Qual o futuro da família Bolsonaro após as eleições? Derrota pode reorganizar nomes da direita
Segundo cientistas políticos ouvidos pelo R7, derrota nas urnas ameaça posição de Flávio como liderança do PL
2026|Isadora Carmona*, do R7, em Brasília
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Após a derrota nas urnas para Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o senador Flávio Bolsonaro (PL) pode ter perdido sua única oportunidade de concorrer ao cargo, segundo especialistas ouvidos pelo R7. Para o cientista político Magno Karl, a derrota fará com que a posição de Flávio como liderança da direita seja ameaçada, “porque existem outros candidatos na fila”.
Entre os possíveis concorrentes à liderança, estão Tarcísio de Freitas, reeleito governador de São Paulo no primeiro turno, e Michelle Bolsonaro, eleita senadora pelo Distrito Federal.
Com pouco mais de 20 anos de trajetória política, Flávio foi escolhido para disputar a Presidência após a prisão e perda dos direitos políticos de seu pai, Jair Bolsonaro, até então principal liderança do PL. Flávio conclui o mandato de oito anos de senador ao final deste ano.
Letícia Mendes, cientista política na BMJ Consultoria, avalia que Michelle e outros aliados ainda ocupam posições inferiores às dos filhos de Jair Bolsonaro na hierarquia de sucessão política, sobretudo diante da influência que o ex-presidente tem nas decisões do PL. “A família vai querer manter essa ligação sanguínea nas indicações para manter o nome e legado vivos”, afirma.
Independentemente do resultado presidencial, os cientistas apontam tendências que devem permanecer para as próximas eleições. Letícia acredita que a capacidade de mobilização nas redes sociais “será essencial para construir os próximos passos não só do bolsonarismo, mas da direita como um todo”.
Bolsonarismo no Congresso
Apesar da derrota à Presidência, os quase 60 milhões de votos recebidos por Flávio e os 140 parlamentares do Partido Liberal (PL) eleitos em 2026 para a Câmara dos Deputados e o Senado indicam que o bolsonarismo deve continuar como uma das principais forças políticas do país.
Magno Karl destaca que, na atual conjuntura, a disputa pela liderança da direita dificilmente afetará a aliança com a família Bolsonaro. “Para os políticos eleitos a partir dessa associação, a preservação da família Bolsonaro como símbolo é, politicamente, muito lucrativa”, conclui.
Flávio não reconhece derrota
Após a derrota nas urnas para Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Flávio e aliados questionaram a decisão do ministro Cristiano Zanin, do STF (Supremo Tribunal Federal), de prorrogar a votação em todo o país até as 19h, duas horas depois do previsto.
A decisão de Zanin ocorreu a pedido de campanha de Lula. Antes, a própria campanha de Flávio também havia pedido ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) que a votação fosse prorrogada em algumas cidades de São Paulo, Paraná e Santa Catarina.
A decisão de Zanin foi divulgada próxima ao horário de fechamento das urnas, o que impediu que algumas seções eleitorais fossem mantidas abertas. Posteriormente, o STF e o TSE esclareceram que apenas as seções que não tivessem fechado teriam seu horário prorrogado.
O candidato derrotado do PL questionou a medida e afirmou, em pronunciamento, que pedirá a anulação das eleições. O resultado das urnas mostrou Lula com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% de Flávio, uma vantagem de pouco mais de 4,4 milhões de votos.
*Estagiária do R7, sob supervisão de Bruna Lima, editora-chefe.
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