Para imprensa internacional, eleição brasileira é determinante para rumos da região
The Guardian destaca o peso da disputa para a América Latina, enquanto The Wall Street Journal aponta que o PT não tem plano B se Lula perder
2026|Do R7
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Os principais veículos da imprensa internacional trataram o primeiro turno das eleições deste domingo (4) como uma disputa capaz de definir os rumos políticos da América Latina.
The Guardian, The New York Times, Reuters, Le Monde e The Wall Street Journal deram destaque ao confronto entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL), que chegou à reta final sem um favorito claro.
O britânico The Guardian levou o tema à manchete de seu site e afirmou que o resultado pode mudar a direção não só do Brasil, mas de toda a região. Segundo o jornal, o país é um dos poucos da América Latina que ainda têm um governo de esquerda, depois de uma sequência de vitórias da direita nos países vizinhos e da tomada da Venezuela pelos Estados Unidos após a captura de Nicolás Maduro.
O diário também apontou que Lula tem se apresentado como um dos últimos líderes da região dispostos a enfrentar Donald Trump e lembrou que o presidente acusou o governo americano de tentar interferir na eleição. Flávio foi descrito pelo jornal como aliado de Trump, com a promessa de aderir à coalizão liderada pelos EUA contra cartéis de drogas.
O New York Times classificou a eleição como crucial e a definiu como o maior teste até agora para a direita em ascensão na América Latina. Para o jornal americano, a disputa também tem consequências para os planos de Washington na região, ao opor um presidente que desafiou Trump repetidas vezes a um candidato alinhado ao republicano em temas como o combate ao crime organizado. O texto mencionou ainda a preocupação com uma possível tentativa de interferência americana e o escândalo envolvendo o Banco Master.
A agência Reuters descreveu o pleito como crucial e polarizado, dominado por denúncias de corrupção, incerteza econômica e acusações de interferência dos EUA. A agência chamou atenção para a ausência dos dois principais candidatos nos debates de TV, o que teria esvaziado a discussão sobre as contas públicas e o baixo crescimento da economia.
A Reuters também relembrou o episódio em que Trump chamou de perseguição a condenação de Jair Bolsonaro e impôs tarifas a produtos brasileiros. Lula, na época, classificou a medida como uma tentativa de influenciar as eleições.
O francês Le Monde também deu destaque à relação com Washington, mas avaliou que a campanha teve pouco brilho e que o resultado, definido mais por questões internas, permaneceu bastante incerto.
Já o Wall Street Journal publicou na noite de sábado (3) uma análise com o título “Lula é a última esperança da esquerda brasileira, e seu maior problema”. O texto afirma que o presidente, de 80 anos, busca o quarto mandato convencido de que a esquerda não sobrevive sem ele. Segundo o jornal, a força pessoal de Lula impediu o surgimento de sucessores no PT, e uma derrota poderia deixar a esquerda fora do poder por anos.
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