Palanque digital: Lula aposta em trajetória pessoal, e Flávio herda peso do nome ‘Bolsonaro’
Campanhas dos presidenciáveis em 2026 adotam diferentes estratégias para alcançar eleitor ‘independente’ nas mídias digitais
2026|Débora Sobreira*, do R7, em Brasília
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Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Para além do tempo de propaganda eleitoral na televisão e no rádio, as equipes de comunicação dos candidatos à Presidência com melhores colocações nas pesquisas preparam outra lógica de engajamento nas redes para capturar o eleitor “independente”.
Enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aposta nas histórias pessoais que contribuem para a identificação do eleitor, o senador Flávio Bolsonaro (PL) herda um ecossistema digital mobilizado em torno do próprio sobrenome.
“Lula continua a vender experiência e trajetória, que apelam para o eleitor de esquerda, e a relação com as políticas públicas, como se fosse um ‘pai’ para a população. Isso acaba por atingir o imagético do eleitor e, também, vira uma identificação emocional do candidato”, afirma o consultor de marketing político Deividi Lira.
O petista conta com 14,8 milhões de seguidores no Instagram, 1,68 milhão de inscritos no YouTube e um ativo exclusivo, como pontua Deividi Lira: a máquina estatal. Os feitos da atual gestão favorecem a competitividade dele nas redes, mas, mal dosados, podem soar como comunicação de governo, em vez de comunicação de um candidato.
“Ele é o atual presidente, então isso proporciona uma grande quantidade de posts, agendas, anúncios de programas. Mas a equipe tem um desafio muito maior ao ter que tomar cuidado para não trazer uma linguagem muito institucional; sabemos que os perfis do governo estão neste momento silenciados por conta do período de defesa eleitoral”, argumenta Lira.
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Ao mesmo tempo, Flávio Bolsonaro lida com uma cultura digital desenvolvida pelo bolsonarismo desde 2018. Dessa forma, os perfis do candidato funcionam como uma “ferramenta multiplicadora de conteúdo”, segundo Deividi Lira. “[Essa rede] não serve apenas para informar, mas para manter a direita mobilizada.”
O filho mais velho de Jair Bolsonaro acumula 11 milhões de seguidores no Instagram e 957 mil inscritos no YouTube. Como principal ponto de força nesse caso, há o capital político herdado do pai; e, como maior fraqueza, o mesmo elemento.
“O desafio que a equipe de Flávio tem é o de desenvolver uma identidade presidencial própria do candidato. Ele vende uma imagem política, mas agora precisa vender a de um candidato à Presidência da República”, comenta Deividi.
Palanque digital
O estudo Relatório de Notícias Digitais 2026, realizado pelo Instituto Reuters, aponta que as redes sociais aparecem hoje como o principal meio pelo qual brasileiros buscam informação.
Essa foi a resposta de 53% dos entrevistados, que incluíram, em seguida, TV (44%), sites de notícias (43%), rádio (14%), chatbots de IA (13%), podcasts (11%) e capturas de tela (7%).
O mesmo levantamento aponta o Instagram (49%), WhatsApp (46%) e YouTube (42%) como as redes mais buscadas pelos brasileiros para conferir notícias e informações.
Engajamento x Intenção de voto
Com a presença das redes, a campanha eleitoral passa a começar muito antes do próprio período de eleições. É o que diz o professor da Faculdade de Tecnologia da UnB (Universidade de Brasília) Aurélio Maduro.
“Hoje um político consegue passar anos construindo audiência, testando discursos e formando uma comunidade nas redes. Quando a eleição efetivamente começa, alguns candidatos já chegam com uma estrutura de comunicação e uma relação com determinados públicos bastante consolidada”, diz.
No entanto, o próprio “palco digital” das redes pode alterar toda a dinâmica da comunicação entre os atores eleitorais.
“Existe uma tendência [nas redes sociais] de premiar o conflito. Conteúdos que provocam indignação, confronto ou uma reação emocional forte normalmente geram mais interação. Isso acaba influenciando a própria maneira como os candidatos se comunicam”, reforça o especialista.
Assim, ele acredita que é preciso ter cuidado para “não confundir engajamento com intenção de voto”. “Uma pessoa pode ter muito engajamento nas redes e isso não aparecer, na mesma proporção, nas pesquisas eleitorais”, completa Aurélio.
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