Planos de governo de Lula e Flávio preveem IA na saúde e na economia, mas divergem sobre o papel do Estado
Lula aposta em soberania digital com infraestrutura pública, enquanto Flávio destaca automação e redução da burocracia
2026|Do R7
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Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Os planos de governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), adversários no segundo turno, tratam a inteligência artificial (IA) como ferramenta para modernizar os serviços públicos e impulsionar a economia. As propostas se aproximam na digitalização de serviços e no uso da tecnologia no SUS, mas partem de visões diferentes sobre quem deve conduzir esse desenvolvimento.
O tema tem mais peso no programa de Flávio. Segundo levantamento do Laboratório Interdisciplinar de Inteligência Artificial para Métodos, Democracia e Sociedade (labiiia), o plano de Lula menciona a inteligência artificial 11 vezes, e o de Flávio, 21.
Lula aposta em soberania digital
O programa de Lula coloca a soberania digital no centro da agenda, com investimento público em infraestrutura, pesquisa e tecnologia nacional.
Entre as propostas estão supercomputadores desenvolvidos e operados por instituições brasileiras, modelos de linguagem em português e maior integração entre universidades, empresas e centros de pesquisa.
O plano também cria um Conselho Nacional pela Soberania Digital, com participação da sociedade.
Na saúde, a IA seria usada no SUS para triagem, priorização de casos graves e organização das filas conforme o risco clínico, além de apoiar diagnósticos em regiões com falta de especialistas.
Para os centros de dados, o programa defende eficiência energética e uso de fontes renováveis, considerando os impactos sobre o abastecimento de água e energia.
Agronegócio e finanças aparecem entre os setores em que a aplicação da tecnologia deve ser ampliada.
Flávio mira automação e produtividade
No plano de Flávio, a IA é sobretudo uma ferramenta de desburocratização. O programa Brasil sem Fila prevê digitalizar todos os serviços federais que possam ser oferecidos pela internet e usar a tecnologia para organizar agendas na saúde, com prontuário eletrônico único vinculado ao CPF.
Outra proposta é a ClarIA, assistente virtual ligada ao programa Brasil por Elas, voltado às mulheres, que tiraria dúvidas sobre segurança, agendamento de exames e acesso a crédito.
Para a economia, o candidato defende uma estratégia nacional de IA para aumentar a produtividade de empresas de diferentes portes, em setores como indústria, agronegócio, saúde e logística, com estímulo a startups, parques tecnológicos, patentes e parcerias entre universidades e empresas.
A capacitação em inteligência artificial entra em iniciativas de formação profissional, como a Escola Brasil por Elas.
Pontos em comum e diferenças
Os dois programas preveem o uso de satélites e IA para combater crimes ambientais. Flávio fixa a meta de zerar o desmatamento ilegal até 2029, e Lula, a de alcançar desmatamento líquido zero até 2030.
A principal diferença está em quem conduz o processo. No plano de Lula, o Estado aparece como indutor, com infraestrutura computacional própria e regulação das plataformas digitais.
No de Flávio, a IA é apresentada como meio de reduzir custos e burocracia da máquina pública, em um programa que também defende privatizações e equilíbrio fiscal.
O levantamento do labiiia aponta ainda diferenças no detalhamento. Segundo o laboratório, o plano de Flávio não define indicadores para acompanhar metas de fila, qualidade e inclusão digital, enquanto o de Lula é mais claro sobre a execução ao citar ministérios, o programa Nova Indústria Brasil e o BNDES.
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