismos de desinformação anabolizados pela inteligência artificial, isso vai dar cassação”, indicou.

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Atualmente, Moraes não compõe o colegiado do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mas recursos podem ser levados ao STF e, eventualmente, se sujeitarem à sua deliberação. Do mesmo modo, futuramente, o ministro pode retornar à corte eleitoral.

Segundo Moraes, a democracia se sustenta sobre dois pilares garantidos pela Constituição: a liberdade e o sigilo do voto. Sem esses direitos, disse, não há eleições livres. Para ele, foram essas garantias que passaram a ser alvo de ataques nos últimos anos por meio da desinformação disseminada nas redes sociais.

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O ministro explicou que o chamado “livre mercado de ideias” pressupõe que o eleitor tenha acesso a todas as opiniões disponíveis para, a partir delas, formar sua própria conclusão e escolher o candidato. Quando esse fluxo de informações é manipulado por notícias falsas direcionadas por algoritmos, argumentou, a própria vontade do eleitor passa a ser viciada. “Desinformação ataca liberdade de escolha do eleitor”, disse Moraes.

A ministra Cármen Lúcia, que também participou do evento, defendeu que a tecnologia não deve ser rejeitada, mas sim vigiada quanto ao uso que se faz dela. Segundo ela, o problema surge quando os donos das plataformas identificam que essas ferramentas podem ser usadas “para se servir do ser humano”, explorando comportamentos e interferindo na vida das pessoas.

A ministra usou o termo “tecnoditadura” para descrever o que classificou como um desequilíbrio de poder: quando plataformas e ferramentas tecnológicas deixam de servir ao usuário e passam a atuar sobre ele.

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