PT diz que Flávio Bolsonaro tem a mesma cultura golpista do pai e estuda ‘medidas cabíveis’
Reação do partido ocorre após o pré-candidato se reunir com diplomatas estrangeiros para pedir observadores nas eleições
2026|Bruna Pauxis, do R7, em Brasília
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Após o senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), ter pedido a diplomatas que enviem observadores para as eleições deste ano, o presidente nacional do PT (Partido dos Trabalhadores), Edinho Silva, publicou uma nota, nesta quarta-feira (22), tecendo críticas ao parlamentar.
De acordo com o petista, Flávio tem a “mesma cultura golpista” de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, e estaria adotando os “mesmos métodos” utilizados pelo ex-mandatário nas eleições de 2022.
“O senador reuniu diplomatas internacionais para questionar as urnas eletrônicas e, por consequência, o sistema eleitoral brasileiro, pelo qual ele foi eleito parlamentar por diversas vezes, bem como seus familiares”, escreveu Edinho Silva.
“Sabemos quais são as consequências dessa ofensiva antidemocrática. Como provado na investigação e, posteriormente, no julgamento, da tentativa de golpe de janeiro de 2023, tentar descredibilizar as urnas é método contra a nossa democracia. E o resultado pode ser gravíssimo, como a história recente demonstrou”, completou.
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Desinformação
Ainda de acordo com o presidente do partido, o parlamentar estaria promovendo “desinformação” e “fake news” contra o sistema de votação brasileiro e, por isso, o PT avalia acionar a Justiça contra o pré-candidato.
“O Partido dos Trabalhadores avalia as medidas judiciais cabíveis e reitera que está ao lado da democracia e em defesa das urnas eletrônicas e do sistema eleitoral brasileiro, em respeito aos 158 milhões de eleitores e a toda a população do nosso país”, finalizou o documento.
Em comunicado divulgado nesta quarta-feira (22), Flávio Bolsonaro e sua equipe negaram que o pré-candidato tenha questionado o sistema e disseram que as falas dele foram descontextualizadas.
“Em sua fala, que é brevíssima neste ponto, o pré-candidato Flávio Bolsonaro afirma expressamente que ‘não está questionando o sistema de votação brasileiro’ e exorta os diplomatas ali presentes a mandarem o maior número possível de representantes em missões de observação internacional”, afirma a nota assinada por Flávio, Rogério Marinho, senador e coordenador-geral da pré-campanha, e Maria Claudia Bucchianeri, coordenadora jurídica da pré-campanha.
Reunião com diplomatas
Durante encontro com diplomatas estrangeiros, nesta terça-feira (21), Flávio Bolsonaro pediu que seus países enviassem “a maior quantidade de observadores possível” para supervisionar as eleições brasileiras em outubro.
“Não estou questionando o sistema de eleição brasileiro, mas que todos os países possam mandar a maior quantidade de observadores possível para nossa eleição e pessoas que têm conhecimento sobre essa tecnologia”, declarou, durante reunião organizada pela agência Novo Selo Comunicação e pelo site The Brazilian Report.
De acordo com o senador, um documento da CIA, a agência de inteligência dos EUA, teria indicado manipulação nas eleições venezuelanas de 2010, e o mesmo poderia ocorrer no Brasil.
“Uma das suspeitas é que uma empresa chamada Smartmatic, de origem venezuelana, tenha havido uma programação para alteração das votações naquele país nas eleições de 2010”, disse o parlamentar. “Só para deixar registrado que muitas dessas máquinas que são utilizadas nas eleições brasileiras têm a mesma origem dessa empresa venezuelana”, acrescentou.
Leia a nota do PT na íntegra:
“Flávio Bolsonaro prova que tem a mesma cultura golpista do pai, Jair Bolsonaro, e adota os mesmos métodos utilizados nas eleições de 2022. O senador reuniu diplomatas internacionais para questionar as urnas eletrônicas e, por consequência, o sistema eleitoral brasileiro, pelo qual ele foi eleito parlamentar por diversas vezes, bem como seus familiares.
Sabemos quais são as consequências dessa ofensiva antidemocrática. Como provado na investigação e, posteriormente, no julgamento, da tentativa de golpe de janeiro de 2023, tentar descredibilizar as urnas é método contra a nossa democracia. E o resultado pode ser gravíssimo, como a história recente demonstrou.
Não podemos tolerar a desinformação e as fake news contra o nosso sistema de votação por um pré-candidato à Presidência da República.
O Partido dos Trabalhadores avalia as medidas judiciais cabíveis e reitera que está ao lado da democracia e em defesa das urnas eletrônicas e do sistema eleitoral brasileiro, em respeito aos 158 milhões de eleitores e a toda a população do nosso país."
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