Rejeição de 49% a Lula e Flávio Bolsonaro leva eleição à disputa pelo ‘menos mal avaliado’
Cientista político Bruno Soller classifica pleito como a ‘eleição mais negativa da história democrática brasileira’
2026|Amanda Garcia, do R7, em Brasília
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A disputa pela Presidência chega ao domingo de primeiro turno com Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) empatados não só nas intenções de voto, mas também na rejeição. Pesquisa Real Time Big Data divulgada na quinta-feira (1º) mostrou que 49% dos eleitores dizem que não votariam de forma alguma em cada um dos dois candidatos.
Na avaliação do cientista político Bruno Soller, do Real Time Big Data, o cenário transforma a eleição em uma disputa definida não apenas pela preferência por um candidato, mas também pela rejeição aos dois principais nomes nas pesquisas.
“Essa é a eleição mais negativa da história democrática brasileira. Nunca se viu uma eleição tão negativa como essa”, afirmou.
O termo “negativa”, neste caso, se refere à motivação do voto. Segundo o cientista político, parte do eleitorado não chega às urnas movida apenas pela identificação com seu candidato, mas também pela intenção de impedir a vitória do outro lado.
“O eleitor do Lula está votando cansado no Lula e o eleitor do Flávio está votando para derrotar o Lula, não é porque gosta do Flávio”, avaliou.
Desgaste não se converte em voto
Para Soller, a rejeição aos dois principais candidatos ajuda a explicar um dos componentes centrais da disputa: o desgaste do governo Lula não se transforma automaticamente em voto em Flávio Bolsonaro.
Na pesquisa Real Time, 52% dos entrevistados disseram desaprovar o trabalho do presidente, contra 46% que aprovam. Ainda assim, Lula lidera o primeiro turno com 43% das intenções de voto, contra 39% de Flávio.
Soller afirma perceber entre os eleitores um ambiente de desejo por mudança, mas avalia que a própria rejeição a Flávio limita a capacidade do candidato do PL de capturar integralmente esse sentimento.
“O clima é de mudança. Qualquer candidato que não fosse o Flávio teria facilidade de ganhar essa eleição. O Flávio é um complicador porque ele representa algo que foi rejeitado”, ressaltou.
O cientista político relaciona essa dificuldade à associação de Flávio com o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), derrotado por Lula quando buscava a reeleição em 2022.
A leitura ajuda a explicar por que a eleição permanece competitiva mesmo com a desaprovação do governo em níveis acima dos de aprovação. De um lado, Lula enfrenta o desgaste de quem está no poder; de outro, Flávio também encontra resistência em uma parcela expressiva do eleitorado.
Voto para impedir o outro
A presença do chamado voto negativo também apareceu em levantamentos feitos ao longo da campanha.
Pesquisa Datafolha de setembro perguntou aos eleitores a principal razão para a escolha de seu candidato. Naquele momento, 28% afirmaram votar para evitar que outro concorrente fosse eleito, enquanto 63% disseram escolher o candidato por considerar que ele tinha as melhores propostas.
Entre os que declaravam voto em Lula, 21% diziam escolhê-lo para evitar a eleição de outro candidato. Entre os eleitores de Flávio, esse percentual chegava a 34%.
Em um eventual segundo turno, a distância entre Lula e Flávio praticamente desaparece: Flávio registra 46% e Lula, 45%, cenário de empate técnico pela margem de erro da última Real Time.
Nesse cenário, uma eventual segunda etapa da eleição tende a colocar diante do eleitor não apenas a decisão sobre qual dos dois candidatos prefere para governar o país, mas também qual deles considera mais importante impedir de chegar — ou permanecer — no Palácio do Planalto.
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